América-MG barra oferta de fundo árabe para venda da SAF
Um parecer técnico-jurídico detalhou 25 pontos classificados como de "risco" na proposta apresentada pelo fundo Global Seven Eleven Energy Oil FZ-LLC
O Conselho do América recomendou a não assinatura do Memorando de Entendimentos no formato atual e listou dez exigências consideradas "inegociáveis"
Belo Horizonte, MG, 27 (AFI) – O processo de transformação do América-MG em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ganhou novos e decisivos capítulos nesta semana. Um parecer técnico-jurídico detalhou 25 pontos classificados como de “risco” na proposta apresentada pelo fundo Global Seven Eleven Energy Oil FZ-LLC, sediado em Dubai (Emirados Árabes Unidos) e Gana, para a aquisição de 80% das ações do clube mineiro.
Apesar de o projeto prever aportes entre R$ 800 milhões e R$ 1,03 bilhão, a análise aponta fragilidades na composição dos investimentos e nas garantias oferecidas pela empresa interessada.
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A principal ressalva apresentada no documento envolve a origem dos recursos. A proposta inicial estipula um aporte direto de apenas R$ 20 milhões por parte do fundo. O restante do montante previsto seria composto pelas próprias receitas geradas pelo clube — estimadas em R$ 70 milhões anuais — dentro de uma cláusula nomeada como “Geração de Recursos”.
Em relação aos débitos da instituição, o fundo árabe sinalizou a assunção de até R$ 197 milhões em passivos. Contudo, o parecer jurídico advertiu para a ausência de um cronograma claro de quitamento e a possibilidade de essas dívidas serem computadas como parte do valor total do investimento dos compradores.
PATRIMÔNIO ENTRA EM JOGO
A negociação também abrange bens imobiliários históricos do América. O Memorando de Entendimentos (MoU) sugere a transferência do CT Lanna Drumond para a SAF, abrindo margem para a venda do imóvel, desde que os valores arrecadados sejam reinvestidos na construção de uma nova estrutura na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Para o CT de Santa Luzia, a intenção é criar um projeto imobiliário onde o Coelho ficaria com 20% do Valor Geral de Venda (VGV) e os investidores com 80%, sem exigência de novos aportes por parte do clube.
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No caso do Estádio Independência, a minuta estabelece a cessão da praça esportiva à SAF por até 70 anos (35 anos renováveis por mais 35), com divisão igualitária (50% para cada lado) dos lucros líquidos. Os custos de manutenção ficariam sob responsabilidade do fundo, sem a exigência de um plano mínimo inicial. O pacote prevê ainda a criação de um Museu do América na arena, com aporte teto de R$ 13 milhões.
CONSELHO RECOMENDA REVISÃO
Diante das inconsistências encontradas, o relatório do Conselho Consultivo recomendou a não assinatura do Memorando de Entendimentos no formato atual e listou dez exigências consideradas “inegociáveis”. Entre as condições propostas pelo clube estão:
- Compra escalonada das ações mediante cumprimento de metas auditadas;
- Apresentação de garantias bancárias e reais;
- Manutenção da posse do CT de Santa Luzia integralmente com o clube associativo;
- Readequação do contrato de exploração do Estádio Independência.





































































































































