Títulos não viram votos: por que grandes ídolos fracassaram nas eleições?
Luxemburgo, Edmundo, Luís Fabiano e Marcelinho Carioca descobriram nas urnas que popularidade esportiva não substitui estrutura partidária
Alguns dos nomes mais conhecidos do esporte brasileiro ficaram sem mandato nas eleições de 2026
Campinas, SP, 05 (AFI) – Vanderlei Luxemburgo comandou a Seleção Brasileira, trabalhou no Real Madrid e conquistou cinco vezes o Campeonato Brasileiro. Edmundo foi um dos principais atacantes de sua geração. Luís Fabiano tornou-se ídolo do São Paulo e disputou uma Copa do Mundo. Marcelinho Carioca marcou seu nome na história do Corinthians.
Nas eleições de 2026, nenhum deles conseguiu transformar a notoriedade esportiva em mandato. Os quatro integraram uma lista extensa de ex-atletas, dirigentes e personalidades do esporte derrotados nas urnas.
O resultado reforçou uma lição já observada em pleitos anteriores: o reconhecimento construído dentro dos estádios ajuda um candidato a ser lembrado, mas não garante estrutura política, identificação regional ou votos suficientes para superar o sistema eleitoral.
Luxemburgo fica distante no Tocantins
Candidato ao Senado pelo Tocantins, Vanderlei Luxemburgo recebeu 67.987 votos, equivalentes a 4,11% do total. Mesmo com décadas de exposição nacional, o treinador ficou longe das vagas em disputa.
A eleição majoritária exige uma conexão territorial diferente daquela construída no futebol. Luxemburgo era conhecido nacionalmente, mas enfrentou adversários com estruturas políticas locais, bases municipais e alianças consolidadas.
O caso mostra a diferença entre ser famoso em um Estado e representar politicamente seus eleitores. A lembrança do nome facilita a entrada na disputa, mas não substitui presença regional contínua.
Ídolos tiveram votações modestas
Em São Paulo, Luís Fabiano recebeu 9.613 votos para deputado federal. O resultado ficou muito abaixo do necessário para conquistar uma vaga, apesar de sua identificação com uma das maiores torcidas do País.
No Distrito Federal, Marcelinho Carioca obteve 2.494 votos na disputa para deputado distrital. O ex-meia construiu sua carreira principalmente em São Paulo, mas concorreu em um eleitorado no qual sua história com o Corinthians não se converteu na mesma identificação regional.
Edmundo recebeu 18.072 votos para deputado federal no Rio de Janeiro e terminou como suplente. Donizete Pantera, outro nome associado a Vasco e Botafogo, somou 2.433 na eleição para deputado estadual.
Os resultados ajudam a desmontar uma conta tentadora, mas equivocada: o tamanho da torcida de um clube não corresponde ao número de eleitores dispostos a votar em um ex-jogador.
Medalhas também não foram suficientes
O fenômeno não se limitou ao futebol. Leila Barros, medalhista olímpica e senadora pelo Distrito Federal, recebeu 686.340 votos, ou 21,25%, mas não conseguiu a reeleição.
Maurício Souza, campeão olímpico de vôlei e deputado federal, obteve 16.122 votos em Minas Gerais e perdeu o mandato. Sarah Menezes, campeã olímpica do judô, recebeu 10.516 votos no Piauí e ficou como suplente.
Mesmo atletas que já ocupavam cargos ou possuíam conquistas de grande repercussão enfrentaram dificuldade. A celebridade pode garantir atenção no início da campanha, mas o voto também depende da avaliação do mandato, da força da chapa e da capacidade de mobilização.
Sistema proporcional impõe outro jogo
Nas eleições para deputado, não basta terminar com uma votação pessoal considerada boa. O desempenho do partido ou da federação influencia diretamente a distribuição das cadeiras.
O ex-nadador Luiz Lima, por exemplo, foi reeleito deputado federal no Rio de Janeiro com 37.711 votos pelo critério de média. Outros candidatos tiveram votações expressivas, mas ficaram sem vaga por causa do desempenho de suas legendas.
A escolha do partido, portanto, funciona como parte da estratégia. Um candidato popular em uma chapa mal posicionada pode ser derrotado, enquanto outro com menos votos nominais pode conquistar mandato favorecido pelo cálculo eleitoral.
Danrlei transforma idolatria em base política
Danrlei foi uma das exceções. Ídolo do Grêmio, o ex-goleiro recebeu 105.079 votos e garantiu mais um mandato de deputado federal pelo Rio Grande do Sul.
A diferença está na continuidade. Danrlei não apareceu apenas durante a eleição. Ele construiu uma carreira política, manteve atuação partidária e desenvolveu uma base que ultrapassa a memória de suas defesas pelo Grêmio.
Luiz Lima também sobreviveu às urnas. Os dois mostram que a passagem pelo esporte pode funcionar como ponto de partida, mas precisa ser acompanhada por organização, atuação territorial e identificação política.
COMO FORAM NAS URNAS
| Candidato | Ligação com o esporte | Votos | Resultado |
|---|---|---|---|
| Danrlei | Ex-goleiro do Grêmio | 105.079 | Eleito deputado federal |
| Luxemburgo | Ex-técnico da Seleção | 67.987 | Não eleito senador |
| Luiz Lima | Ex-nadador olímpico | 37.711 | Eleito deputado federal |
| Edmundo | Ex-atacante | 18.072 | Suplente |
| Maurício Souza | Campeão olímpico de vôlei | 16.122 | Não reeleito |
| Sarah Menezes | Campeã olímpica de judô | 10.516 | Suplente |
| Luís Fabiano | Ex-atacante da Seleção | 9.613 | Não eleito |
| Marcelinho Carioca | Ídolo do Corinthians | 2.494 | Suplente |
| Donizete Pantera | Ex-atacante | 2.433 | Suplente |





































































































































