Quem vai torcer por Ponte e Guarani? A disputa de Campinas que começa antes do primeiro dérbi
Campinas tem dois clubes centenários e dois estádios que fazem parte de sua paisagem
Visitas aos estádios, escolinhas e ações de inclusão aproximam crianças dos clubes
Campinas, SP, 27 (AFI) – Antes de uma criança entender a tabela, ela pode reconhecer o caminho do estádio. Antes de saber quem ganhou o último dérbi, pode guardar uma camisa recebida em casa. Para Ponte Preta e Guarani, a formação de novos torcedores passa por experiências que o placar não consegue oferecer sozinho.
Campinas tem dois clubes centenários e dois estádios que fazem parte de sua paisagem. Essa proximidade é uma vantagem: permite conhecer pessoalmente o time que, para muitos brasileiros, existe sobretudo na televisão ou na tela do celular.
Mas ter história e endereço não garante a continuidade da torcida. É preciso transformar a possibilidade de aproximação em uma experiência que a criança queira repetir.
O estádio como primeiro encontro
Em junho de 2024, a Ponte abriu o Moisés Lucarelli para 65 crianças do projeto social Futebol de Rua. A visita permitiu conhecer as instalações e interagir com jogadores.
A iniciativa oferece um exemplo de como o clube pode se apresentar para além da transmissão de uma partida. O estádio deixa de ser um nome ouvido em casa e passa a ter tamanho, caminhos e pessoas.
Essa experiência não permite medir quantos visitantes se tornaram ponte-pretanos. Seu valor está na oportunidade criada: conhecer o clube antes de decidir se ele fará parte da própria vida.
A ligação também se constrói durante a semana
O Guarani apresenta o Projeto Bugrinho como sua rede de escolas oficiais de futebol. Além do ensino esportivo, a proposta divulgada pelo clube inclui disseminar sua marca. A Ponte também mantém uma rede de escolinhas com metodologia oficial.
São espaços em que o contato pode ser frequente. A criança encontra o escudo no treino, conhece colegas e associa o clube à prática do esporte.
Isso é diferente de esperar que a identificação apareça apenas quando o profissional vence. O vínculo ganha outras referências.
Levar uma família exige acolhê-la
O Guarani já ofereceu recreação para crianças em seu Espaço dos Bugrinhos durante partidas. Na Ponte, uma ação de 2026 com o Instituto Paica promoveu a entrada de crianças autistas em campo com os jogadores.
Essas experiências apontam para uma questão prática: atrair uma família envolve considerar quem acompanha a criança, como ela será recebida e quais necessidades encontrará no estádio.
Preço, deslocamento, segurança e conforto fazem parte dessa decisão. A paixão pode nascer em casa, mas a experiência oferecida pelo clube ajuda a determinar se haverá uma segunda visita.
Uma pergunta que precisa de dados
Não há, no material consultado, uma série histórica que permita afirmar que Ponte e Guarani estão perdendo torcedores entre os mais jovens. A hipótese não pode ser tratada como conclusão.
O que as ações documentadas mostram é que os dois reconhecem a importância de aproximar crianças. O próximo passo é acompanhar essa relação: quem volta, quem passa a frequentar os jogos e o que facilita ou impede essa continuidade.
O futuro das arquibancadas também é construído nos dias em que não há partida.





































































































































