CBF pede que MP investigue presidente da Gaviões da Fiel após comentário contra árbitros

Os pedidos envolvem a instauração de investigação e reforço na proteção à arbitragem em jogos do Corinthians

"Arbitragem, a cota de vocês roubarem a gente dentro da Arena já deu também, viu?

Gaviões da Fiel é a maior organizada do Corinthians
Gaviões da Fiel é a maior organizada do Corinthians (Foto: Divulgação-Gaviões)

São Paulo, SP, 29 – A CBF decidiu acionar o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para protocolar uma representação criminal contra Alexandre Domenico, presidente da Gaviões da Fiel, torcida organizada do Corinthians, por ameaças direcionadas a árbitros de futebol.

Os pedidos envolvem a instauração de investigação e reforço na proteção à arbitragem em jogos do Corinthians, além de medidas na esfera cível contra o dirigente da uniformizada e outros membros da Gaviões da Fiel. Domenico disse que seu post não representa a organizada e que falou como “torcedor de cabeça quente”. Ele ainda defendeu que não se tratou de uma ameaça (veja a resposta na íntegra abaixo).

A CBF cobra que dirigentes da Gaviões sejam intimados a depor e que seja investigado como “informações sigilosas”, com a estadia dos árbitros, se tornaram de conhecimento do grupo.

“A representação destaca que as declarações atribuídas a Domenico, ao mencionar conhecimento sobre os locais de hospedagem dos árbitros e fazer advertências públicas direcionadas à arbitragem, podem configurar ilícitos previstos na legislação penal e na Lei Geral do Esporte, cabendo às autoridades competentes a devida apuração”, argumenta a entidade.

Alexandre, conhecido apenas como Alê, fez uma publicação nas redes sociais em que diz estar recebendo mensagens com endereços das hospedagens dos árbitros que apitam jogos do Corinthians. No texto, tece críticas aos profissionais de arbitragem e afirma que “está ficando insustentável segurar a massa”.

“Arbitragem, a cota de vocês roubarem a gente dentro da Arena já deu também, viu? Recebemos muitas mensagens até de onde vocês se hospedam, tenham responsabilidade fora e principalmente dentro da nossa casa. Isso não é uma ameaça. Só estamos avisando que está ficando insustentável segurar a massa”, escreveu o torcedor.

O Corinthians vai a campo nesta sexta-feira, às 20 horas, na Neo Química Arena, onde enfrenta o Mirassol, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro, e busca encerrar um jejum de 10 jogos sem vitória. O responsável por apitar a partida será o goiano Wilton Pereira Sampaio.

O clube tem sido alvo de protestos constantes realizados por torcedores organizados, que se encontraram com os atletas mais de uma vez, com aval da diretoria, no CT Joaquim Grava, para fazer cobranças.

O que diz o presidente do Gaviões, Alexandre Domênico Pereira

Sobre o meu story em rede social.

Vamos lá. O que eu postei foi no meu perfil, como corintiano, e não em nome da Gaviões. Falei como torcedor, de cabeça quente, igual a milhões de corinthianos que já não aguentam mais ver o Corinthians sendo prejudicado jogo após jogo.

E não é de hoje. Não é só por causa deste jogo. Isso vem de muito tempo. Para vocês terem noção, o Corinthians ficou 31 rodadas do Campeonato Brasileiro sem ter um único pênalti marcado a seu favor. Não estou falando de um lance isolado ou de uma reclamação pontual. É um sentimento que vem se acumulando há muito tempo entre os torcedores. E, justamente quando finalmente um lance é marcado, olha o que acontece: nosso jogador caiu na área e levou amarelo por simulação. Aí o VAR ficou um tempão analisando o lance para, no fim, mostrar que era pênalti para nós. Ou seja, quase fomos punidos por uma falta que fizeram contra a nossa equipe. Precisou do VAR para enxergar o que todo mundo viu. E, para completar, no último lance da partida, houve mais um puxão de camisa dentro da área, em um lance que muitos também entenderam como pênalti, mas que não foi marcado. São situações como essas que alimentam a sensação de injustiça e revoltam a torcida.

Quando eu falo que “o juiz roubou”, é o que todo torcedor fala desde sempre, na arquibancada, no bar ou no grupo de amigos. Ninguém entende isso como acusação de crime, ninguém pensa em assalto. É um desabafo do futebol, sempre foi. Então eu pergunto: o torcedor não pode mais reclamar? Não pode mais dizer que o juiz roubou?

E, sobre o resto, está escrito no próprio story: não foi ameaça e nunca será. Falei das mensagens que recebi de torcedores revoltados justamente para mostrar o clima que esses erros estão criando, não para incentivar ninguém a nada. Tanto que a arbitragem saiu do estádio tranquilamente e ninguém foi atrás de ninguém.

Vou continuar cobrando, com a voz que todo torcedor tem, uma arbitragem justa e transparente. É só isso que a gente quer: que o jogo seja decidido dentro de campo.

Vai, Corinthians!

Bruno Accorsi