Estrutura do Lusail, palco da final da Copa, vai virar lojas, cafés e escola

O Lusail, que já recebeu nove jogos e um público total de quase 800 mil pessoas até o momento, não deve ser o único reaproveitado após o torneio

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Campinas, SP, 17 (AFI) – O Lusail Stadium, o maior da Copa do Mundo do Catar, irá sediar a final entre Argentina e França. De acordo com a Fifa, após a decisão, a arena que foi construída do zero antes do Mundial, e tem capacidade para quase 90 mil pessoas, terá a maioria dos assentos removidos e será reaproveitada para lojas, cafés e possivelmente uma escola e clínicas de saúde.

O Lusail, que já recebeu nove jogos e um público total de quase 800 mil pessoas até o momento, não deve ser o único reaproveitado após o torneio. Entre os oito estádios, o 974, que faz referência ao código de discagem internacional do país, foi a primeira arena da Fifa com o projeto de ser totalmente desmontada em um Mundial. A partida entre Brasil e Coreia, pelas oitavas de finais, foi o último jogo do estádio.

Tatiana Fasolari, diretora executiva da Fast Engenharia, maior empresa de construção de overlays da América Latina, esteve no Catar, no ano passado, visitou o 974 e exaltou a estrutura. “In loco é realmente um projeto brilhante, que ao mesmo tempo mistura materiais simples como contêineres, com um traço arquitetônico arrojado”.

No Brasil, são duas as construções provisórias que foram utilizadas na Copa do Mundo de 2014. A então Arena Corinthians, como era conhecido o estádio corintiano, foi ampliada com arquibancadas provisórias para aumentar a capacidade de público. O mesmo aconteceu na Arena Fonte Nova.

“O grande desafio deste modelo de negócio é contar com empresas capazes de executar estes projetos dentro dos prazos estipulados pelos comitês locais, que normalmente são extremamente curtos. A gestão e experiência da equipe é fundamental, afinal, não podemos atrasar nem um segundo sequer. O evento tem dia e hora para começar, não é possível a modificação da data de início”, afirmou Tatiana.

A maioria dos estádios deve ter a capacidade reduzida pela metade ou adaptado para outra finalidade após o Mundial. A única arena que não passará por reformas será o Khalifa International Stadium, que deve receber os jogos da seleção do país.

Depois de um evento como a Copa do Mundo, alguns países-sede já enfrentaram problemas com os estádios construídos ou adaptados às exigências da Fifa, justamente para corresponder aos requisitos do torneio. No Catar, para evitar esses “elefantes brancos” espalhados pelo país, determinadas estruturas foram desenvolvidas de maneira inteligente, para que depois sejam desmontadas completamente ou parcialmente, reaproveitando materiais.

Na visão dos especialistas, este tipo de solução para evitar que as estruturas percam utilidade deve se tornar uma tendência nos próximos eventos esportivos maiores.

“Obras desse tipo são extremamente sustentáveis, uma vez que boa parte do material poderá ser reaproveitado. Sem contar que o custo de manutenção do estádio, após o torneio, será bem menor e mais adequado à realidade do país sede. Em eventos temporários, como a Copa do Mundo, essa é uma ótima alternativa. As arenas multiuso, como o Allianz Parque, também são exemplos de projetos mais modernos e que notamos um melhor aproveitamento no uso desses espaços”, disse Fernando Patara, especialista em inovação no esporte.

Confira os jogos no Lusail na Copa do Catar:

Argentina 1 x 2 Arábia Saudita – Público: 88.012
Brasil 2 x 0 Sérvia – Público: 88.013
Argentina 2 x 0 México – Público: 88.966
Portugal 2 x 0 Uruguai – Público: 88.668
Arábia Saudita 1 x 2 México – Público: 84.985
Camarões 1 x 0 Brasil – Público: 85.986
Oitavas de Final: Portugal 6 x 1 Suiça – Público: 83.720
Quartas de Final: Holanda 2 (3) x (4) 2 Argentina – Público: 88.966
Semifinal: Argentina 3 x 0 Croácia – Público: 88.966
Total de público: 786.302