Como Vorcaro vira homem forte do Atlético-MG e acaba reduzido a acionista irrelevante
Daniel Vorcaro desembarcou na SAF do Atlético-MG com um investimento estimado em R$ 300 milhões
A origem de parte dos recursos entrou na mira de investigadores, enquanto o clube afastou o banqueiro
Belo Horizonte, MG, 11 (AFI) – A história de Daniel Vorcaro no Atlético-MG começa com centenas de milhões de reais, passa pelo centro das decisões da SAF e termina em afastamento, investigações e perda brutal de influência. Antes tratado como um parceiro fundamental para o projeto alvinegro, o ex-dono do Banco Master foi transformado em acionista minoritário sem participação na gestão.
Vorcaro entrou na estrutura atleticana por meio do Galo Forte Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia. Entre 2023 e 2024, o veículo realizou aportes estimados em R$ 300 milhões e adquiriu 20,2% da SAF do Atlético, participação que correspondia a aproximadamente 26,9% da Galo Holding.
O movimento colocou o banqueiro atrás apenas da família formada por Rubens e Rafael Menin entre os investidores do clube. Além de injetar dinheiro, Vorcaro passou a frequentar reuniões do Conselho de Administração e começou a participar do comitê responsável pelo futebol.
Em entrevista concedida em 2024, o então CEO Bruno Muzzi reconheceu o espaço conquistado pelo empresário. “Ele tem participado de reuniões do conselho com a gente, dos comitês, é de fundamental importância. No do futebol, ele está começando a participar”, afirmou na ocasião.
A relação mudou completamente depois que o Banco Master entrou no centro de uma investigação bilionária. Fundos que aparecem no caminho percorrido pelo dinheiro utilizado no aporte da SAF passaram a ser examinados pelo Ministério Público de São Paulo e pela Procuradoria-Geral da República.
Segundo as investigações, os recursos tiveram origem nos fundos Hans 95 e Olaf 95, administrados pela Reag. O dinheiro teria passado por outros veículos financeiros antes de chegar ao Galo Forte FIP, responsável pela compra das ações atleticanas. Parte dessa estrutura apareceu em apurações relacionadas à Operação Carbono Oculto, que investiga lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Outro relatório apontou que o fundo Astralo 95, ligado à cadeia que chegou ao Atlético, movimentou com o Reag Growth 95 aproximadamente R$ 1,45 bilhão em recursos do Banco Master entre abril e maio de 2024. Os investigadores procuram descobrir quem exercia o controle efetivo desses fundos e qual era a verdadeira origem dos valores.
Atlético-MG fora das investigações
O Atlético-MG não é alvo dessas investigações. O clube afirma que todos os aportes seguiram os procedimentos legais, contratuais e de governança e sustenta que não participa da administração do Galo Forte nem possui ingerência sobre seus cotistas e movimentações financeiras.
Com o avanço do caso Master e a prisão de Vorcaro, a SAF retirou o empresário do Conselho de Administração e de qualquer função operacional. Mesmo afastado, ele permaneceu ligado ao Atlético como investidor por meio do fundo.
A perda definitiva de poder ocorreu com a aprovação de um novo aporte de R$ 530 milhões, realizado principalmente pela família Menin. Cerca de 90% desse dinheiro foi direcionado ao pagamento de dívidas bancárias da SAF, mas a operação também provocou uma profunda alteração na composição acionária.j mm
Rubens e Rafael Menin ampliaram sua participação de 41,8% para 83,5%. A parcela da associação foi reduzida para 10%, enquanto as fatias reunidas do Galo Forte, de Ricardo Guimarães e do Figa passaram a representar apenas 6,5%.
Antes da aprovação, o CEO Pedro Daniel já havia antecipado o efeito da operação sobre Vorcaro. “Ele irá se tornar um acionista irrelevante porque não vai acompanhar o investimento. Logo, a participação dele será reduzida. Ele se torna irrelevante na operação”, declarou.
A diluição não apaga os R$ 300 milhões nem o período em que Vorcaro participou das discussões administrativas e esportivas do Atlético. Também não significa que os valores recebidos pelo clube tenham origem criminosa, questão que ainda depende da conclusão das investigações.





































































































































