De Romário a Jardel: os craques que trocaram os gramados pelas urnas e venceram
Campeões mundiais, ídolos históricos e artilheiros transformaram a popularidade do futebol em mandatos
Romário protagonizou a trajetória mais bem-sucedida ao saltar da Câmara para o Senado.
Campinas, SP, 29 (AFI) – Antes de Edmundo, Luís Fabiano, Vanderlei Luxemburgo e outros personagens do futebol colocarem seus nomes à prova nas eleições de 2026, diferentes ídolos já descobriram o peso — e também os limites — da popularidade conquistada nos estádios.
Romário representa o caso mais bem-sucedido. O herói do tetracampeonato não apenas venceu eleições: construiu uma carreira política nacional, passando pela Câmara dos Deputados e chegando ao Senado.
Outros nomes tiveram trajetórias longas em assembleias estaduais e na Câmara. Também houve quem conquistasse uma vaga impulsionado pela fama, mas perdesse o mandato antes do fim.
Romário: da Copa ao Senado
Romário estreou nas urnas em 2010 e foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro. Quatro anos depois, deu o maior salto político já registrado por um ex-jogador brasileiro.
Em 2014, recebeu aproximadamente 4,68 milhões de votos e foi eleito senador com 63,4% dos votos válidos. Na época, alcançou a maior votação da história para o cargo no estado.
Depois de tentar, sem sucesso, o Governo do Rio em 2018, Romário retornou às urnas em 2022 e foi reeleito senador com 2.384.331 votos. Seu mandato vai até fevereiro de 2031.
Na política, vinculou parte de sua atuação à defesa das pessoas com deficiência e ao esporte. Também presidiu a Comissão de Esporte do Senado e foi relator da CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas.
Bebeto: três mandatos no Rio
Companheiro de Romário no ataque campeão mundial de 1994, Bebeto foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro em 2010.
O ex-atacante conquistou a reeleição em 2014, com 61.079 votos, e voltou a vencer em 2018. Com isso, permaneceu por três mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa.
Em 2022, tentou subir para a Câmara dos Deputados, mas não obteve votos suficientes para assumir uma cadeira diretamente.
Danrlei virou veterano em Brasília
Ídolo do Grêmio e campeão da Libertadores de 1995, Danrlei foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Sul pela primeira vez em 2010.
O ex-goleiro conseguiu sucessivas reeleições e chegou ao quarto mandato consecutivo. Também ocupou o cargo de secretário estadual de Esporte e Lazer no governo gaúcho.
Sua trajetória é uma das mais consistentes entre ex-jogadores. Danrlei conseguiu preservar a identificação com o Grêmio e transformá-la em uma base eleitoral duradoura.
Roberto Dinamite venceu cinco vezes
Maior ídolo da história do Vasco, Roberto Dinamite iniciou a carreira política como vereador do Rio de Janeiro, eleito em 1992 com 34.893 votos.
Dois anos depois, conquistou uma cadeira de deputado estadual. Foi reeleito em 1998, 2002, 2006 e 2010, completando cinco mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa.
Em 2014, já desgastado pela passagem na presidência do Vasco, tentou mais uma reeleição, mas recebeu apenas 9.452 votos e ficou sem a vaga.
João Leite fez carreira em Minas
Ex-goleiro e ídolo do Atlético-MG, João Leite tornou-se um dos ex-jogadores mais longevos da política mineira.
Ele foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 1994 e acumulou sucessivos mandatos na Assembleia Legislativa. Em 2016, chegou ao segundo turno da eleição para a Prefeitura de Belo Horizonte, mas foi derrotado por Alexandre Kalil.
João Leite também exerceu funções administrativas ligadas ao esporte e consolidou sua carreira política para além da imagem construída no Atlético.
Deley chegou à Câmara quatro vezes
Ídolo do Fluminense nas décadas de 1970 e 1980, Deley de Oliveira foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro em 2002.
O ex-volante conquistou outras três eleições consecutivas e permaneceu na Câmara durante quatro mandatos. Sua atuação política esteve frequentemente relacionada ao esporte e às condições de trabalho dos atletas.
Reinaldo venceu em Minas
Um dos maiores jogadores da história do Atlético-MG, Reinaldo também conquistou mandatos depois de encerrar a carreira.
O ex-atacante foi eleito deputado estadual em Minas Gerais e, posteriormente, vereador de Belo Horizonte. Sua trajetória política, entretanto, não alcançou a mesma longevidade de João Leite.
Túlio venceu enquanto ainda jogava
Túlio Maravilha foi eleito vereador em Goiânia em 2008, período em que ainda atuava profissionalmente e perseguia a marca pessoal de mil gols.
O mandato, contudo, durou pouco. O atacante renunciou ao cargo e tentou posteriormente uma vaga de deputado estadual, sem sucesso.
Ademir da Guia chegou à Câmara paulistana
Maior ídolo da história do Palmeiras, Ademir da Guia foi eleito vereador de São Paulo em 2004.
O Divino recebeu mais de 27 mil votos e exerceu um mandato. Tentativas posteriores de retornar à Câmara não tiveram o mesmo resultado.
Marques virou deputado em Minas
Marques, ídolo do Atlético-MG, foi eleito deputado estadual em 2010 com mais de 150 mil votos.
O resultado colocou o ex-atacante entre os candidatos ligados ao futebol mais votados daquela eleição. Depois de um mandato, ele não conseguiu manter a mesma força eleitoral.
Bobô saiu da Bahia para a Assembleia
Campeão brasileiro pelo Bahia em 1988, Bobô foi eleito deputado estadual em 2014.
Depois, passou a ocupar funções ligadas à administração esportiva no estado. Sua eleição reforçou um padrão recorrente: a identificação profunda com um clube local costuma ser decisiva para transformar torcida em voto.
Jardel: eleição terminou em cassação
Jardel foi eleito deputado estadual no Rio Grande do Sul em 2014, com 41.227 votos. O ex-atacante havia construído uma relação forte com o eleitorado gaúcho por sua passagem vitoriosa pelo Grêmio.
A experiência política terminou de forma traumática. Acusado de irregularidades no gabinete, incluindo desvio de recursos e contratação de funcionários fantasmas, Jardel teve o mandato cassado por unanimidade em 2016.
O caso tornou-se o maior exemplo de que a popularidade esportiva pode garantir uma cadeira, mas não sustenta um mandato sem preparação e responsabilidade.
CRAQUES QUE VENCERAM NAS URNAS
| Nome | Principal identificação | Cargos conquistados |
|---|---|---|
| Romário | Seleção e Vasco | Deputado federal e senador |
| Bebeto | Seleção, Flamengo e Vasco | Deputado estadual |
| Danrlei | Grêmio | Deputado federal |
| Roberto Dinamite | Vasco | Vereador e deputado estadual |
| João Leite | Atlético-MG | Deputado estadual |
| Deley | Fluminense | Deputado federal |
| Reinaldo | Atlético-MG | Deputado estadual e vereador |
| Túlio Maravilha | Botafogo e Goiás | Vereador |
| Ademir da Guia | Palmeiras | Vereador |
| Marques | Atlético-MG | Deputado estadual |
| Bobô | Bahia | Deputado estadual |
| Jardel | Grêmio | Deputado estadual |
E os treinadores?
Entre os técnicos de grande projeção nacional, o sucesso eleitoral é muito mais raro. Vanderlei Luxemburgo, um dos treinadores mais vitoriosos do país, participa agora de uma eleição, mas ainda não possui mandato conquistado pelo voto.
Pelé chegou a ser ministro do Esporte durante o governo Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 1998, mas não foi eleito. O cargo foi ocupado por nomeação.
Zico também exerceu uma função equivalente à de ministro no governo Fernando Collor, como secretário nacional de Esportes. Assim como Pelé, não precisou disputar uma eleição.
Para os candidatos de 2026, a história deixa um aviso: fama ajuda a aparecer na urna, mas não garante voto — e muito menos uma carreira política consistente.





































































































































