Portuguesa cuida dos dentes do time enquanto segue de férias
Atletas das categorias de base masculina e feminina passam por acompanhamento odontológico e rastreamento de doenças na Universidade
A iniciativa faz parte do acompanhamento multidisciplinar oferecido aos atletas durante uma fase importante de crescimento e formação.
Campinas, SP, 1 – A preparação de um jogador de futebol começa muito antes de entrar em campo. Na Portuguesa, os cuidados com os atletas das categorias de base incluem também uma área que nem sempre aparece na rotina esportiva: a saúde bucal. Jogadores do masculino e do feminino são acompanhados na clínica da Universidade São Judas, na unidade Mooca, em São Paulo, onde passam por avaliações odontológicas e rastreamento de doenças.
A iniciativa faz parte do acompanhamento multidisciplinar oferecido aos atletas durante uma fase importante de crescimento e formação. Além de identificar precocemente problemas como cárie, gengivite, doença periodontal, alterações na mordida, erosão e desgaste dentário, infecções e traumatismos, o trabalho busca orientar os jovens sobre higiene, alimentação e prevenção.
A preocupação não é apenas com a saúde dos dentes. Problemas bucais podem repercutir em diferentes aspectos da rotina de um atleta, como alimentação, sono, conforto e concentração. Em esportes de contato como o futebol, a prevenção de traumatismos dentários também ganha importância.
“A saúde bucal desempenha um papel fundamental na saúde integral, na qualidade de vida e no desenvolvimento esportivo dos atletas de base, especialmente em uma modalidade de alta exigência física e competitiva como o futebol”, explica Renato Assis Machado, cirurgião-dentista, professor da Universidade São Judas e coordenador do projeto.
Para o especialista, o período de formação esportiva é também uma oportunidade para criar hábitos que podem acompanhar os atletas por toda a vida. “Durante a adolescência, os atletas estão em uma fase importante de crescimento, desenvolvimento e consolidação de hábitos de saúde. Mais do que tratar problemas já instalados, a Odontologia no futebol de base deve priorizar prevenção, diagnóstico precoce, educação e acompanhamento contínuo”, afirma Machado.
A relação entre saúde bucal e prática esportiva já foi investigada em atletas de alto nível. Um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine avaliou 352 atletas de elite e profissionais de 11 modalidades. Quase metade dos participantes apresentava cárie, enquanto 77% tinham sinais de sangramento gengival ou cálculo. A pesquisa também mostrou que 32% dos atletas relataram algum impacto da saúde bucal sobre a prática esportiva. Entre eles, 9% afirmaram ter tido dificuldade para participar normalmente de treinamentos ou competições, 5,8% relataram impacto no desempenho e 3,8% redução do volume de treinamento.
Os pesquisadores ressaltaram a relevância de tratar a saúde bucal como parte do cuidado com atletas. Como se trata de um estudo observacional, os resultados não permitem estabelecer que os problemas odontológicos sejam, isoladamente, responsáveis por uma queda objetiva de desempenho. Ainda assim, os dados mostram que os próprios atletas percebem efeitos relacionados à saúde bucal em sua rotina esportiva.
Na formação das categorias de base, a proposta é justamente agir antes que esses problemas possam se transformar em obstáculos para o atleta. “Cuidar da saúde bucal é também cuidar do atleta, de sua formação e de seu potencial de desenvolvimento dentro e fora do campo. A identificação precoce de alterações e a prevenção de traumas são importantes para reduzir complicações que possam interferir na preparação e na rotina esportiva”, afirma Machado.
Professor de Odontologia da Universidade São Judas, Machado é autor e coautor de mais de 100 artigos científicos e atua também na pesquisa acadêmica. À frente do projeto, ele acompanha a integração da Odontologia à rotina de cuidados dos atletas de base da Portuguesa.
Além do atendimento aos jogadores, o trabalho coloca os estudantes da Universidade em contato com situações práticas da profissão. A experiência permite aproximar o conhecimento adquirido em sala de aula da realidade de uma equipe esportiva, enquanto os atletas têm acesso a acompanhamento odontológico durante sua formação.





































































































































