AFA cria restrição para jovens que deixam a Argentina pela “patria potestad”

O termo corresponde, de forma aproximada, à autoridade parental exercida pelos responsáveis sobre menores de idade

No futebol, o mecanismo pode permitir que um jovem deixe o clube formador e se transfira para outro país sem que a equipe argentina tenha concordado com a saída

Argentina
Foto: Reprodução

São Paulo, SP , 30 (AFI) – A Associação de Futebol da Argentina (AFA) adotou uma nova regra que pode influenciar diretamente a formação das próximas gerações da seleção. A entidade decidiu não convocar para as categorias de base jogadores que deixarem clubes argentinos para atuar no exterior por meio da chamada “patria potestad”, antes de assinarem o primeiro contrato profissional.

O termo corresponde, de forma aproximada, à autoridade parental exercida pelos responsáveis sobre menores de idade.

No futebol, o mecanismo pode permitir que um jovem deixe o clube formador e se transfira para outro país sem que a equipe argentina tenha concordado com a saída, desde que sejam cumpridas as exigências previstas nas regras da Fifa para transferências internacionais de menores.

DECISÃO

A decisão da AFA surgiu após casos recentes envolvendo jogadores das categorias de base. Um dos episódios que ganhou maior repercussão foi o de Luca Scarlato, então com 16 anos, que deixou o River Plate antes de assinar seu primeiro vínculo profissional e seguiu para o futebol italiano.

A situação provocou reação do clube e ampliou a discussão sobre a saída de jovens talentos argentinos para a Europa.

Segundo a determinação oficial da entidade, atletas que utilizarem esse mecanismo para deixar seus clubes formadores não poderão ser chamados para as seleções de base. A medida foi aprovada pelo Comitê Executivo da AFA e tem como objetivo proteger os clubes que investem na formação dos jogadores.

REGRA

A regra também ganhou destaque por causa de um nome histórico da seleção argentina: Lionel Messi. Aos 13 anos, o craque deixou o Newell’s Old Boys e se mudou para a Espanha, onde passou a integrar as categorias de base do Barcelona. O contexto da transferência, porém, foi diferente dos casos que motivaram a atual decisão da AFA.

Outros jogadores que passaram por situações relacionadas ao mecanismo também chegaram à seleção principal posteriormente. Matías Soulé, por exemplo, deixou o Vélez e seguiu para a Juventus ainda nas categorias de base. Atualmente, o meia defende a Roma e faz parte do processo de renovação da equipe argentina.

MEDIDA

A medida abriu também uma discussão jurídica no país. Especialistas ouvidos pelo ge apontam que a AFA possui autonomia para estabelecer critérios de convocação, mas questionam quais seriam os limites caso um jogador ou sua família decidam contestar a determinação na Justiça.

A mudança acontece justamente em um período de transição para a Argentina. Com a despedida de Messi da seleção se aproximando, a equipe comandada por Lionel Scaloni começa a ampliar o espaço para novos jogadores.

A restrição imposta pela AFA, portanto, pode ter impacto no caminho de jovens talentos que optarem por deixar o futebol argentino ainda antes de se profissionalizarem.