Bets colocam Ponte e Guarani no mesmo lado de uma guerra milionária no STF
Rivais de Campinas se unem a grandes clubes do país para tentar derrubar medida que proibiu as apostas esportivas
Separados por uma das maiores rivalidades do interior, Ponte Preta e Guarani agora defendem a mesma causa no Supremo Tribunal Federal.
Campinas, SP, 02 (AFI) – Ponte Preta e Guarani vivem realidades diferentes, discutem projetos distintos para o futuro e raramente aparecem do mesmo lado de uma disputa. A proibição das bets, porém, conseguiu unir os dois rivais em uma guerra que chegou ao Supremo Tribunal Federal e envolve centenas de milhões de reais.
Os clubes campineiros encaminharam ao ministro Luiz Fux pedidos para participar da ação que questiona a medida provisória responsável por determinar o encerramento das casas de apostas no Brasil.
Além da dupla, São Paulo, Vitória e Portuguesa também apresentaram petições. Flamengo e Botafogo já haviam adotado movimentos semelhantes.
Na prática, os clubes pretendem reforçar no Supremo os argumentos contra a proibição e apresentar ao tribunal os prejuízos que a mudança pode provocar no futebol.
O que Ponte e Guarani pediram
Ponte e Guarani solicitaram ingresso na ação como amicus curiae, expressão jurídica que significa “amigo da Corte”.
Isso não transforma os clubes nos autores do processo. Caso o pedido seja aceito por Fux, eles poderão apresentar dados, documentos e argumentos para ajudar o STF a avaliar os efeitos econômicos e esportivos da proibição.
A ação foi apresentada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias. A entidade tenta derrubar a medida provisória e impedir o encerramento definitivo das operações das empresas autorizadas.
Os clubes alegam que os contratos foram assinados dentro de um mercado permitido e regulamentado pelo próprio governo. Por isso, sustentam que uma mudança repentina quebra a segurança jurídica e ameaça planejamentos construídos com receitas que, até então, eram consideradas legais.
Risco de salários atrasados e venda de jogadores
No documento enviado ao Supremo, os clubes afirmam que a perda dos patrocínios pode provocar atraso de salários, necessidade de venda de atletas, redução dos investimentos e dificuldade para manter equipes em diferentes modalidades.
Também é mencionado o risco de prejuízo às competições nacionais, uma vez que parte considerável das equipes depende direta ou indiretamente do dinheiro proveniente das apostas.
Somente na Série A, os acordos de publicidade ligados às bets movimentam aproximadamente R$ 1 bilhão. O impacto ainda alcança placas nos estádios, transmissões, propriedades digitais e contratos comerciais das competições.
Ponte e Guarani não possuem atualmente casas de apostas como patrocinadoras principais de seus uniformes. Isso, porém, não elimina o interesse dos dois no julgamento.
A proibição reduz o número de empresas disponíveis no mercado, enfraquece a concorrência pelos espaços publicitários e pode derrubar o valor das camisas. Para clubes endividados e dependentes de novas receitas, perder um setor inteiro de possíveis patrocinadores representa um risco adicional.
Rivais pressionados pela falta de dinheiro
A Ponte atravessa uma crise financeira profunda, acumula salários atrasados e enfrenta dezenas de ações trabalhistas. Depois de romper diferentes parcerias comerciais ao longo dos últimos anos, o clube encontrou recentemente uma empresa do setor imobiliário para ocupar o espaço principal da camisa.
O Guarani também busca uma reorganização financeira e tenta avançar na transformação do futebol em SAF. A proposta de venda de 90% da futura empresa foi retirada antes da votação, mantendo a indefinição sobre a entrada de novos recursos.
Nesse contexto, os dois clubes entendem que o desaparecimento das bets pode restringir ainda mais um mercado de patrocínios que já não oferece muitas alternativas fora das grandes capitais.
A movimentação no STF, portanto, não está ligada somente aos contratos atuais. Ela envolve a capacidade de Ponte e Guarani buscarem receitas, negociarem novos acordos e valorizarem suas camisas nas próximas temporadas.
Fim das operações tem prazo
A medida provisória determinou um cronograma acelerado para o encerramento do setor. As plataformas deverão interromper as operações, devolver os saldos dos apostadores e retirar publicidade e patrocínios do mercado brasileiro.
A extinção definitiva das autorizações está prevista para 25 de outubro. Como o prazo é curto, clubes e empresas tentam obter uma decisão urgente do Supremo antes que os contratos sejam rompidos.
Fux já autorizou a participação do Flamengo em uma das ações relacionadas ao tema. Agora, deverá decidir se Ponte, Guarani e os demais clubes também poderão integrar formalmente a discussão.





































































































































