Técnico emprestado, 21 contratos no fim e SAF adiada deixam Guarani sem comando para 2027

Louzer foi cedido ao Criciúma, quase dois times podem deixar o clube e decisões do futebol dependem de votação marcada para outubro

Sem calendário profissional até o próximo ano, Bugre espalhou jogadores por empréstimo

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Guarani

Linha fina: Louzer foi cedido ao Criciúma, quase dois times podem deixar o clube e decisões do futebol dependem de votação marcada para outubro

Resumo: Sem calendário profissional até o próximo ano, Bugre espalhou jogadores por empréstimo e ainda não definiu quem comandará a montagem do elenco para o Paulistão.

O Guarani encerrou a temporada de 2026, emprestou jogadores, cedeu até o próprio treinador e chega aos últimos meses do ano sem saber quem conduzirá a preparação para 2027.

A indefinição passa diretamente pela proposta de SAF apresentada pelo empresário Roberto Graziano. A votação, anteriormente marcada para esta sexta-feira (25), foi novamente adiada e agora está prevista para 2 de outubro.

Enquanto o futuro administrativo não é decidido, 21 jogadores têm contratos terminando, o departamento de futebol permanece cercado por dúvidas e Umberto Louzer foi liberado para comandar o Criciúma na reta final da Série B.

O resultado é um vazio perigoso em um momento que deveria ser utilizado para iniciar a reconstrução do elenco.

Guarani emprestou até o treinador

Sem partidas oficiais depois da eliminação na Série C, o Guarani chegou a um acordo para ceder Umberto Louzer ao Criciúma até o encerramento da Série B.

O treinador continua vinculado ao Bugre e deve retornar em novembro para preparar a equipe que disputará o Campeonato Paulista de 2027. O acordo permite ao clube reduzir despesas durante o período sem calendário profissional.

A solução financeira, entretanto, cria um problema esportivo. Louzer estará envolvido na luta do Criciúma enquanto o Guarani precisa avaliar atletas, indicar reforços e definir quem fará parte do próximo elenco.

Embora esteja nos planos da atual diretoria, sua permanência também estará sujeita às decisões tomadas após a possível aprovação da SAF.

Quase dois times podem deixar o Brinco

O Guarani possui 21 jogadores com contratos previstos para terminar até dezembro. O número é suficiente para formar quase duas equipes completas.

Estão nessa situação:

Goleiros: Andrey e Mateus Claus;

Laterais: Dudu, Renan Castro, Rian e Ynaiã;

Zagueiros: Maurício Antônio, Rafael Donato, Raphael Rodrigues e Lucas Rafael;

Volantes: Igor Pereira, Willian Farias e Carlos Eduardo;

Meias: Diego Torres, Isaque e João Paulo;

Atacantes: Kauã Jesus, Lucca, Matheus Guilherme, Neto Costa e Samuel.

Parte desses jogadores pertence a outros clubes e está no Brinco de Ouro por empréstimo. Outros poderão negociar gratuitamente com novas equipes caso não recebam propostas de renovação.

A diretoria iniciou movimentos pontuais, como a renovação de Dudu até o fim do Paulistão. Mesmo assim, a maior parte das decisões continua condicionada à definição de quem controlará o futebol.

Elenco foi espalhado pelo Brasil

Para aliviar a folha salarial e oferecer calendário aos atletas, o Guarani distribuiu parte do elenco entre clubes de diferentes divisões.

Dudu foi emprestado à Chapecoense; Caíque França, ao Ceará; Jonathan Costa, ao Vila Nova; Luís Otávio, ao Joinville; Maranhão, à Ferroviária; e Guilherme Cachoeira, ao Londrina.

O lateral Emerson Barbosa foi negociado com o CSKA 1948, da Bulgária, enquanto o atacante Hebert rescindiu para defender o Londrina.

A estratégia reduz os gastos imediatos, mas deixa o futuro ainda mais complexo. O clube terá de decidir quem retorna, quem será negociado, quem renovará e quais posições precisarão de contratações.

Proposta bilionária mantém futebol em espera

A oferta de Roberto Graziano prevê investimento total de R$ 1,075 bilhão. O grupo ficaria com 90% da SAF, enquanto o Guarani permaneceria com 10%.

O plano inclui:

  • R$ 400 milhões para a operação da SAF e do clube social;
  • Até R$ 350 milhões para o passivo da recuperação judicial;
  • R$ 300 milhões para a construção de um novo estádio;
  • R$ 25 milhões destinados a um novo centro de treinamento.

A dimensão da proposta explica a cautela, mas também aumenta a pressão. O contrato possui 83 páginas e uma nova versão exigiu mais tempo de análise, levando os associados a aprovarem outro adiamento.

As reuniões de discussão ficaram para os dias 28 e 30 de setembro. A votação final será realizada em 2 de outubro, de maneira híbrida.

Quem planeja o Guarani?

Essa é a pergunta que permanece sem uma resposta clara.

Louzer está temporariamente no Criciúma. O futuro do executivo de futebol Carlos Frontini não foi definido publicamente. A SAF ainda precisa ser votada. Os contratos de 21 jogadores se aproximam do fim.

O Guarani até pode aproveitar o período sem jogos para cortar despesas. O risco é perder um tempo precioso e começar a preparação para 2027 novamente atrasado.

Caso a SAF seja aprovada, o novo grupo terá pouco mais de três meses para estruturar o futebol antes do Campeonato Paulista. Se for rejeitada, a atual administração precisará retomar imediatamente um planejamento que permaneceu congelado à espera da decisão.

Em qualquer cenário, o Bugre chegará a outubro com dinheiro prometido, jogadores espalhados, técnico emprestado e quase dois times próximos do fim do contrato.

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