Paulista A3: Presidente da Federação comenta sobre 2027

Entre os principais assuntos, o dirigente alertou sobre as dificuldades financeiras previstas

Reinaldo reconheceu o fato de iniciar o planejamento da competição sem conhecer os valores que serão destinados aos clubes

Reinaldo Carneiro Bastos Paulistão A3
Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF - Foto: Rodrigo Corsi/FPF

São Paulo, SP , 28 (AFI) – O presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos, concedeu entrevista nesta quarta-feira, na sede da entidade, após o congresso técnico do Campeonato Paulista da Série A3.

Entre os principais assuntos, o dirigente alertou sobre as dificuldades financeiras previstas para 2027, a indefinição das cotas, as receitas provenientes das casas de apostas, a necessidade de reduzir custos e as condições dos estádios.

A competição terá 16 equipes, com 15 rodadas na primeira fase e os oito melhores avançando aos mata-matas. Reinaldo destacou que, independentemente da situação, a Federação sempre estará ao lado dos clubes.

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CENÁRIO FINANCEIRO

Reinaldo reconheceu o fato de iniciar o planejamento da competição sem conhecer os valores que serão destinados aos clubes.

Segundo ele, o patrocínio coletivo da Rivalo permitiu manter, em 2026, cotas equivalentes às de 2025, mas ainda não há uma definição para a próxima temporada.

“É muito ruim, é muito dolorido para mim a gente fazer um conselho técnico e não ter uma cota, um valor definido. Mas esta é a realidade”, afirmou o presidente. O dirigente explicou que a indefinição está relacionada ao cenário de incerteza envolvendo as receitas do futebol paulista, especialmente as provenientes das empresas de apostas esportivas.

AUDIÊNCIA COM FUX

Reinaldo Carneiro adiantou que ocorrerá, no início de novembro, uma audiência com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, mas ressaltou que a Federação segue buscando alternativas.

“A receita que as bets geram para o futebol paulista é significativa. Hoje não temos… o ministro Luiz Fux chamou os clubes e as entidades para uma audiência pública no dia 3 de novembro. Hoje o cenário não é bom, é muito ruim, muito dolorido para mim”, declarou.

Ele ressaltou que não é possível estabelecer os valores das cotas enquanto não houver maior clareza sobre as receitas disponíveis.

“A gente conseguiu, com o patrocínio coletivo da Rivalo, equiparar as mesmas cotas desse ano com a de 25. Não temos mais a Rivalo, a bet. Estamos trabalhando, mas é um cenário de incerteza. A gente não sabe o que vai acontecer, por isso mesmo a gente não pode definir valores para o ano que vem”, completou.

GESTÃO CAUTELOSA DOS CLUBES

Diante das dificuldades previstas para 2027, o presidente da Federação orientou os clubes a adotarem uma administração mais cautelosa, evitando compromissos financeiros que não possam ser sustentados.

Reinaldo defendeu o controle da folha salarial e criticou a disputa entre equipes para oferecer valores cada vez maiores aos jogadores.

“Eu tenho conversado com eles mesmo nos pré-conselhos: não assumam compromissos sem a gente ter o próximo passo. Enxuguem a sua folha, trabalhem na realidade, não façam leilão entre vocês sobre salários de atletas, não entrem na conversa de empresários ou procuradores. Tratem diretamente”, aconselhou.

O dirigente também destacou a importância de os clubes conversarem diretamente entre si durante as negociações, evitando que informações repassadas por empresários provoquem concorrência artificial e aumentem os custos das contratações.

“Se você vai contratar um jogador do Rio Preto e o empresário diz que o Rio Branco está oferecendo um valor maior, fale de presidente para presidente, evitem esse leilão, porque vai ser um ano difícil”, afirmou Reinaldo.

NOVAS RECEITAS

Além da redução das despesas, a Federação discutiu alternativas para ampliar as receitas dos participantes. Segundo o presidente, os departamentos de marketing e comunicação apresentaram propostas para aproveitar comercialmente os dados das torcidas e ampliar as possibilidades de parcerias.

“O marketing e a comunicação passaram as possibilidades da gente criar uma nova receita, de se entender melhor, de conseguir comercializar os seus dados. Cada clube tem individualmente os dados do seu torcedor. Se a gente juntar todos, a gente faz uma massa de torcedores que fica mais interessante para a gente conseguir parceiros”, explicou.

A proposta, segundo o dirigente da Federação, é reunir informações das torcidas dos diferentes clubes para construir uma base mais ampla, que possa despertar o interesse de patrocinadores e abrir novas oportunidades comerciais.

A iniciativa faz parte da busca por alternativas diante da dificuldade de prever os recursos que estarão disponíveis para a próxima temporada.

POSSÍVEL FUSÃO

Questionado sobre uma possível fusão entre Rio Branco e Sertãozinho, Reinaldo Carneiro afirmou que o assunto não está oficialmente em discussão na Federação Paulista: “O Rio Branco participou normalmente da competição, que oficialmente não existe, esse assunto não existe”, declarou o presidente.

Reinaldo ressaltou que eventuais mudanças na estrutura das associações precisam respeitar a legislação e os procedimentos internos de cada clube. Segundo ele, as decisões cabem às próprias entidades, dentro de suas atribuições legais.

“Eu não sou advogado, não sei se é possível tecnicamente fazer ou não. Se tiver dentro da lei, cada um é dono do seu nariz, cada associação é dona do seu nariz, tem os seus órgãos para aprovar, conselho, assembleia geral. Mas hoje o Rio Branco participou. Então, nesse momento, tudo como está”, afirmou.

GRAMADOS E ILUMINAÇÃO

O presidente também falou das condições dos estádios que receberão os jogos da Série A3. Reinaldo demonstrou satisfação com o estado dos gramados apresentados durante as discussões, embora tenha reconhecido a necessidade de melhorias em algumas estruturas.

“Surpreendentemente positivo o estado dos gramados, não tem nenhum gramado ruim. Temos que melhorar? Temos. Tem coisa para fazer? Temos”, disse. Em relação à iluminação, o dirigente afirmou que a maioria dos clubes já conta com o equipamento e que os participantes que ainda precisam adequar seus estádios estão trabalhando para resolver a situação.

FEDERAÇÃO AO LADO DOS CLUBES

Ao fazer um balanço do encontro, Reinaldo destacou a importância das discussões com os representantes dos clubes para encontrar soluções diante das dificuldades financeiras.

O dirigente também reforçou que a Federação pretende trabalhar em conjunto com os filiados para buscar alternativas de arrecadação e controle de despesas.

“Foi uma reunião positiva, uma reunião muito boa. Tudo tratado, tudo discutido. E eu acho que a gente vai dia 24 de janeiro começar a Série A3 em alto estilo”, concluiu.

FORMATO DA SÉRIE A3

O Campeonato Paulista da Série A3 de 2027 será disputado por 16 equipes, que se enfrentarão em turno único na primeira fase, totalizando 15 rodadas.

Os oito melhores colocados avançarão aos mata-matas, que definirão o campeão. O início está previsto para 24 de janeiro.