Pai e filho dividem campo pela primeira vez na arbitragem

Na Copa MS, Marcos Mateus foi o árbitro central de São Gabriel e União ABC, enquanto Victor Augustho atuou como quarto árbitro

A história dos dois no futebol começou há 18 anos, quando Victor acompanhou o pai no gramado, durante um amistoso entre Corinthians e Cene

Marcos Mateus e Victor Augustho no estádio Jacques da Luz Foto: FFMS/Divulgaçao
Marcos Mateus e Victor Augustho no estádio Jacques da Luz Foto: FFMS/Divulgaçao

Campo Grande, MS, 29 (AFI) – Uma história familiar ganhou um capítulo especial na Copa da Federação do Mato Grosso do Sul. Pela primeira vez, pai e filho integraram a mesma equipe de arbitragem em uma partida oficial.

Marcos Mateus Pereira foi o árbitro central do confronto entre São Gabriel e União ABC, enquanto seu filho, Victor Augustho Barbosa Pereira, atuou como quarto árbitro. O jogo, válido pela primeira rodada da competição, foi disputado na quarta-feira (28), no Estádio Jacques da Luz, em Campo Grande, e terminou empatado por 2 a 2

A história dos dois no futebol começou há 18 anos, quando Victor ainda era criança e acompanhou o pai no gramado do Morenão, durante um amistoso entre Corinthians e Cene.

Na época, Marcos já atuava na arbitragem, atividade que iniciou em 2000, enquanto cursava Educação Física. O que começou como uma alternativa para ajudar a custear os estudos acabou se transformando em uma paixão e em uma carreira de mais de duas décadas.

INSPIRAÇÃO

Acostumado desde pequeno a acompanhar o pai nos estádios, Victor cresceu observando a rotina da arbitragem e a dedicação necessária para exercer a função. A convivência despertou o interesse pela profissão, que começou a ganhar forma em 2023, quando passou a apitar partidas entre amigos e jogos de bairro.

Em 2024, após conversar com Marcos, Victor ingressou no curso de formação de árbitros da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS). No mesmo ano, fez sua estreia como árbitro central em uma partida do Campeonato Estadual Sub-15, entre Portuguesa e Coxim.

A experiência confirmou a escolha profissional. Victor destacou a influência do pai em sua trajetória e ressaltou a dedicação aos treinamentos e aos estudos.

“Meu pai é um cara que tem 26 anos trabalhando com arbitragem e eu sempre conheci meu pai árbitro. A inspiração maior é ver a dedicação que ele tem ao treinamento, ao alto rendimento, o tanto que ele estuda e se dedica”, afirmou.

Após a estreia, Victor intensificou a preparação física e o estudo das regras. Em 2025, participou da pré-temporada e trabalhou em competições das categorias de base. Já em 2026, depois de ser aprovado nos testes físicos e teóricos, passou a integrar o quadro estadual de árbitros, com oportunidades em diferentes categorias, da base ao futebol profissional.

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ORGULHO

Para Marcos, a escala representou um dos momentos mais marcantes de sua trajetória na arbitragem. Depois de tantos anos levando o filho aos estádios, teve a oportunidade de dividir oficialmente o campo com ele.

“Mais do que dividir uma escala, estamos compartilhando gerações, sonhos e uma paixão pela arbitragem“, destacou o árbitro.

Victor também ressaltou a importância de acompanhar de perto o trabalho do pai, agora como integrante da mesma equipe. Para ele, a oportunidade representou uma experiência diferente, principalmente pela possibilidade de observar a comunicação e a condução de uma partida ao lado de sua principal referência.

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“É completamente diferente. Você vê ele atuando ali e estar com ele no campo, saber como ele se comunica, como ele fala com os jogadores”, destacou Victor.

Apesar da emoção, pai e filho mantiveram a concentração durante o confronto, com o objetivo de cumprir suas funções e contribuir para o bom andamento da partida.

“Ali dentro, rolou a bola, chegamos para fazer o jogo, o nosso foco vai ser 100% no jogo. Ali dentro vai ser o árbitro central Marcos Mateus e o quarto árbitro, Victor Augustho, apenas com foco em entregar o jogo limpo e o nosso melhor lá dentro”, afirmou Victor.

A partida terminou empatada por 2 a 2, mas o resultado ficou em segundo plano diante do significado da experiência para a família. O menino que acompanhava o pai nos gramados agora dividiu com ele a responsabilidade de trabalhar em uma partida oficial, marcando um momento especial na trajetória dos dois (Informações da Federação Sul-Matogrossense – FFMS).