Guarani vê processos trabalhistas crescerem em meio à crise

O clube voltou a lidar com uma onda expressiva de ações trabalhistas movidas por ex-jogadores e profissionais do departamento de futebol

A derrocada no fluxo de caixa do Guarani se intensificou a partir de junho, reflexo direto do impasse jurídico que determinou a refaça do pleito eleitoral

O Bugre vive uma crise nos bastidores - Foto: Raphael Silvestre / Guarani FC

Campinas, SP, 30 (AFI) — A severa instabilidade financeira vivenciada pelo Guarani em 2026 reabriu uma ferida institucional que parecia contornada nos bastidores do Brinco de Ouro. O clube voltou a lidar com uma onda expressiva de ações trabalhistas movidas por ex-jogadores e profissionais do departamento de futebol, ligando o sinal de alerta na diretoria e reacendendo temores que não se concretizavam com tal intensidade há quase sete anos.

Desde a transição administrativa em 2019, quando a gestão de Ricardo Moisés sucedeu a de Palmeron Mendes Filho no Conselho de Administração, o Bugre vinha obtendo uma redução drástica no volume de litígios jurídicos iniciados por atletas e técnicos.

Nos últimos anos, os processos movidos contra a agremiação eram tratados de forma isolada, não ultrapassando duas ou três ações por temporada.

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Contudo, a realidade mudou drasticamente ao longo do atual ano. Um grupo formado por nomes como o goleiro Emerson Júnior, o lateral-direito Ynaiã, os meias Diego Torres e Isaque, e o atacante Gabriel Silva recorreu à Justiça do Trabalho para cobrar obrigações em aberto.

Somando apenas os pedidos formulados por Emerson Júnior, Ynaiã, Diego Torres e Isaque, o montante exigido nos autos alcança a expressiva cifra de R$ 4.411.176,30, valores pleiteados nas petições iniciais que ainda dependem do trânsito e julgamento do mérito judiciário.

TÉCNICO PROCESSA O CLUBE

O desgaste nos bastidores atingiu inclusive o comando técnico. Desligado do cargo no final de agosto, o treinador Élio Sizenando ingressou com uma ação contra o clube na 7ª Vara do Trabalho de Campinas, cobrando o montante de R$ 233.044,45.

Atualmente dirigindo o Capivariano, Sizenando tornou-se o primeiro comandante a acionar o Guarani na Justiça desde a passagem de Roberto Fonseca em meados de 2019. O profissional alega pendências em um mês de salário, débitos do FGTS e verbas rescisórias proporcionais como férias e 13º salário, acrescidos de multas da CLT.

A derrocada no fluxo de caixa do Guarani se intensificou a partir de junho, reflexo direto do impasse jurídico que determinou a refaça do pleito eleitoral de dezembro por descumprimento do estatuto. A anulação e reinício do processo atrasaram os ritos para a implementação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), travando aportes financeiros previstos no orçamento anual e deixando o clube vulnerável com o insuficiência das cotas e patrocínios tradicionais.

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SAF COMO SAÍDA?

Internamente, a diretoria admite que novos processos podem ser distribuídos nos próximos dias diante do atraso nos salários em carteira e direitos de imagem. Toda a esperança da cúpula alviverde para estancar a sangria financeira está depositada na votação da proposta de SAF formulada pelo empresário Roberto Graziano, marcada para o dia 19 de novembro.

Paralelamente, o executivo de futebol Carlos Frontini tenta adiantar o planejamento do elenco para 2027, embora sua própria continuidade dependa do modelo de gestão que o futuro investidor decidir adotar após a transição societária.