Como a Ponte Preta foi de campeã a dois rebaixamentos em apenas um ano
Título nacional de 2025 não resolveu problemas financeiros
Atrasos, restrições para registrar jogadores e desmonte do elenco atravessaram a temporada de 2026
Campinas, SP, 27 (AFI) – Em 25 de outubro de 2025, a Ponte Preta comemorava seu primeiro título nacional. Um ano depois, o aniversário da conquista da Série C encontrou um clube novamente rebaixado no Brasileiro e também fora da elite paulista. Entre a festa e a queda, a Macaca não perdeu apenas posições: perdeu a oportunidade de transformar o resultado esportivo em estabilidade.
O acesso havia permitido à Ponte recuperar espaço na segunda divisão. As dificuldades financeiras, porém, já faziam parte da campanha vitoriosa. A taça chegou antes da solução dos problemas — e não foi suficiente para resolvê-los.
A trajetória de 2026 mostra como uma crise pode sobreviver a um título e comprometer a temporada seguinte.
O problema começou antes da primeira derrota
Ainda em janeiro, o clube convivia com atrasos e impedimentos para registrar reforços. A preparação para o Paulista foi afetada por uma limitação concreta: contratar não significava ter o jogador disponível.
A liberação para inscrever reforços só veio na quarta rodada, quando metade da primeira fase estadual já havia passado. A Ponte terminou o campeonato com um ponto em oito partidas e caiu para a Série A2.
A diferença entre o planejamento e a execução apareceu cedo. Antes de encontrar uma formação, o time precisava conseguir colocar seus atletas em campo.
Trocar o treinador não resolveu o ambiente
Marcelo Fernandes, comandante do título nacional, deixou o clube. Rodrigo Santana assumiu, mas a mudança de comissão não interrompeu os problemas financeiros.
Em maio, pedidos de rescisão de jogadores e insatisfação com salários mostravam que a dificuldade já alcançava a manutenção do elenco. A crise afetava a capacidade de preservar uma equipe, não apenas de escolher sua escalação.
Com saídas e alterações no comando, o trabalho precisava ser refeito durante a competição. Cada substituição tentava responder à urgência de um resultado, enquanto a estrutura seguia pressionada.
A tabela registrou o desgaste
A Ponte atravessou 22 partidas consecutivas sem vencer na Série B. A sequência passou por diferentes treinadores e só terminou em setembro.
Em 3 de outubro, a derrota por 2 a 0 para o Cuiabá confirmou o rebaixamento com sete rodadas de antecedência. O clube igualou a marca do Duque de Caxias, de 2011, como queda mais precoce da divisão na era dos pontos corridos.
O contraste com a taça de 2025 é duro, mas esclarecedor: vencer um campeonato não significa ter construído condições para sustentar o patamar seguinte.
Reconstrução começa antes do mercado
O desafio para 2027 envolve mais do que formar outro elenco. Regularidade nos pagamentos, possibilidade de registrar atletas e continuidade de trabalho são condições anteriores à discussão sobre reforços.
A Ponte já demonstrou que consegue conquistar um acesso mesmo em dificuldade. O ano seguinte mostrou o preço de depender novamente dessa superação.





































































































































