Conselheiros do Guarani barram proposta absurda de Graziano pela SAF

Na proposta de Graziano, apenas o empresário levaria vantagem. Números baixos, pedidos polêmicos de posse e falta de transparência.

A oferta do empresário foi considerada absurda por conselheiros. Valor anual é inferior às cotas pagas por FPF e CBF, além de patrocínios

Roberto Graziano tem oferta rejeitada no Conselho do Guarani
Roberto Graziano tem oferta rejeitada no Conselho do Guarani

Campinas, SP, 11 (AFI) – Os conselheiros do Guarani bateram o pé e rejeitaram literalmente por maioria a proposta de Roberto Graziano para adquirir a SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do clube. A oferta do empresário foi considerada ‘absurda’ por membros do Conselho Deliberativo, que estavam confiantes num acerto e se decepcionaram nesta terça-feira à noite na sede do clube.

Na proposta de Graziano, apenas o empresário levaria vantagem, segundo os conselheiros. Ele incluiu no negócio o estádio Brinco de Ouro da Princesa — que já é dele —, além do Centro de Treinamento e do Clube Social. A questão é que, como o estádio já pertence ao empresário, sua inclusão na negociação seria uma obrigação já existente.

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VALORES BAIXOS NA PROPOSTA

A SAF, portanto, seria de apenas R$ 400 milhões, divididos em 20 anos, o que representaria aproximadamente R$ 1,6 milhão por mês, além de R$ 350 milhões destinados ao pagamento das dívidas.

Mas há ainda outro agravante: o prazo total do contrato seria de 40 anos (20 mais 20 anos), o que também foi contestado, porque pareceria ‘algo eterno’ ( Ad aeternum – em latim).

Há de se considerar que este valor das dívidas está super estimado, podendo cair pela metade em caso de uma boa negociação com os credores, inclusive, órgãos oficiais como impostos, que podem ser parcelados por longo prazo.

Ou seja, o valor total R$ 750 milhões seriam diluídos ao longo de 20 anos.

É só fazer conta básica de ‘mais e dividir’, que qualquer menino de 10 anos sabe fazer.

O clube receberia perto de R$ 35 milhões por ano, mas é preciso considerar que só de verba oficial, por participar de Paulistão e Brasileiro Série B, o clube já tem garantido perto de R$ 25 milhões.

O restante (R$ 10 milhões), seria facilmente conseguido com patrocinadores, naturalmente, tendo no controle do clube um bom gestor, com a mínima competência.

Conclusão: o empresário não desembolsaria nenhum tostão.

MULTA VIROU PRESSÃO

Além disso, Graziano incluiu uma multa de 10% do contrato (R$ 75 milhões), caso ele não fosse aprovado pelo Conselho Deliberativo até o dia 4 de setembro, como uma forma de pressionar pelo “sim”.

Outro ponto que revoltou alguns conselheiros foi que o empresário fez “pouco caso” com o Guarani, com uma proposta aquém do que se pensava quando o empresário apareceu nos bastidores.

A diferente forma com que trata o São Bernardo, clube do ABC, no qual ele é dono através do Grupo Magnum, também irritou os torcedores.

SIGILO GEROU REVOLTA

Na verdade, a proposta de Graziano já estava condenada a ser rejeitada desde o dia anterior à votação. Os conselheiros ficaram irritados não apenas com os termos da oferta, classificada por alguns como “indecorosa”, mas também com a exigência de que ela não fosse divulgada.

Os conselheiros receberam uma minuta do pré-contrato e, embora pudessem ter acesso ao documento, não poderiam divulgar nenhum dos detalhes contidos nele. Ou seja, faltou transparência na negociação.

Esse “modus operandi”, com certeza, visava evitar a criação de um clima negativo em torno da proposta, o que já era esperado diante de seus termos, considerados bastante prejudiciais ao clube.

Tratava-se, na avaliação dos conselheiros, de uma proposta leonina e totalmente desfavorável aos interesses do Guarani.

SEM MANIFESTAÇÃO OFICIAL

Nem a direção do Guarani, nem o empresário Roberto Graziano e seus representantes, apresentaram detalhes da proposta ou tentaram argumentar contra a posição do Conselho Deliberativo.

O que ficou acertado é que uma comissão vai voltar a negociar com o empresário com a intenção de apresentar uma proposta mais real e digna à força e grandeza do clube.

Caso não ocorra um acordo, pelo menos, razoável, serão canceladas as assembleias convocados, inicialmente, para os dias 1, 2 , 3 e 4 de setembro.

QUANTO RECEBE UM CLUBE COMO GUARANI ?

No Campeonato Paulista de 2026, o Guarani recebeu uma cota de participação básica de R$ 8 milhões paga pela Federação Paulista de Futebol (FPF). Além disso, pelo desempenho na classificação geral da competição, o clube faturou mais R$ 90 mil em premiação.

Considerando-se que em 2027, o Guarani deve estar na Série B do Brasileiro, é importante conhecer os valores atuais da divisão.

Cada clube que disputa a Série B do Brasileiro de 2026 recebe R$ 14,9 milhões líquidos em cotas de participação e direitos de transmissão.

Além da cota financeira unificada, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) separou um montante de R$ 70 milhões para custear diretamente despesas operacionais da competição – viagens, hospedagens e arbitragens.