Clubes brasileiros quase não cresceram em 2015, aponta estudo

Os clubes brasileiros, na visão do analista, continuam cometendo velhos pecados

Os clubes brasileiros, na visão do analista, continuam cometendo velhos pecados

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Campinas, SP, 03 – O faturamento dos principais clubes do futebol brasileiro teve crescimento estimado de 12% em 2015. Depois de descontada a inflação oficial do ano (IPCA) de 10,67%, o quadro é praticamente de estabilidade. Além do resultado financeiro, de maneira geral, o cenário é dos clubes repetindo velhos erros administrativos e ainda longe de atingir o equilíbrio financeiro.

Levantamento do Itaú BBA com base em vários balanços intermediários e dados como orçamento, arrecadação e valores de contratos comerciais projetam receita conjunta dos clubes que foram alvo do estudo de aproximadamente R$ 2,58 bilhões no ano passado, contra cerca de R$ 2,32 bilhões em 2014. Mas esse aumento não é tão bom quanto possa parecer.

“Crescimento de 12% num ano de crise a princípio parece bom. Mas se descontarmos 10% de inflação, temos crescimento real de 2%, que é praticamente nada”, diz César Grafietti, superintendente de crédito do Itaú BBA e responsável pelo estudo.

Esse crescimento se deu por conta dos programas de sócio-torcedor, aumento de bilheteria e ajuste nas receitas de TV. Mas, sobretudo, por um fator bastante importante: a venda de jogadores, principalmente para o exterior. “Ajudou nesse crescimento. Com os dólar beirando os R$ 4 reais no ano passado, qualquer venda gerou um aumento de 50% do valor esperado pela negociação do atleta.”

BONS EXEMPLOS
Os clubes brasileiros, na visão do analista, continuam cometendo velhos pecados. E os caso daqueles que fazem contratações de atletas por altos valores, para satisfazer a torcida e tentar conquistar títulos, mesmo tendo dívidas gigantescas. Mas há duas exceções: Palmeiras e Flamengo.

Na definição de Grafietti, ambos fizeram o “dever de casa” nos últimos anos. “Os dois se destacam positivamente. O Flamengo conseguiu reduzir custos e aumentar receita e entra em 2016 em posição favorável.” Ele diz que o rubro-negro já começa a sentir os reflexos positivos dessa reestruturação. O Palmeiras também saneou as finanças, teve crescimento de receitas, o que lhe dá condição de fazer investimentos.

Flamengo e Palmeiras foram os clubes mais 'pés no chão'

Flamengo e Palmeiras foram os clubes mais ‘pés no chão’

Reflexo disso é que o Palmeiras aparece como o clube com maior faturamento projetado (R$ 322 milhões), seguido do Flamengo, com R$ 305 milhões (leia arte ao lado). “O Palmeiras equacionou suas dívidas de curto prazo e isso permite planejar melhor o futuro. Não estamos nadando em dinheiro, mas conseguimos andar com as próprias pernas”, disse o presidente do Palmeiras, Paulo Nobre.

Paulo Dutra, diretor financeiro do Flamengo, afirma que o aperfeiçoamento da gestão é prioridade. “O Flamengo espera nos próximos anos melhoria no seu fluxo de caixa em função da redução de penhoras de ações judiciais cíveis e trabalhistas. Com isto poderá cada vez mais investir na sua atividade principal (futebol), mantendo um nível de alavancagem em linha com suas receitas.”

Mas, se o faturamento geral aumentou, as despesas também tiveram um salto em 2015: atingiram R$ 2,34 bilhões, aumento de 6% em relação a 2014. Um dos fatores, diz Grafietti, é que os clubes vivem “no limite da responsabilidade”, investindo mesmo sem poder. “O Atlético-MG gasta muito mais do que arrecada e está sempre tendo de procurar uma fonte externa para fechar as suas contas.”

(COLABORARAM DANIEL BATISTA E GONÇALO JUNIOR)