Crise no Avaí: Diretoria revela bastidores para manter clube
Segundo o diretor de futebol, Pedro Costa, o Leão da Ilha operou ao longo de todo o ano com uma das menores folhas salariais do campeonato
A diretoria do Avaí veio a público em coletiva de imprensa para detalhar o plano de ação e as medidas extremas adotadas ao longo de 2026
Florianópolis, SC, 01 (AFI) – Enfrentando um dos cenários financeiros mais severos de sua história recente, a diretoria do Avaí veio a público em coletiva de imprensa para detalhar o plano de ação e as medidas extremas adotadas ao longo de 2026.
Entre cortes orçamentários acentuados e saídas inevitáveis de atletas, a cúpula azurra enfatizou que o principal objetivo da temporada tem sido a própria sobrevivência e manutenção das operações da instituição.
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O presidente do clube, Bernardo Pessi, relembrou que as limitações orçamentárias já eram evidentes antes mesmo do início das competições, comprometendo a margem de manobra do departamento de futebol.
“A gente inicia o ano com praticamente todas as receitas do clube comprometidas, sem a perspectiva de receber qualquer recurso financeiro. Todas as alternativas e decisões que a gente teve que tomar de dezembro até agora, estão relacionadas a existência da instituição, a permanência da saúde financeira do clube, que tá highly prejudicada”, explicou Pessi.
MONTAGEM DE ELENCO
As restrições de caixa impactaram diretamente a montagem da equipe que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro. Segundo o diretor de futebol, Pedro Costa, o Leão da Ilha operou ao longo de todo o ano com uma das menores folhas salariais do campeonato, sem realizar investimentos financeiros para aquisição ou empréstimo de reforços.
“O Avaí inicia o trio de ataque dele em janeiro e perde em janeiro por questões financeiras. A gente não se desfez do Garcez, Josmar e Talisson. Os três foram por questões financeiras, para a sobrevivência do clube”, ressaltou o diretor.
DESAFIOS NO MERCADO
Pedro Costa detalhou ainda os entraves enfrentados no mercado de transferências, ressaltando o impacto no desempenho esportivo.
“O Avaí pouco conseguiu ser ativo no mercado diretamente. Era muito uma reação em cadeia. Montamos uma equipe jovem desde o início do ano por conta da falta de recurso. O Avaí hoje tem, e teve durante toda a temporada, entre as duas menores folhas da Série B”, apontou.
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“A partir do momento que você precisar reagir no mercado, é diferente porque o principal componente de fazer um bom mercado nós não tínhamos: o recurso. O Avaí não comprou nenhum jogador e não pagou pelo empréstimo de nenhum jogador na temporada de 2026. E o Avaí não conseguiu fazer nenhuma antecipação, uma luva de entrada, um bônus para assinar. O Avaí perdeu três contratações na janela do meio do ano por falta do recurso de imediato. Prejudica muito a nossa atuação”, acrescentou Pedro Costa.
“O ano todo foi de correção de rota e, principalmente, de sobrevivência financeira. Acredito que o Avaí nunca iniciou uma temporada tão desgastado como nós iniciamos. E numa situação que, precisamos ser sinceros, completamente destruída a nível de desportivo. A gente não tinha comissão técnica no início do ano. Primeiro treino do Avaí foi faltando 26 dias para a estreia do estadual e a equipe com média de idade de 19 anos. Não é desculpa para ninguém, mas o contexto precisa ser levado em consideration nesse momento de avaliação”, pontuou o dirigente.
SAÍDAS DE ATIVOS E IMPACTO SOCIAL
Desde o início de 2026, 16 jogadores deixaram o Avaí entre negociações, retornos de empréstimo e rescisões contratuais. O presidente Bernardo Pessi destacou a dor ao negociar pratas da casa e jogadores importantes, mas reiterou o compromisso com o cumprimento das obrigações básicas da instituição e o pagamento de funcionários.
“Não havia interesse em vender o Thayllon, Josmar e Baldini. Essa percepção é difícil de transmitir ao torcedor de que, já em janeiro não havia capacidade financeira. Estamos em outubro e nós conseguimos trazer o clube até aqui, tendo que tomar essas decisões muito difíceis e que causam impacto desportivo”, destacou o mandatário.
“Ao mesmo tempo, em relação ao Thayllon e aos demais garotos, eles gostariam de fazer esse negócio, é uma oportunidade de carreira, de ganhar mais dinheiro, que o Avaí não consegue prover. Ninguém desconhece o fato de que isso teria impacto desportivo. Infelizmente, contra a vontade da instituição, tivemos que fazer isso para que o clube parasse de pé. Já chegou no momento em que todos nós precisamos perceber o cenário em que o Avaí se encontra. Nós não estamos brincando”, alertou Pessi.
“A decisão, apesar de ser doída, ela não está muito à minha disposição. A gente foi obrigado a fazer, porque nós temos famílias aqui dentro passando necessidade, que dependem do pagamento dos salários. As decisões tomadas em torno dessas negociações levam em conta o componente humano, as pessoas, os funcionários, os próprios atletas que ficaram aqui também”, finalizou o presidente.





































































































































