Júlio Casares processa São Paulo para anular expulsão do clube
Ex-dirigente questiona decisão interna, cita aprovação das contas entre 2021 e 2024 e volta a contestar investigação sobre saques e uso do cartão corporativo
Júlio Casares processa o São Paulo para tentar anular sua expulsão e nega gestão temerária durante o período em que presidiu o clube.
São Paulo, SP, 29 (AFI) – Júlio Casares, ex-presidente do São Paulo, entrou na Justiça contra o clube para tentar anular sua expulsão, definida pelo Conselho Deliberativo no início de setembro. Na ação, o ex-dirigente nega ter cometido gestão temerária e afirma ter sido alvo de uma “trama política”.
Casares também contesta questionamentos relacionados a saques realizados durante sua gestão e ao uso do cartão corporativo. Segundo a petição, parte dos valores retirados das contas do clube teria sido utilizada para o pagamento de premiações por títulos.
CASARES QUESTIONA EXPULSÃO
Na ação, o ex-presidente argumenta que não houve gestão temerária, razão apontada para sua expulsão. Ele também destaca que as prestações de contas referentes ao período de 2021 a 2024 foram aprovadas.
A defesa sustenta ainda que Casares teria agido de “boa-fé” e que decisões técnicas e classificações contábeis caberiam aos departamentos especializados do clube, não exclusivamente ao presidente.
Entre os pedidos apresentados à Justiça estão o reconhecimento da ausência de gestão temerária, a validação da prestação de contas relacionada ao cartão corporativo e a apresentação, pelo São Paulo, de documentos que comprovem eventuais irregularidades e desvios de recursos.
EXPULSÃO TEVE 224 VOTOS
A expulsão de Casares foi aprovada pelo Conselho Deliberativo por 224 votos a favor, dois contra e cinco abstenções.
Antes da decisão, a Comissão de Ética havia recomendado a aprovação da medida. O relatório mencionou cerca de R$ 11 milhões em saques realizados durante a gestão de Casares, além de questionamentos relacionados ao uso do cartão corporativo.
O montante dos saques passou a ser monitorado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e também entrou no radar de uma força-tarefa formada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A investigação ainda está em andamento.
SAQUES E PREMIAÇÕES
De acordo com o material citado no processo, aproximadamente R$ 7 milhões dos R$ 11 milhões sacados não teriam tido destinação comprovada.
Casares contesta a interpretação dos valores e afirma na nova ação que os R$ 11 milhões representam uma “parcela pequena” diante do volume financeiro movimentado pelo São Paulo.
O ex-presidente também voltou a mencionar pagamentos de premiações em dinheiro. A petição cita uma declaração de Rafinha, atual diretor executivo do clube, durante sua apresentação, na qual o dirigente teria afirmado ser “comum” receber premiações em dinheiro vivo.
CARTÃO CORPORATIVO
Outro ponto questionado envolve o cartão corporativo utilizado durante a gestão. Segundo as informações apresentadas no processo, as despesas chegaram a aproximadamente R$ 1 milhão, enquanto R$ 506,4 mil foram reembolsados ao clube.
Casares pede que a Justiça também analise a prestação de contas referente ao cartão e contesta a caracterização das despesas como irregularidades.
EX-PRESIDENTE VOLTA A FALAR EM “TRAMA POLÍTICA”
A alegação de que estaria sendo vítima de uma disputa política não é nova. Durante o processo interno na Comissão de Ética, Casares já havia afirmado que enfrentava um “processo de exceção” e que seu direito de defesa havia sido “cerceado”.
Na ocasião, o ex-presidente alegou que não conseguiu obter documentos necessários para preparar sua defesa e, por isso, não compareceu à reunião da Comissão de Ética destinada à apresentação de seus argumentos.
O relatório final da comissão apresentou outra versão sobre o acesso aos documentos. Segundo o documento, foram fornecidos materiais financeiros, relatórios de auditoria, respostas de Compliance, protocolos relacionados a jogos e shows, além de informações sobre o uso do cartão corporativo e faturas de diferentes exercícios.
O relatório também registrou que a própria defesa posteriormente reconheceu ter recebido documentos solicitados anteriormente, passando então a formular novos pedidos.
CASARES DEIXOU A PRESIDÊNCIA EM 2026
Júlio Casares presidiu o São Paulo de 2021 até janeiro de 2026. Ele deixou o cargo por renúncia, mas já estava afastado após o Conselho Deliberativo aprovar seu impeachment. Uma assembleia de sócios ainda seria necessária para concluir o processo, mas deixou de ser realizada após a renúncia.
Durante sua gestão, o São Paulo conquistou o Paulistão de 2021, a Copa do Brasil de 2023, a Supercopa Rei de 2024 e a Copinha de 2025. O período também teve o vice-campeonato da Copa Sul-Americana de 2022.
Na Justiça, Casares já havia tentado interromper as investigações conduzidas pela força-tarefa do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil, mas não conseguiu suspender o andamento das apurações até o momento.
Procurado, o São Paulo não se manifestou sobre a nova ação judicial.





































































































































