'Dinheiro da Fifa é seu dinheiro', diz Gianni Infantino
O dirigente da Fifa prometeu acatar uma sugestão das três confederações e distribuir parte das reservas da entidade mundial.
'Dinheiro da Fifa é seu dinheiro', diz Infantino que irá distribuir parte de reservas a confederações para se manter na presidência.
São Paulo, SP, 28 – Gianni Infantino parece ter selado a paz com Uefa, Concacaf e AFC, que vinham marcando posição contrária à reeleição do presidente da Fifa. O dirigente prometeu acatar uma sugestão das três confederações e distribuir parte das reservas da entidade mundial.
Em carta endereçada aos presidentes das seis entidades continentais, à qual o Estadão teve acesso, Infantino foi direto ao recuperar uma frase dita por ele mesmo em 2016, quando tomou posse:
“Dinheiro da Fifa é seu dinheiro. Dinheiro das associações-membro”.
“Os números e mecanismos agora propostos são novos. O princípio não é”, completou.
FIFA NÃO DEFINE VALORES
O texto não indica quanto da reserva será utilizado. A Fifa prevê terminar o ciclo de 2023-26 com US$ 6 bilhões (R$ 30,9 bilhões).
Um e-mail assinado por Aleksander Ceferin (Uefa) e Victor Montagliani (Concacaf) e posteriormente endossado por Salman bin Ibrahim Al Khalifa (AFC) sugeria US$ 10 milhões (R$ 51,5 milhões) para cada associação filiada à entidade.
A proposta foi enviada à Infantino há pouco mais de uma semana, como contraponto ao plano de venda de 20% das ações da subsidiária por quase R$ 20 bilhões.
O argumento é de que isso não seria preciso, já que a reserva de US$ 6 bilhões seria “consideravelmente superior ao necessário para manter a Fifa durante os anos de déficit que se seguem a uma Copa do Mundo”, segundo os três presidentes continentais, que escreveram nas condições de vices da Fifa.
FIFA VAI REVER PLANO DE VENDA
Na réplica, Infantino coloca essa distribuição como uma ideia complementar à exploração comercial e ao investimento privado. A Fifa ainda pretende apresentar uma revisão do plano na reunião do Conselho, em 15 de outubro.
“A proposta comercial recente, que agora foi retirada, pretendia permitir que a Fifa investisse mais no futebol – não substituir o apoio que poderia ser fornecido de forma responsável a partir dos recursos existentes. Portanto, na verdade, teria sido uma adição”, argumenta o presidente.
O secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, irá agora consolidar todas as propostas em uma avaliação integrada para consideração pelo Conselho no dia 15.
Foi pedido que modelos financeiros, suposições e informações de apoio sejam encaminhados a Grafstrom. Infantino já havia demonstrado abertura a novas ideias em comunicado enviado às associações na última semana.
MÉTODO DA DISTRIBUIÇÃO
A partir desta análise unificada, o Conselho deve estabelecer o método para a distribuição desses repasses de reservas da Fifa. Serão considerados:
- o valor, o momento e o objetivo desses repasses;
- o nível de reserva que a entidade deve manter para garantir “força financeira e independência”;
- os critérios de elegibilidade, implementação, reporte e auditoria necessários para garantir benefícios sustentáveis e duradouros para o futebol.
“Eu não vou prejulgar o valor. Apoiarei o maior nível de financiamento adicional que possa ser entregue de forma responsável por meio do processo de governança adequado da Fifa, aplicado de maneira justa e apoiado por arranjos transparentes e auditáveis”, garantiu Infantino.
RELAÇÃO COM APOIO POLÍTICO
No texto assinado por Ceferin e Montagliani, havia uma insinuação de que o recebimento de verba pelo programa Fifa Forward estaria relacionado a apoio político.
“Liberar parte dessas reservas demonstraria que as associações não deveriam ter de escolher entre desenvolvimento e boa governança; entre investimento e integridade; ou entre apoio financeiro e a capacidade de considerar propostas pelos seus méritos”, diziam.
Na resposta, Infantino apaziguou.
“Confiança não é a ausência de desentendimento. Ela é demonstrada quando nos envolvemos diretamente, testamos propostas contra os fatos e respeitamos decisões devidamente alcançadas por meio dos processos democráticos e institucionais da Fifa – mesmo quando o resultado difere daquele que preferíamos”, escreveu.
CONSELHO TEM 37 INTEGRANTES
O Conselho da Fifa, que se reúne daqui a duas semanas, é composto por 37 integrantes, incluindo Infantino, oito vice-presidentes e 28 membros eleitos pelas associações.
Apesar de todo desgaste causado a partir da apresentação do plano para investimento privado, Infantino tem recuperado apoio e projeções já consideram que ele tem força para se reeleger. As candidaturas serão inscritas até 28 de novembro. O pleito será em 28 de março, em Rabat, no Marrocos.
Leonardo Catto
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