Com medo de 'idiotas', narrador de Pelotas se esconde na cabine
No empate entre Londrina e Brasil, o locutor Eduardo Costa foi alvo de ameaças dos torcedores da casa
A partida entre Londrina e Brasil de Pelotas foi realmente atípica para o futebol nacional
Campinas, SP, 03 (AFI) – A partida entre Londrina e Brasil de Pelotas foi realmente atípica para o futebol nacional. Além da confusão generalizada que tomou conta do gramado do estádio do Café, Eduardo Costa, radialista da Rádio Pelotense, protagonizou um episódio lamentável nas cabines de rádio: ameaças dos torcedores locais. Até mesmo o placar por 2 a 2 e a vaga do Xavante na final ficou em segundo plano.
Jogando fora de casa e com um placar de 3 a 1 do primeiro jogo, o Brasil fez dois gols com o seu artilheiro Nena, abrindo uma larga vantagem ainda no começo do segundo tempo. Foi aí que a confusão começou. Com o placar negativo, os torcedores do Londrina começaram a ameaçar o locutor gaúcho, que transmitiu o confronto da cabine do estádio do Café.
No finalzinho do jogo, Nena ainda teve a oportunidade de fazer o terceiro gol, em uma cobrança de penalidade. “Quando o Brasil fez o segundo gol, meia dúzia de ‘idiotas’ começou a me ameaçar, ficavam me falando algumas coisas. […] No pênalti do Nena foi difícil, porque eu estava com a visão limitada e até pedi desculpa no ar para os ouvintes, porque se o Brasil fizesse o gol eu não iria gritar… porque eu tava com medo né”, comentou Eduardo Costa ao Futebol Interior.
“Eu estava na cabine e quando o Nena fez o segundo gol, eu confesso até que me emocionei, cheguei a falar algumas coisas mais bonitas, mas não foi pra ofender ninguém. Eu transmito o jogo para a torcida do Brasil, para os torcedores do Rio Grande do Sul. Eu não torço para o Brasil, esse é o meu trabalho”, completou o locutor.
SEGURANÇA
Eduardo Costa comentou sobre a segurança do estádio do Café, em Londrina. De acordo com o radialista, esse foi uma das razões que gerou a confusão. “Não, a polícia e os seguranças no estádio não fizeram nada. Eu tive que colocar algumas cadeiras na porta para segurar, tirei os adesivos que identificavam a rádio na porta e tentei me esconder. Os torcedores ficavam gritando, fazendo algumas ameaças. Não é uma situação legal”, afirmou.
“Eu acho que os policiais foram fracos até no campo. […] É lamentável. Jogadores e membros da comissão técnica brigando, isso é muito triste pro futebol. Eles (policiais militares) não intervieram nem quando um cinegrafista aqui do Rio Grande do Sul começou ser espancado no campo, o goleiro do Brasil que teve que intervir né. É lamentável”, completou Eduardo Costa.
‘IDIOTAS’
“Não acho que seja todos os torcedores do Londrina, com certeza foi só uma meia dúzia de ‘idiotas’. Mas foi difícil né. A torcida do Brasil costuma chegar mais cedo nos jogos, fazer um churrasco, e alguns torcedores foram lá atrapalhar, gerar confusão. A polícia teve que intervir, teve bala de borracha… no final o ônibus do Brasil saiu até com vidros quebrados”, contou o radialista ao Futebol Interior.
Segundo Eduardo Costa, a confusão também foi nas arquibancadas do estádio do Café. “No estádio também, a torcida do Brasil não conseguiu ficar na arquibancada. Teve que ficar naquele barranco mais pra frente né. Alguns torcedores do Londrina estavam tacando pedra e outras coisas”, afirmou.
“Mas eu quero deixar bem claro que não tenho nada contra os moradores ou a torcida do Londrina. O Brasil jogou com o Maringá na primeira fase, eu não estava no Paraná, mas transmiti o jogo no Bento Freitas e não teve problema nenhum. Com certeza é só uma meia dúzia que tentou causar alguma confusão”, finalizou.
VAI FICAR TUDO BEM
“Quando a briga começou eles esqueceram um pouco de mim né, mas assim que o árbitro retomou a partida, os xingos e ameaças já voltaram. […] É lamentável esse episódio para o futebol nacional”, comentou o narrador da Rádio Pelotense, Eduardo Costa, ainda muito triste com o episódio no Estádio do Café.
O narrador conta que as arquibancadas eram muito próximas da cabine de rádio. “Sim, a arquibancada é pouco mais de um metro da cabine. Assim que eu fechei a porta com uma cadeira, eu sabia que só iam entrar ali se pulassem aquela janela por onde os narradores assistem os jogos”, contou o radialista.
BOLETIM DE OCORRÊNCIA?
“Eu não consegui identificar quem foi, porque nós ficamos no estádio até mais tarde, desmontando equipamento e tudo mais. E a segurança do estádio apareceu só depois, então não tem nem como”, comentou Eduardo Costa. Antes de terminar, o narrador brinca com o fato de Nena ter errado o pênalti no finalzinho do jogo, evitando assim, uma confusão com os torcedores. “Eu até agradeço ao Nena por ter errado o pênalti (risos)”, finalizou.





































































































































