Ídolos da Ponte Preta se unem e pedem intervenção da CBF em meio a crise

Documento com 50 assinaturas solicita afastamento de dirigentes e investigação sobre a administração do clube

A crise da Ponte Preta ganhou um novo capítulo com um pedido de intervenção apresentado à CBF

A Macaca vive uma crise enorme dentro e fora de campo - Foto: Marcos Ribolli / PontePress

Campinas, SP, 28 (AFI) – A crise da Ponte Preta ultrapassou os gramados e chegou oficialmente à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Um grupo formado por oposicionistas, conselheiros e ídolos históricos da Macaca protocolou uma denúncia no Comitê de Ética da entidade, solicitando o afastamento de integrantes da atual diretoria e uma intervenção administrativa no clube.

O documento, com 58 páginas e 50 assinaturas, foi protocolado no último sábado (24) e ganhou repercussão nesta semana. A iniciativa é liderada pelos movimentos Mãos Pontepretanas e Ponte Pode Mais, que acusam a administração de falhas de governança e defendem medidas urgentes para impedir o agravamento da crise financeira e esportiva.

Entre os nomes que apoiam a mobilização estão Dicá, maior artilheiro da história da Ponte, os ex-zagueiros Oscar Bernardi, Juninho Fonseca e André Cruz, além de Nelsinho Baptista, Adrianinho, Renato Cajá, Osvaldo, Marcelo Borges e Diogo Silva.

A presença de personagens históricos do clube amplia a pressão sobre a gestão comandada pelo presidente Luiz Torrano e pelo vice-presidente Marco Antônio Eberlin, que também exerce a função de diretor de futebol.

O que os ídolos estão pedindo?

Os responsáveis pela denúncia solicitam a suspensão provisória de membros da diretoria executiva e da mesa diretora do Conselho Deliberativo. Também defendem que a Ponte passe por uma administração independente, com a missão de reorganizar suas finanças e estabelecer um plano de recuperação.

O documento aponta suspeitas de gestão temerária, problemas de transparência e possíveis violações de deveres administrativos. As alegações, porém, ainda precisam ser analisadas pelos órgãos competentes e não representam irregularidades comprovadas.

O advogado André Megale, ex-diretor da CBF e responsável técnico pela representação, afirma que o material reúne elementos suficientes para justificar a apuração das denúncias.

A eventual abertura de procedimento pelo Comitê de Ética não significa que a CBF tenha determinado uma intervenção. A adoção de medidas dependerá da análise da documentação, das competências da entidade e das garantias de defesa dos envolvidos.

Dívida milionária e dois rebaixamentos

O movimento acontece após uma temporada particularmente difícil para a Ponte Preta. O clube foi rebaixado no Campeonato Paulista e na Série B do Campeonato Brasileiro, acumulando prejuízos esportivos que também comprometem as receitas previstas para 2027.

Uma auditoria realizada durante negociações para a transformação do futebol em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) estimou a dívida da instituição em aproximadamente R$ 320 milhões, sem incluir cerca de R$ 20 milhões relacionados a débitos de IPTU.

O levantamento também identificou um déficit mensal próximo de R$ 2,8 milhões. A falta de recursos provocou atrasos salariais e chegou a motivar uma paralisação dos jogadores durante a temporada.

Em determinados casos, segundo informações divulgadas sobre a situação financeira, os pagamentos pendentes de profissionais ligados ao departamento de futebol ultrapassaram um ano.

Presidente reage e critica oposição

Luiz Torrano contestou a movimentação dos oposicionistas. Em entrevista à Rádio Brasil de Campinas, o dirigente afirmou que os pedidos de afastamento prejudicam conversas com potenciais investidores e dificultam a busca por soluções financeiras.

O presidente também atribuiu parte da crise ao acúmulo de dívidas de administrações anteriores, embora tenha reconhecido sua responsabilidade pelos dois rebaixamentos sofridos em 2026.

Torrano pediu desculpas aos torcedores e admitiu ter cometido erros em indicações para cargos diretivos. Segundo ele, seriam necessários aproximadamente R$ 3 milhões para regularizar pagamentos atrasados e garantir algum fôlego financeiro ao clube.

O que pode acontecer agora?

O próximo passo é a análise da representação apresentada à CBF. Os grupos responsáveis pelo pedido esperam que a entidade examine as acusações e avalie a possibilidade de medidas contra os dirigentes.

Não há, até o momento, decisão que determine o afastamento da diretoria ou a nomeação de uma administração independente.

Enquanto isso, a Ponte tenta organizar o planejamento de 2027, temporada em que terá pela frente a Série A2 do Campeonato Paulista e a Série C do Campeonato Brasileiro.

O impasse político acrescenta mais uma dificuldade ao processo de reconstrução da Macaca, que precisará conciliar o pagamento de dívidas, a formação de um novo elenco e a recuperação da confiança dos torcedores.

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