Após polêmica do pão, torcida faz vaquinha para socorrer funcionários da Ponte Preta

Torcedores da Ponte Preta organizaram uma campanha para arrecadar alimentos e ajudar funcionários do clube após a repercussão do aviso que restringia o consumo de pães

Mobilização nasceu depois que um aviso limitando o consumo no refeitório viralizou e expôs mais um capítulo da grave crise financeira

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Marcos Ribolli / PontePress

Campinas, SP, 28 (AFI) – A crise financeira da Ponte Preta provocou uma nova mobilização fora de campo. Depois que uma placa limitando o consumo a um pão por funcionário viralizou nas redes sociais, torcedores iniciaram uma vaquinha para arrecadar recursos e alimentos destinados aos trabalhadores do clube.

O movimento surgiu como uma resposta à situação exposta no refeitório do Estádio Moisés Lucarelli. A imagem do aviso ganhou repercussão nacional e aumentou as cobranças contra a diretoria, principalmente porque o clube enfrenta atrasos salariais e acumula uma dívida milionária.

A orientação havia sido afixada na área de alimentação e determinava que cada funcionário consumisse apenas uma unidade. Com a repercussão, a Ponte afirmou que a restrição foi adotada em um dia e horário específicos por questões de logística e não representa o funcionamento habitual do refeitório.

Clube reage e anuncia quatro mil pães

Em nota, a diretoria informou que mantém uma parceria com as empresas Um Bocado e Ice Pão. Segundo o clube, aproximadamente 4 mil pães são produzidos mensalmente para atender funcionários e atletas das categorias sub-15, sub-17, sub-20 e do elenco profissional.

A Ponte também declarou que sua cozinha prepara mais de 3 mil refeições por semana e oferece café da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia. Parte dos produtos utilizados seria fornecida por patrocinadores e parceiros institucionais.

A explicação, entretanto, não encerrou a mobilização da torcida. O episódio foi interpretado como mais um sinal do abandono enfrentado pelos trabalhadores. A direção reconheceu que existem salários atrasados e prometeu regularizar as obrigações nos próximos dias.

Na tentativa de amenizar a situação, os funcionários do estádio, do centro de treinamento e do Jardim das Paineiras receberam duas cestas básicas em setembro. A iniciativa, porém, não substitui os vencimentos que ainda precisam ser pagos.

O caso ganhou peso porque uma padaria localizada nas proximidades do Moisés Lucarelli cobra judicialmente R$ 53.280,14 da Ponte por alimentos fornecidos e não pagos desde maio de 2025. O último balanço financeiro divulgado pelo clube apontou déficit superior a R$ 33,5 milhões somente naquele exercício.

A vaquinha organizada por torcedores reforça uma situação que se tornou frequente na história recente da Ponte: enquanto a instituição enfrenta dificuldades para cumprir compromissos básicos, a arquibancada tenta impedir que jogadores e funcionários arquem sozinhos com as consequências da crise.