Como o Deportivo La Coruña reconstruiu o clube

Após acumular mais de €160 milhões em dívidas e chegar à terceira divisão, clube espanhol reorganizou as contas, investiu na formação e voltou à Primeira Divisão em 2026

A retomada também passou por investimentos no futebol.

La Coruña se passará a chamar A Coruña
O clube retornou à primeira divisão do Futebol Espanhol (Foto: Divulgação)

Poucos anos separam o Deportivo La Coruña de dois momentos completamente diferentes. No início dos anos 2000, o clube estava entre os principais da Espanha, com título nacional e presença frequente na Champions League. Depois, veio a crise: dívidas superiores a €160 milhões, queda de receitas e rebaixamentos que levaram o time à terceira divisão.

Em 2013, o Deportivo entrou em recuperação judicial. A situação começou a mudar com a entrada da Abanca, inicialmente como financiadora e, posteriormente, como principal acionista. A instituição participou da reorganização das dívidas e realizou novos aportes para fortalecer o clube. Em 2024, o Deportivo encerrou o processo de recuperação judicial, antecipando o fim de um acordo que poderia se estender até 2048.

RETOMADA

A retomada também passou por investimentos no futebol. Desde a chegada da Abanca, mais de €50 milhões foram destinados a Abegondo, centro de treinamento que reúne as equipes profissionais e as categorias de base.

O investimento em estrutura é parte importante desse processo, já que a formação e o desenvolvimento dos atletas dependem de um ambiente preparado para atender às diferentes etapas da carreira.

“Quando falamos em desenvolvimento de atletas, a estrutura tem um papel fundamental. Um centro de treinamento bem planejado oferece melhores condições para o trabalho diário, desde as categorias de base até o profissional, e cria um ambiente adequado para que o clube consiga desenvolver seus jogadores e fortalecer seu projeto esportivo”, afirma Sergio Schildt, presidente da Recoma.

IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO DE ATLETAS

A formação de jogadores ganhou espaço nesse processo. Na campanha que levou o Deportivo de volta à elite, nove atletas formados pelo clube tiveram minutos na equipe, enquanto a direção estabeleceu como meta manter pelo menos 25% do elenco com passagem de dois anos ou mais por Abegondo.

“Quando investimos na base, estamos investindo no desenvolvimento do clube. A estrutura é fundamental para que o atleta tenha condições de se desenvolver dentro e fora de campo, mas também precisamos criar um caminho para que esses jovens enxerguem no clube uma oportunidade real de chegar ao profissional. O objetivo é formar jogadores, fortalecer o time e, ao mesmo tempo, construir um patrimônio esportivo para o clube”, afirma Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá.

Para Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças do futebol, o caso mostra como a base pode fazer parte de uma estratégia de gestão e sustentabilidade financeira:

“Quando um clube profissionaliza sua gestão, a formação passa a ser também uma questão de planejamento. Investir na base não significa apenas formar jogadores para o time principal, mas criar ativos, reduzir a dependência de grandes contratações e construir uma fonte de receita que pode ser importante para a sustentabilidade do clube.”

RESULTADO

O resultado apareceu dentro de campo. Em maio de 2026, o Deportivo confirmou o retorno à Primeira Divisão espanhola, oito anos depois de deixar a elite. A recuperação transformou um clube que chegou perto do colapso financeiro em um projeto baseado em reorganização das contas, investimento na formação e planejamento de longo prazo.