Eliminado em agosto: quanto custa ao Guarani ficar sem jogar até 2027
Saída precoce da Série C elimina bilheterias, reduz a exposição de patrocinadores e obriga o clube a atravessar ao menos quatro meses com despesas
Fora da segunda fase da Série C, o Guarani encerrou o calendário ainda em agosto e só voltará a campo em 2027
Campinas, SP, 31 (AFI) – O empate com o Brusque não custou ao Guarani apenas a classificação na Série C. Eliminado ainda em agosto, o clube perdeu seis partidas no quadrangular decisivo, deixou escapar ao menos três novas bilheterias no Brinco de Ouro e agora terá de atravessar o restante de 2026 sem jogos oficiais. É um período de mais de quatro meses no qual as contas continuam chegando, mas uma das principais vitrines do futebol deixa de funcionar.
A dimensão exata do prejuízo ainda não pode ser determinada. O Guarani comunicou a liberação do elenco e da comissão técnica depois da eliminação, mas não divulgou os valores das rescisões, a quantidade de contratos encerrados nem quanto permanecerá comprometido com jogadores emprestados ou que seguem vinculados ao clube. Umberto Louzer, por exemplo, possui contrato até o Campeonato Paulista de 2027 e permanece nos planos.
Uma conta que pode chegar a milhões
No orçamento elaborado para 2026, o Guarani projetou uma folha salarial próxima de R$ 1,5 milhão por mês. A diretoria afirmou ter reduzido esse valor ao longo da Série C, especialmente durante a reformulação promovida em julho, mas não revelou o tamanho do corte. Caso o patamar previsto no início do ano fosse mantido entre setembro e dezembro, seriam aproximadamente R$ 6 milhões em salários durante um período sem partidas.
O cálculo não representa o prejuízo efetivo do clube, uma vez que as dispensas e renegociações devem diminuir a folha. Serve, porém, para mostrar o peso de uma temporada interrompida tão cedo. O cenário se torna ainda mais delicado porque o Guarani encerrou sua participação na Série C com pendências financeiras relacionadas aos meses de junho e julho, problema que chegou a provocar protestos dos jogadores durante a competição.
Três bilheterias desapareceram
A classificação para o quadrangular garantiria mais seis jogos ao Bugre, três deles no Brinco de Ouro. Nas duas partidas recentes com borderôs divulgados, contra Brusque e Inter de Limeira, o Guarani arrecadou R$ 107.640 e R$ 81.610, respectivamente. A média bruta foi de aproximadamente R$ 94,6 mil.
Se essa arrecadação fosse repetida nas três partidas que o clube disputaria em casa, o Guarani poderia movimentar cerca de R$ 284 mil em bilheteria bruta. O valor não considera as despesas para abrir o estádio e, portanto, não corresponde à receita líquida. Também é uma projeção conservadora: jogos decisivos, dependendo da campanha, poderiam atrair públicos maiores.
A perda não termina nas catracas. Sem partidas, diminuem a exposição dos patrocinadores, o movimento da loja, o consumo no estádio e os estímulos para adesão e permanência no programa de sócios. O orçamento do Guarani previa R$ 1,2 milhão em bilheterias durante 2026, além de R$ 4,2 milhões provenientes de patrocínios e permutas e R$ 3,66 milhões com associados. Não é possível calcular quanto dessas receitas será afetado, mas o clube terá de trabalhar para preservar o engajamento do torcedor durante um longo período sem futebol.
O custo mais pesado, no entanto, pode aparecer somente em 2027. Ao terminar a primeira fase na décima colocação, um ponto abaixo da zona de classificação, o Guarani perdeu a oportunidade de disputar o acesso e retornar à Série B. Não havia garantia de promoção, mas subir de divisão significaria entrar em outra faixa de receitas comerciais, exposição e direitos de transmissão na temporada seguinte.





































































































































