Entenda o acordo e o que o Guarani ganha com o empréstimo de Louzer ao Criciúma

Treinador permanecerá vinculado ao Bugre, comandará o clube catarinense nas nove rodadas finais da Série B

Sem jogos até 2027, o Guarani encontrou uma solução incomum para reduzir despesas sem perder o treinador

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Umberto Louzer

Campinas, SP, 24 (AFI) – O Guarani surpreendeu ao anunciar o “empréstimo” do técnico Umberto Louzer ao Criciúma. A operação, comum quando envolve jogadores, é rara entre treinadores e levantou dúvidas entre os torcedores: Louzer ainda pertence ao Bugre? Quem pagará o salário? E o que o clube campineiro ganha com o acordo?

Louzer permanecerá vinculado ao Guarani até o encerramento do Campeonato Paulista de 2027. Ele comandará o Criciúma nas nove rodadas finais da Série B e retornará ao Brinco de Ouro depois do término da competição nacional, previsto para novembro.

O treinador não foi demitido nem teve o contrato rescindido. O Guarani apenas autorizou que ele trabalhasse temporariamente no clube catarinense durante o período em que o time campineiro não tem compromissos oficiais.

Não é um empréstimo igual ao de um jogador

A palavra “empréstimo” facilita a compreensão do negócio, mas não existe para treinadores o mesmo mecanismo de transferência utilizado com atletas.

Jogadores têm contratos registrados e movimentações regulamentadas pelas entidades esportivas. No caso de Louzer, os clubes fizeram um acordo de liberação temporária. Ele trabalhará no Criciúma por um período determinado e depois retomará o vínculo profissional com o Guarani.

A manutenção do contrato é o ponto central da operação. O Bugre não abre mão do treinador escolhido para conduzir o planejamento de 2027, enquanto o Criciúma recebe um profissional experiente para uma missão de curto prazo.

O que o Guarani ganha com o acordo?

O principal benefício é a redução de despesas. Eliminado na primeira fase da Série C, o Guarani encerrou a temporada profissional em agosto e não disputará outra partida oficial em 2026.

Manter Louzer e sua comissão técnica durante aproximadamente três meses sem jogos representaria um custo para um clube que enfrenta dificuldades financeiras e registrou atrasos salariais durante o segundo semestre.

Com a liberação, o Guarani alivia a folha no período sem calendário e preserva o contrato do treinador. A informação sobre o valor exato da economia, a divisão dos salários e uma possível compensação financeira não foi divulgada pelos clubes.

Portanto, não é possível afirmar que o Guarani recebeu dinheiro do Criciúma. O ganho confirmado está na possibilidade de reduzir o peso da comissão técnica durante a paralisação do calendário, sem precisar rescindir o vínculo de Louzer.

Louzer continuará trabalhando em alto nível

O acordo também oferece um benefício esportivo. Em vez de permanecer meses sem comandar uma equipe, Louzer disputará a reta final da Série B e enfrentará jogos decisivos na luta pelo acesso.

O Criciúma ocupa a sexta colocação, com 47 pontos, e está na zona de classificação para os playoffs que definirão duas vagas na Série A. A estreia do treinador está prevista para domingo, contra o Avaí, no Heriberto Hülse.

Quando voltar a Campinas, Louzer chegará em atividade e com informações recentes sobre adversários que poderão cruzar o caminho do Guarani no futuro.

Contratado para apenas um jogo

A operação chama ainda mais atenção porque a terceira passagem de Louzer pelo Guarani durou apenas uma partida antes da liberação.

Ele foi anunciado em 24 de agosto para substituir Elio Sizenando e comandou o time no empate por 2 a 2 com o Brusque, pela última rodada da primeira fase da Série C. O resultado eliminou o Bugre da competição e encerrou a temporada.

Sem calendário pela frente, o Guarani passou a planejar 2027. Louzer, contratado até o fim do próximo Paulistão, ficou sem partidas para disputar e recebeu a sondagem do Criciúma depois da saída de Eduardo Baptista para o Internacional.

O acordo em detalhes

PontoSituação
Clube de origemGuarani
Destino temporárioCriciúma
Contrato com o BugreAté o fim do Paulistão de 2027
Permanência no CriciúmaAté o término da Série B
Jogos restantesNove rodadas
Retorno ao GuaraniPrevisto para novembro
Rescisão contratualNão houve
Compensação financeiraNão divulgada
Divisão dos saláriosNão informada

Existe risco para o Guarani?

O maior risco é o planejamento depender de uma volta que acontecerá apenas depois da Série B. Caso Louzer conquiste o acesso e receba uma proposta para permanecer no Criciúma, uma nova negociação poderá ser necessária.

Pelo acordo anunciado, entretanto, o retorno está previsto e o contrato com o Guarani continua válido. Qualquer mudança dependeria da concordância do Bugre.

Também existe uma questão de tempo. A montagem do elenco para o Paulistão poderá começar enquanto Louzer ainda estiver envolvido com o Criciúma. A diretoria precisará manter contato com o treinador para evitar atraso na definição de contratações, dispensas e prioridades.

Uma solução rara, mas não inédita

Outros treinadores já participaram de operações semelhantes. Eduardo Baptista foi cedido pelo Mirassol ao Remo em 2021 e retornou para o Paulistão seguinte. Elio Sizenando, antecessor de Louzer no Guarani, também trabalhou temporariamente em Pouso Alegre e Figueirense antes de voltar ao Capivariano.

Itamar Schülle foi liberado pelo Santa Cruz para comandar o Retrô e depois retornou. Marcelo Fernandes, por sua vez, foi cedido pelo Santos à Portuguesa Santista em 2017.

Para o Guarani, a lógica é simples: transformar um período sem jogos em economia, manter o treinador sob contrato e recebê-lo novamente a tempo do Paulistão. O sucesso da operação, porém, dependerá do retorno de Louzer e da capacidade do clube de iniciar o planejamento de 2027 mesmo durante sua ausência.

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