Amistosos contra a Austrália evidenciam problemas na seleção
Veja abaixo as lições que o técnico Carlo Ancelotti pôde tirar dos primeiros jogos do Brasil na Data Fifa
Segundo jogo mostrou um time notavelmente melhor, capaz de fazer prevalecer a sua qualidade diante de um adversário mediano
Campinas, SP, 29 – A seleção brasileira mostrou faces distintas nos dois amistosos contra a Austrália nesta Data Fifa. Se os comandados de Carlo Ancelotti fizeram uma atuação muito ruim na primeira partida, em Townsville, o segundo jogo mostrou um time notavelmente melhor, capaz de fazer prevalecer a sua qualidade diante de um adversário mediano.
Em contrapartida, a vitória por 4 a 2 nesta terça-feira ainda evidenciou problemas que ocorreram no empate por 1 a 1, de sexta. Veja abaixo as lições que Ancelotti pôde tirar dos amistosos contra a Austrália:
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ESQUEMA COM QUATRO ATACANTES EM XEQUE
Para o duelo com a Austrália nesta terça, Ancelotti abandonou o esquema com quatro atacantes (4-2-4) utilizado no empate por 1 a 1 e apostou em um time com o meio-campo mais preenchido (4-3-3).
A formação ajudou a seleção a consertar o buraco deixado no meio-campo, com Bruno Guimarães com maior liberdade para armar jogadas e com Danilo mais solto para pisar na área e não ficar somente preso à marcação. Gabriel Bontempo fez boa estreia atuando no setor, ajudando a pressionar a defesa adversária.
Jogando no 4-2-4, o Brasil ficou “engessado” e com pouca movimentação dos jogadores de meio-campo e ataque. A formação, que foi utilizada por Ancelotti no início do trabalho antes da Copa do Mundo, foi abandonada ao longo do Mundial.
Pode ser o momento para o treinador apostar em um setor central mais forte e deixar os quatro atacantes como uma opção de variação tática para momentos mais específicos do jogo.
ALISSON AINDA É O TITULAR
Pedro Morisco, revelação do Coritiba, será o titular contra a Índia no sábado, mas provavelmente não será exigido diante de um adversário fraco. Nos duelos com a Austrália, Hugo Souza e Otávio foram testados e deixaram a desejar.
Enquanto o arqueiro do Corinthians foi inseguro para sair da meta e ficou parado no gol de falta dos australianos, a joia do Cruzeiro errou saída de bola com os pés, falhou em lance pelo alto e deixou a impressão de que poderia ir melhor no segundo gol do jogo desta sexta. Ambos têm potencial de crescimento, cabe ressaltar.
A comissão técnica de Ancelotti tem a intenção de tê-lo como titular na Copa América de 2028, quando o goleiro do Liverpool terá 35 anos. Não é absurdo pensar no veterano para 2030, quando terá a chance de disputar a sua quarta Copa do Mundo.
DEFESA VAZADA
A seleção levou três gols em dois jogos contra a Austrália. Dois em lances de bola parada – um em cobrança de falta, e o outro, em escanteio -, e um terceiro em uma jogada trabalhada à frente da grande área do Brasil.
Trata-se do quarto jogo consecutivo da seleção sofrendo gols com problemas repetidos. A bola perdida no meio-campo que deu início ao segundo da Austrália nesta terça pode ser comparado com o lance do Japão, que abriu o placar na suada vitória por 2 a 1 do Brasil na segunda fase da Copa.
A liberdade dos australianos para finalizar da entrada da área lembrou a Noruega encontrando espaço na intermediária brasileira.
A bola aérea também é motivo de alerta. A Austrália levou muito perigo em lances de escanteio mesmo sem grandes cabeceadores.
RAPHINHA DE FALSO 9
No primeiro amistoso com a Austrália, uma das decepções foi ver Raphinha batendo cabeça com Vini Jr. na busca por espaços do lado esquerdo e tendo de recuar para ajudar na criação.
O novo camisa 10 da seleção vive grande fase no Barcelona, com 14 gols em oito jogos, jogando centralizado e com liberdade para flutuar pelo campo para receber em condições de finalizar.
Para o segundo duelo com a Austrália, Ancelotti utilizou Raphinha como ele está habituado a jogar na Espanha e viu o jogador emulando a sua melhor versão do Barça, dando opção em ambos os lados do campo, abrindo espaço para os pontas e recebendo bola nas costas da defesa.
Na dificuldade em encontrar um centroavante da seleção, merece ser utilizado mais vezes na função atual.
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CARAS NOVAS VÃO BEM
Um dos principais objetivos da Data Fifa para a comissão técnica de Ancelotti era poder testar uma série de novos jogadores para iniciar uma reformulação na seleção. A boa notícia é que a maioria passou no teste e mostrou-se apta a vestir a camisa do Brasil.
Entre as novidades, destaques para o lateral-esquerdo Mauro Júnior, que atuou de maneira correta; o jovem zagueiro Jair Cunha, que superou o nervosismo do primeiro jogo e mostrou categoria de veterano na segunda partida; e Gabriel Bontempo, que encaixou bem no esquema com o trio de meio-campos.
Vanderson, que apesar da experiência ainda não tinha conseguido atuar com Ancelotti, foi bem na lateral-direita – com direito a gol -, enquanto Matheuzinho, do Corinthians, também fez jogos corretos e pode ser opção nas próximas convocações. Vitor Reis, Breno Bidon, Martinelli e Samuel Lino são outros que merecem aparecer mais.
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