Neymar pode pegar suspensão em julgamento nesta quarta; entenda acusação que preocupa o Santos

Camisa 10 será julgado pelo STJD após expulsão contra o Bahia

Procuradoria aponta conduta antidesportiva e descumprimento de diretrizes relacionadas à chamada Lei Vini Jr

Foto: Raul Baretta/Santos
Foto: Raul Baretta/Santos

Santos, SP, 28 (AFI) – O atacante Neymar terá um compromisso decisivo fora dos gramados nesta quarta-feira (28). O camisa 10 do Santos será julgado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) em razão de sua expulsão no empate com o Bahia, pelo Campeonato Brasileiro, e poderá receber uma suspensão de até seis partidas.

A denúncia foi apresentada pela Procuradoria do tribunal desportivo depois de um episódio envolvendo o meio-campista Rodrigo Nestor, do Bahia. Durante uma discussão, Neymar cobriu a boca com as mãos enquanto dirigia palavras ao adversário, atitude que motivou a aplicação de protocolos disciplinares e acabou registrada na súmula da partida.

A possível punição preocupa o Santos porque acontece na reta final do Brasileirão, quando cada resultado pode ter impacto importante na classificação.

O que Neymar fez contra o Bahia?

A confusão aconteceu durante o confronto disputado na Vila Belmiro.

Em meio a uma discussão com Rodrigo Nestor, Neymar colocou as mãos sobre a boca enquanto falava com o jogador adversário.

O árbitro Sávio Pereira Sampaio aplicou o cartão vermelho direto ao atacante.

A atitude de cobrir a boca durante uma discussão foi um dos pontos considerados pela Procuradoria do STJD ao apresentar a denúncia.

Segundo o relato da arbitragem, Neymar também demonstrou comportamento exaltado após a expulsão e correu em direção ao banco de reservas do Bahia, sendo contido por companheiros e integrantes das comissões técnicas.

Por que a Lei Vini Jr. entrou no caso?

A acusação envolve diretrizes disciplinares associadas à chamada Lei Vini Jr., voltadas ao combate a comportamentos antidesportivos e à ocultação deliberada de falas durante confrontos em campo.

A questão central do julgamento será determinar se a conduta de Neymar representou uma infração às normas aplicáveis e qual punição seria proporcional ao episódio.

A denúncia não significa que o jogador tenha sido considerado culpado pelo tribunal. Caberá aos auditores analisar os fatos, os registros da arbitragem e os argumentos apresentados pela defesa.

Também não é possível concluir, apenas pelo gesto de cobrir a boca, qual foi o conteúdo exato das palavras dirigidas ao adversário.

Atacante pode ser suspenso por até seis partidas

A Procuradoria enquadrou a conduta de Neymar em dispositivos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).

Um deles é o artigo 258, que trata de atitudes contrárias à disciplina ou à ética desportiva e prevê suspensão de uma a seis partidas.

O outro é o artigo 191, inciso II, relacionado ao descumprimento de determinações ou diretrizes de entidades de administração esportiva, com possibilidade de multa financeira.

Caso o tribunal aplique uma suspensão superior ao mínimo previsto, Neymar poderá ficar afastado de outros compromissos do Santos na reta final da competição.

O resultado dependerá do julgamento, e uma eventual decisão ainda poderá ser objeto de recurso, conforme as regras processuais aplicáveis.

Neymar já perderá dois jogos do Santos

Independentemente do resultado do julgamento, o atacante já está fora dos dois próximos compromissos do clube paulista.

Além do cartão vermelho direto recebido contra o Bahia, Neymar também acumulou o terceiro cartão amarelo, situação que resulta em suspensões automáticas distintas.

Com isso, o camisa 10 não poderá enfrentar o Palmeiras nesta quarta-feira, na Vila Belmiro, nem o Red Bull Bragantino, em partida prevista para 2 de novembro, em Bragança Paulista.

A possibilidade de uma punição adicional aumenta a preocupação do departamento de futebol santista, que precisa administrar a ausência de seu principal jogador em um momento decisivo do campeonato.

Julgamento pode afetar reta final do Brasileirão

A audiência desta quarta-feira definirá, em primeira instância, se Neymar receberá uma punição disciplinar adicional e qual será sua duração.

A defesa poderá apresentar seus argumentos para contestar a denúncia ou pedir uma penalidade menor.

Para o Santos, a principal preocupação é o calendário. Uma suspensão prolongada poderia tirar o atacante de parte dos últimos compromissos do Campeonato Brasileiro.

Até a conclusão do julgamento, porém, a possibilidade de seis jogos permanece apenas como o limite máximo previsto para a infração disciplinar apontada na denúncia, e não como uma punição já aplicada.

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