Avaí mantém salários atrasados e Marquinhos desabafa
O comandante revelou que a falta de pagamentos afeta profundamente o dia a dia do clube, indo muito além dos atletas profissionais
Além do drama esportivo dentro das quatro linhas, a crise financeira no Avaí nos bastidores veio à tona após a derrota para o Botafogo-SP
Florianópolis, SC, 26 (AFI) — O revés por 2 a 0 sofrido diante do Botafogo-SP complicou de vez a situação do Avaí na reta final da Série B do Campeonato Brasileiro, deixando o clube catarinense à beira do rebaixamento matemático. Além do drama esportivo dentro das quatro linhas, a crise financeira nos bastidores veio à tona após a partida.
Conforme apuração divulgada pelo ge, o Leão da Ilha acumula três meses de salários atrasados, cenário que levou o técnico interino Marquinhos Santos a abrir o jogo sobre a gravidade do momento vivido por jogadores e funcionários.
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Sem se esquivar das perguntas após o confronto, o comandante alvianista revelou que a falta de pagamentos afeta profundamente o dia a dia do clube, indo muito além dos atletas profissionais.
“É muito difícil. Eu já ajudei um monte de gente aqui. Pedro [Costa] já ajudou. Quem pode ajudar, ajuda. A gente fala só de jogadores, mas o staff tá atrasado, os funcionários estão atrasados, tá todo mundo. Tem jogadores vendendo algumas situações deles, é difícil isso. A minha geladeira eu sei como é que tá, a geladeira do meu atleta, do meu staff eu não sei. A gente tenta ajudar como pode, só que a gente também precisa, porque as minhas contas também chegam, e isso pesa”, desabafou o treinador.
DESGASTE EMOCIONAL
Marquinhos também destacou o desgaste emocional e a pressão enfrentada pelo grupo, ponderando sobre os riscos e o impacto direto que a falta de regularidade financeira gera no rendimento dentro de campo.
“A gente trabalha igual um condenado, na chuva, no sol, no raio e é xingado, é agredido às vezes, porque no futebol se pode tudo. Não aconteceu isso no Avaí, mas não sei se no pior vai acontecer. Eu conheço meu torcedor e acho que não vai acontecer isso, mas vai falar pros jogadores que não são daqui, que não conhecem o torcedor. Com certeza atrapalha e atrapalha muito”, completou.
REFLEXO NA CAMPANHA
Fazendo uma análise da temporada, o técnico associou diretamente as oscilações da equipe na Série B com os períodos de instabilidade salarial ao longo do ano. Segundo ele, o elenco atual, composto por jovens atletas com menor poder aquisitivo e reservas financeiras reduzidas, sente ainda mais o baque em comparação a plantéis de anos anteriores.
“A gente começa bem, atrasa salário, paga novamente e dá uma subida. No jogo contra a Ponte Preta começou a atrasar e a gente deu uma queda. Depois começa a pagar, a gente ganha três jogos e dá uma subida, depois atrasa de novo. É complicado. O jogador sente, principalmente esse grupo jovem que não tem um poder aquisitivo maior”, explicou Marquinhos.
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DESAFIO PARA O FUTURO
O treinador também projetou as dificuldades que o Avaí enfrentará no mercado para planejar a próxima temporada — seja na Série B ou na Série C —, ressaltando a urgência de quitar pendências antigas antes de tentar convencer novos reforços a vestir a camisa azurra.
“A gente tá aí esperando uma resolução, esperando resolver o problema. Até porque daqui pra frente a gente tem que montar um time, se é na Série C, na Série B, e, para fazer um time, tem que, pelo menos, quitar as coisas que aconteceram. Porque se eu sou jogador, tirando meu amor e idolatria pelo Avaí, se o cara vai me contratar, eu falo: ‘Pedro [Costa], tá de sacanagem, nem me liga. Vocês não pagaram o cara do ano passado, como é que vocês querem levar para esse ano?’ Então, primeira coisa é acertar a casa, independente do que acontecer”, alertou.
OTIMISTA
Para encerrar, Marquinhos manteve notas de otimismo quanto à grandeza do clube catarinense, apesar do acúmulo de pendências que também envolvem valores de 2025, como salários de novembro, direitos de imagem, 13º salário e premiações pelo título estadual.
“A gente vai com certeza dar volta por cima. Vai ser difícil, a gente vai ter problemas, mas o Avaí é muito grande, tem pessoas que trabalham pelo amor pelo Avaí e vamos dar volta por cima”, concluiu.





































































































































