Bilionário ou aventureiro? Conheça o empresário que quer assumir o Guarani

Dono de um dos maiores grupos relojoeiros da América Latina, Roberto Graziano mantém uma relação antiga e turbulenta com o Bugre

Roberto Graziano não apareceu agora na vida do Guarani. Empresário acompanha o clube há três décadas

roberto graziano
Roberto Graziano

Campinas, SP, 29 (AFI) – O homem disposto a assumir o controle do futebol do Guarani está longe de ser um desconhecido em Campinas. Dono do Grupo Magnum, Roberto Graziano mantém uma relação de aproximadamente três décadas com o clube e já esteve envolvido em investimentos, disputas judiciais e projetos que prometiam transformar o Bugre.

Agora, Graziano apresenta a proposta mais ousada de todas: controlar 90% de uma futura SAF e investir até R$ 1,075 bilhão no clube. O Guarani permaneceria com os outros 10%, mas entregaria ao grupo do empresário o comando das principais decisões relacionadas ao futebol.

Quem é Roberto Graziano?

Graziano construiu sua trajetória empresarial no Polo Industrial de Manaus. O Grupo Magnum tornou-se um dos principais fabricantes e distribuidores de relógios do país, com presença em milhares de pontos de venda e capacidade industrial de milhões de unidades por ano.

O tamanho da operação ajuda a explicar por que parte da torcida se refere ao empresário como bilionário. Entretanto, não existem informações públicas suficientes sobre seu patrimônio pessoal que permitam cravar essa classificação. Graziano comanda um grupo de grande porte, mas não aparece em rankings conhecidos de bilionários.

Também seria impreciso tratá-lo como um aventureiro desconhecido. Sua ligação com o Guarani começou ainda na década de 1990 e ganhou força a partir de 2014, quando a Magnum entrou diretamente nas discussões sobre o Brinco de Ouro.

Uma relação marcada por dinheiro e conflitos

A Magnum participou do processo de aquisição do estádio em um leilão judicial e esteve envolvida em um acordo que previa valores, investimentos e contrapartidas para o Guarani. Entre as promessas discutidas estavam uma nova arena, um centro de treinamento e instalações para o clube social.

O relacionamento, porém, acumulou divergências sobre obrigações, prazos e condições contratuais. O estádio permaneceu no centro de uma batalha jurídica e política que atravessou diferentes administrações.

Graziano também colocou dinheiro diretamente no futebol. Durante a campanha do acesso na Série C de 2016, por exemplo, a participação do empresário foi tratada internamente como importante para sustentar o projeto esportivo.

Dois anos depois, ele voltou à carga com um plano de cogestão. A proposta previa um aporte de aproximadamente R$ 20 milhões e a participação de empresas na administração do departamento de futebol. O modelo não avançou como planejado.

O que está em jogo agora?

A proposta atual é muito maior. O contrato entregue ao Guarani tem 83 páginas e prevê até R$ 1,075 bilhão em diferentes frentes:

  • R$ 400 milhões para futebol, categorias de base e estrutura do clube;
  • R$ 300 milhões para a construção de um novo estádio;
  • R$ 25 milhões para um novo centro de treinamento;
  • Até R$ 350 milhões destinados à recuperação judicial e ao passivo.

O projeto também envolve a exploração imobiliária da área do Brinco de Ouro, onde existe a previsão de construção de aproximadamente 1.200 apartamentos. O novo estádio seria entregue em um prazo estimado de dois a três anos após a aprovação e a conclusão das etapas necessárias.

Apesar dos valores impressionantes, conselheiros cobraram explicações sobre garantias, cronograma dos aportes, proteção do patrimônio e consequências de um eventual descumprimento. Uma das discussões envolve justamente quais mecanismos o Guarani teria para recuperar o controle ou ser indenizado caso o investidor não execute o prometido.

A decisão que pode mudar o clube

A votação definitiva está marcada para sexta-feira, 2 de outubro. O processo será híbrido, com participação presencial e remota dos conselheiros.

Não se trata apenas de autorizar a criação de uma empresa. Na prática, o Guarani decidirá se aceita entregar 90% do futebol ao grupo de Roberto Graziano e embarcar em um projeto que mistura investimentos esportivos, pagamento de dívidas, construção de estádio e exploração imobiliária.

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