Nova regra deixa nove clubes acima do limite e ameaça estrangeiros na Série A
Nove participantes da Série A estariam acima do limite previsto para 2027
A CBF reduzirá gradualmente de nove para cinco o número de estrangeiros permitidos por jogo até 2030
Campinas, SP, 29 (AFI) – O futebol brasileiro prepara uma redução que atingirá quase metade dos participantes da Série A. A partir de 2027, cada clube poderá relacionar no máximo oito jogadores estrangeiros por partida, um a menos do que o limite atual.
A mudança será gradual. O teto cairá anualmente até chegar a cinco estrangeiros por jogo em 2030. A intenção da CBF é abrir espaço para jogadores brasileiros com até 23 anos.
A regra, porém, não obriga os clubes a dispensar estrangeiros nem impede novas contratações. O limite vale somente para a súmula. Uma equipe poderá manter 12 atletas de fora do país, por exemplo, mas quatro terão de acompanhar cada rodada da arquibancada.
Mesmo assim, a tendência é de redução dos elencos. Manter jogadores caros sem a certeza de utilização representa um problema financeiro e esportivo.
Nove clubes já estourariam o teto
Um levantamento realizado pelo Portal Futebol Interior com os elencos registrados em setembro mostra que nove clubes possuem mais de oito estrangeiros. Vasco e Internacional lideram, com 12 cada.
Botafogo e Athletico-PR aparecem com 11. Flamengo e Grêmio têm dez, enquanto Atlético-MG, Bahia e Fluminense contam com nove.
| Clube | Estrangeiros | Excesso para 2027 |
|---|---|---|
| Vasco | 12 | 4 |
| Internacional | 12 | 4 |
| Botafogo | 11 | 3 |
| Athletico-PR | 11 | 3 |
| Flamengo | 10 | 2 |
| Grêmio | 10 | 2 |
| Atlético-MG | 9 | 1 |
| Bahia | 9 | 1 |
| Fluminense | 9 | 1 |
| Palmeiras | 8 | Dentro do limite |
| Cruzeiro | 8 | Dentro do limite |
| Red Bull Bragantino | 8 | Dentro do limite |
| Corinthians | 7 | Dentro do limite |
| Coritiba | 7 | Dentro do limite |
| São Paulo | 7 | Dentro do limite |
| Remo | 6 | Dentro do limite |
| Santos | 6 | Dentro do limite |
| Vitória | 6 | Dentro do limite |
| Chapecoense | 5 | Dentro do limite |
| Mirassol | 0 | Dentro do limite |
Os números retratam os elencos de setembro e podem mudar com saídas, naturalizações e novas contratações.
Vasco terá a escolha mais difícil
O Vasco reúne Alan Saldivia, Carlos Cuesta, Pumita Rodríguez, Santiago Sosa, Johan Rojas, Alan Lescano, Loide Augusto, Marino Hinestroza, Facundo Colidio, Andrés Gómez, Nuno Moreira e Claudio Spinelli.
Loide Augusto aparece como o caso mais evidente. O angolano está fora dos planos e não treina regularmente com o elenco principal. Sua saída reduziria o grupo para 11.
Claudio Spinelli também corre risco. Contratado até 2028, o atacante perdeu espaço após a chegada de reforços e ficou no fim da fila das opções ofensivas. Mesmo antes da nova regra, já vinha sendo deixado fora das partidas.
Johan Rojas, cujo vínculo termina no fim de 2026, aparece como outro caso a ser analisado. O Vasco precisará definir se vale a pena renovar com um jogador que ocuparia uma das oito vagas.
Isso não significa que os três serão dispensados. São, porém, os nomes atualmente mais expostos por questões contratuais, técnicas ou de utilização.
Inter pode resolver parte do problema naturalmente
O Internacional também soma 12 estrangeiros, mas alguns contratos terminam ao fim desta temporada. Gabriel Mercado e Sergio Rochet estão nessa situação, embora o goleiro possa ter o vínculo renovado automaticamente caso alcance metas.
Mercado, aos 39 anos, ainda avalia a continuidade da carreira. Sua eventual aposentadoria reduziria a pressão sem a necessidade de uma venda.
Rodrigo Villagra está emprestado até dezembro, com obrigação de compra condicionada ao cumprimento de metas. A diretoria deseja mantê-lo, mas a nova regra será mais um elemento da negociação.
O clube também possui Félix Torres, Denis Marfo, Guillermo Maripán, Braian Aguirre, Bernabei, Benjamin Arhin, Niclas Eliasson, Tonny Sanabria e Carbonero. Destes, Carbonero tem contrato até 2029 e é considerado peça importante.
Botafogo contratou antes da redução
O Botafogo chegou a 11 estrangeiros depois de reforçar o elenco com nomes como Hakim Ziyech e Lucas Monzón. Os dois assinaram contratos longos e não aparecem como candidatos naturais a uma saída imediata.
A dificuldade estará na administração das vagas. O grupo também possui Ferraresi, Mateo Ponte, Cristian Medina, Álvaro Montoro, Savarino e jovens estrangeiros contratados como apostas para o futuro.
Como parte desses atletas ainda está em desenvolvimento, o clube poderá optar por empréstimos. A alternativa evitaria a desvalorização de jogadores que teriam poucos minutos.
Athletico já enfrenta o problema
Com 11 estrangeiros, o Athletico-PR já ultrapassa o limite atual de nove relacionados. Na prática, o clube convive nesta temporada com a necessidade de cortar pelo menos dois jogadores a cada partida.
Em 2027, seriam três. Mendoza, Kevin Viveros, Kerwin Vargas, Bruno Zapelli, Juan Portilla e Lucas Esquivel estão entre os nomes mais conhecidos de uma lista marcada pela presença de colombianos e argentinos.
O desempenho na reta final e eventuais propostas do mercado deverão determinar as saídas. A nova regra apenas aumenta a urgência de uma reformulação que já seria necessária.
Flamengo pode apostar em naturalizações
O Flamengo tem dez estrangeiros: Rossi, Varela, Pulgar, Arrascaeta, De la Cruz, Saúl Ñíguez, Gonzalo Plata, Anthony Valencia, Joaquín Freitas e Jorge Carrascal.
A diretoria não pretende simplesmente abrir mão de dois nomes importantes. Uma das alternativas é estimular processos de naturalização. Arrascaeta, Pulgar e Varela já possuem tempo de residência suficiente para avaliar a obtenção da nacionalidade brasileira.
Jogadores nascidos no Brasil, ainda que defendam outra seleção, não entram na conta. Esse é o caso de atletas como Jorginho. Já a naturalização de quem nasceu no exterior pode retirar o jogador da cota após o reconhecimento da nacionalidade brasileira.
No elenco atual, os jovens Joaquín Freitas e Anthony Valencia seriam os candidatos mais simples de deixar fora de determinadas partidas. Uma venda de De la Cruz ou Saúl Ñíguez também reduziria o grupo, mas dependeria do mercado e do planejamento esportivo.
Grêmio pode perder atacantes
O Grêmio possui dez estrangeiros e terá de cortar dois da relação caso mantenha o grupo atual. Cristian Pavón está em fim de contrato e surge como o nome mais vulnerável.
Martin Braithwaite tem vínculo até dezembro de 2027, mas estará com 36 anos na próxima temporada. A idade, o salário e a concorrência ofensiva poderão pesar na decisão.
O restante da lista inclui Balbuena, Erick Noriega, Juan Nardoni, Krovinovic, Villasanti, Amuzu, Jovane Cabral e José Enamorado. Villasanti é um dos jogadores que já poderiam buscar naturalização.
Atlético, Bahia e Fluminense precisam de apenas um corte
Os três clubes possuem nove estrangeiros e começariam 2027 com apenas uma vaga excedente.
No Atlético-MG, a análise passará por nomes como Alan Franco, Tomás Pérez, Kevin Castaño, Mateo Cassierra, Tomás Cuello e Thiago Borbas. O clube poderá resolver a situação com uma venda, empréstimo ou simplesmente deixando um atleta fora da relação.
O Bahia foi um dos dois clubes que votaram contra a mudança, ao lado do Flamengo. O elenco tem nove estrangeiros e faz parte de um projeto conectado ao Grupo City, que utiliza o mercado internacional como um de seus pilares.
No Fluminense, Germán Cano estará com 39 anos em 2027, mas seu peso esportivo e histórico tornam qualquer saída delicada. Soteldo, Canobbio, Savarino, Kevin Serna, Lucho Acosta e Rodrigo Castillo aumentam a concorrência principalmente no setor ofensivo.
Redução chegará a cinco
O corte para oito jogadores é apenas a primeira etapa. Até 2030, o limite cairá para cinco estrangeiros por partida. Se os elencos permanecessem como estão, praticamente todos os grandes clubes seriam obrigados a promover mudanças profundas.
A CBF sustenta que a medida ajudará jogadores brasileiros sub-23, cuja participação caiu para aproximadamente 11,5% dos minutos disputados. Os críticos argumentam que limitar estrangeiros pode encarecer atletas brasileiros e reduzir a competitividade dos clubes nas competições continentais.
Em 2026, a Série A alcançou a marca recorde de 161 estrangeiros, cerca de 25% dos jogadores. A Argentina lidera, com 49, seguida por Uruguai, com 31, e Colômbia, com 30.





































































































































