Copa mostra que o Brasil já não assiste ao futebol em uma única tela

Televisão aberta já não controla todo o tempo que os torcedores dedicam ao principal torneio de seleções no esporte

Principal novidade desta Copa não está apenas no crescimento do streaming, mas também na consolidação da CazéTV

brasil selecao brasileira copa do mundo
(Foto: Divulgação)

Campinas, SP, 21 (AFI) – A Copa do Mundo de 2026 está confirmando uma mudança profunda na forma de consumir futebol no Brasil. A televisão aberta conserva uma enorme capacidade de reunir milhões de pessoas, mas já não controla todo o tempo que os torcedores dedicam ao torneio. CazéTV, YouTube, Globoplay, redes sociais e aplicativos esportivos conquistaram uma parcela crescente da atenção.

Dessa forma, a partida continua sendo o centro do espetáculo, embora a experiência comece muito antes do apito inicial e prossiga durante horas depois do encerramento.

A televisão ainda reúne o Brasil

Seria exagerado anunciar o desaparecimento da televisão, especialmente em um país onde os jogos da Seleção continuam funcionando como acontecimentos coletivos capazes de alterar horários, reunir famílias e lotar bares. Antes do torneio, 77% dos consumidores brasileiros planejavam acompanhar a competição, enquanto 73% apontavam a televisão aberta como uma de suas opções preferidas, muito à frente dos 31% que mencionavam o streaming e dos 23% que pretendiam acompanhar a Copa pelas redes sociais.

Os resultados obtidos durante o campeonato confirmaram essa força, já que a Globo afirmou que suas diferentes janelas de transmissão, juntamente com a oferta do SBT na televisão aberta, alcançaram a grande maioria do público que assistiu à Copa no Brasil. As cinco partidas disputadas pela Seleção Brasileira chegaram a 106 milhões de pessoas dentro do ecossistema da Globo. O número demonstra que a televisão continua sendo a grande praça pública do futebol brasileiro, embora agora precise dividir o protagonismo com alternativas digitais muito mais competitivas.

A CazéTV já disputa o espaço de primeira tela

A principal novidade desta Copa não está apenas no crescimento do streaming, mas também na consolidação da CazéTV como uma opção principal para acompanhar o torneio. O canal de Casimiro Miguel conquistou os direitos para transmitir gratuitamente as 104 partidas no Brasil e desenvolveu uma cobertura pensada para o YouTube, com uma linguagem próxima do público, maior interação com a comunidade e uma programação que combina jogos, análises, humor, entrevistas e conteúdos fáceis de compartilhar.

Os números ajudam a explicar por que a televisão tradicional acompanha esse fenômeno com tanta atenção. A partida entre Brasil e Japão alcançou um pico de 21 milhões de dispositivos conectados simultaneamente na CazéTV, enquanto o canal já havia superado a marca de 100 milhões de dispositivos alcançados durante o torneio no início de julho. Essas métricas não podem ser comparadas diretamente com a medição televisiva, pois contabilizam realidades diferentes, mas mostram com clareza que o streaming se tornou um dos principais palcos do futebol brasileiro.

O celular concentra tudo o que acontece ao redor da partida

A disputa pela audiência não termina na escolha entre Globo, SBT ou CazéTV, já que muitos torcedores mudam de plataforma durante uma mesma partida ou utilizam várias telas simultaneamente. Um estudo realizado com televisores conectados revelou que 66% dos aparelhos analisados alternaram entre canais lineares e serviços digitais durante os jogos do Brasil, enquanto o consumo acumulado superou 56 milhões de horas.

O espectador pode assistir à partida principal pela televisão, consultar estatísticas no celular, conferir as cotações e os prognósticos das apostas da Copa do Mundo, comentar uma decisão da arbitragem no WhatsApp e procurar um replay no YouTube sem realmente abandonar a transmissão. Essa atenção distribuída transforma o futebol em uma experiência muito mais interativa e amplia um debate que mantém o torneio vivo ao longo de todo o dia.

A batalha está em acompanhar o torcedor

A Globo entendeu que competir com as plataformas digitais não significa defender apenas o sinal tradicional, mas ampliar sua presença por meio do SporTV, Globoplay, Ge TV, páginas esportivas e perfis nas redes sociais. A fronteira entre televisão e streaming começa a ficar menos clara, uma vez que as grandes empresas de comunicação distribuem seus conteúdos em diferentes janelas, enquanto os canais digitais adotam recursos e ambições próprios de uma emissora convencional.

A Copa do Mundo de 2026 está criando uma experiência na qual cada tela desempenha uma função diferente. A televisão preserva a emoção compartilhada e sua capacidade de reunir grandes audiências, enquanto o streaming oferece flexibilidade, variedade e interação.

Por isso, a verdadeira disputa deixou de se concentrar apenas em quem transmite cada partida e passou a envolver quem consegue acompanhar melhor o torcedor brasileiro durante todas as horas em que ele deseja falar, compartilhar e aproveitar a Copa.

Confira também: