Quem está bancando a Ponte Preta? Acordo paga dívidas e amplia influência de grupo do RJ

Investidores ligados à SAF do Boavista ajudaram a desembolsar cerca de R$ 2,2 milhões, derrubaram punições e enviaram cinco jogadores para a Macaca

A Ponte estava proibida de registrar jogadores por causa de três punições

Ponte Preta ganha respiro financeiro
Ponte Preta passa por momento delicado - Foto: Marcos Ribolli-PontePress

Campinas, SP, 25 (AFI) – Afundada em uma das maiores crises de sua história, a Ponte Preta encontrou no Rio de Janeiro o dinheiro necessário para derrubar três transfer bans, voltar ao mercado e reforçar um elenco desmontado pelos atrasos salariais.

A operação custou aproximadamente R$ 2,2 milhões e contou com a participação de investidores ligados à SAF do Boavista. Em troca, cinco jogadores do clube fluminense foram emprestados à Macaca para a reta final da Série B.

A parceria resolveu um problema urgente, mas abriu uma pergunta importante nos bastidores do Moisés Lucarelli: afinal, quem está bancando a Ponte e até onde pode chegar a influência desse grupo?

R$ 2,2 milhões para liberar a Ponte

A Ponte estava proibida de registrar jogadores por causa de três punições: duas impostas pela Fifa e uma determinada pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas.

Entre as pendências estavam uma dívida com o zagueiro boliviano Luis Haquin e outra com o Iguazú Nippon, do Paraguai, relacionada ao mecanismo de solidariedade pela formação de atletas.

Sem dinheiro em caixa para resolver as cobranças, o clube contou com o apoio de parceiros e investidores da SAF do Boavista. O pagamento permitiu a retirada das punições antes do fechamento da janela de transferências.

Os clubes não divulgaram oficialmente como o dinheiro foi repassado, se o valor será devolvido pela Ponte ou quais garantias foram oferecidas na negociação.

Também não foi informado se o acordo estabelece preferência sobre jogadores, participação em futuras negociações ou qualquer possibilidade de envolvimento do grupo em um projeto de SAF da Macaca.

Cinco jogadores chegam do Boavista

Depois da queda das restrições, a Ponte registrou cinco atletas pertencentes ao Boavista: o zagueiro Gabriel Caran, o lateral Di Mauro, o volante Karl e os meias Dênis Borges e Manu Ferreira.

O lateral Jota, ex-Portuguesa Santista, também foi regularizado. Ele havia acertado com a Macaca anteriormente, mas não podia ser inscrito por causa dos bloqueios.

Inicialmente, até dez jogadores do Boavista foram analisados. A Ponte, porém, tinha limitações na lista da Série B e reduziu o número de reforços recebidos.

Para o clube do RJ, a operação oferece uma vitrine mais importante aos atletas. O Boavista terminou sua participação nas competições nacionais, enquanto a Ponte ainda tem jogos pela segunda divisão.

Já a Macaca conseguiu recompor parcialmente um elenco que perdeu 19 jogadores ao longo da Série B em meio aos atrasos de salários e direitos de imagem.

Investidor da SAF vive na região de Campinas

A aproximação envolve nomes importantes da administração do Boavista. Um deles é Marcelo Pedroza, sócio da empresa Arte da Bola, responsável pela compra de 80% das ações da SAF do clube fluminense em 2024.

Pedroza mantém residência em Paulínia, cidade localizada na Região Metropolitana de Campinas. A iniciativa de ajudar a Ponte teria partido dos próprios investidores da SAF.

O técnico Gilson Kleina também participou das conversas. Antes de assumir a Macaca, ele trabalhou no Boavista e ajudou a intermediar o contato entre os clubes.

A relação, portanto, vai além de um empréstimo isolado. O grupo ajudou a pagar dívidas que bloqueavam a Ponte, participou da reconstrução emergencial do elenco e passou a ter cinco ativos expostos na vitrine da Série B.

Isso não significa, porém, que exista uma negociação formal para a compra da SAF da Ponte. Até o momento, não foi divulgado qualquer documento que estabeleça a entrada do grupo no controle do futebol alvinegro.

O que cada lado ganha

Ponte Preta

  • Aproximadamente R$ 2,2 milhões para solucionar três transfer bans;
  • Liberação para registrar novos jogadores;
  • Cinco atletas cedidos pelo Boavista;
  • Reposição parcial de um elenco que sofreu 19 baixas;
  • Condições mínimas para terminar a Série B.

Boavista e investidores

  • Exposição dos atletas em uma competição nacional;
  • Possibilidade de valorização dos jogadores emprestados;
  • Aproximação com um clube tradicional e de grande torcida;
  • Entrada nos bastidores do futebol de Campinas;
  • Participação em uma operação decisiva para o futuro imediato da Ponte.

Parceria cresce em meio ao impasse da SAF

A aproximação acontece justamente quando a Ponte não consegue avançar em seu próprio projeto de transformação em Sociedade Anônima do Futebol.

Uma proposta anterior previa investimentos que poderiam chegar a R$ 1 bilhão, mas a votação terminou cercada por disputas políticas e questionamentos judiciais. O clube continua com uma dívida estimada em centenas de milhões de reais e precisa encontrar uma solução permanente para sobreviver.

O socorro do grupo do RJ não resolve esse rombo. Entretanto, dá aos investidores uma posição privilegiada: eles entraram quando a Ponte precisava desesperadamente de dinheiro, resolveram um bloqueio milionário e ajudaram o clube a voltar ao mercado.

Enquanto os termos completos permanecerem sob sigilo, a influência real do grupo continuará sendo a principal dúvida de uma parceria que começou como ajuda emergencial, mas já passou a ocupar um espaço importante no futuro da Macaca.

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