"Jogo da Amizade Eterna” será neste sábado (26)

Partida celebra a memória das 71 vítimas do fatídico acidente com o avião da Chapecoense, além do laço de amizade que se firmou entre os brasileiros e colombianos.

A partida acontecerá no estádio Atanasio Girardot, em Medellín, na Colômbia, que receberia o primeiro jogo da final da Sul-Americana de 2016.

9CN6XSPa image
Jogo da amizade (Foto: site CBF)

Campinas, SP, 24 – Neste sábado (26), a CBF TV fará uma transmissão histórica: o jogo da Amizade Eterna, entre Atlético Nacional e Chapecoense, que marca os dez anos da tragédia que vitimou o time catarinense e marcou o futebol brasileiro e mundial. A partida acontecerá no estádio Atanasio Girardot, em Medellín, na Colômbia, que receberia o primeiro jogo da final da Sul-Americana de 2016. O jogo acontecerá às 17h30 (horário de Brasília).

O futebol brasileiro parou ao receber a fatídica notícia do acidente com o avião que levaria a Chapecoense para a final da Copa Sul-Americana de 2016. Para celebrar a memória das vítimas e o laço que se firmou entre Chapecoense e Atlético Nacional, a CBF TV transmite, dez anos depois, o jogo da Amizade Eterna.

“Há jogos que vão muito além do resultado, e este é um deles. Dez anos depois, Chapecoense e Atlético Nacional voltam a se encontrar para celebrar uma amizade que nasceu em um dos momentos mais dolorosos da história do futebol. É também uma oportunidade de manter viva a memória das 71 vítimas e recordar a solidariedade que uniu brasileiros e colombianos. A CBF tem orgulho de transmitir pela CBF TV um encontro com um significado tão especial para o nosso futebol”, disse Samir Xaud, presidente da CBF.

A transmissão da partida terá narração de Eduardo Moreno e comentários de André Garone. O narrador relembra o sentimento ao receber a notícia do acidente, e a honra de poder, dez anos depois, narrar esta partida e assim prestar homenagens às vítimas.

“A primeira sensação ao receber aquela notícia foi de incredulidade, pensar que não era possível que aquilo tinha acontecido. Havia narrado jogos da Chapecoense em fases anteriores e tinha uma ligação com a equipe. Depois você vai sabendo de todos que estavam naquele voo, então foi um choque. Eram jogadores que estavam no auge, num momento mágico. E ainda ficar sabendo dos jornalistas que estavam juntos, dos dirigentes, demais vítimas. Posso falar que estar no microfone e poder narrar esse reencontro do Atlético Nacional com a Chapecoense, eu acho que é uma das missões mais tocantes e de maior responsabilidade que o jornalismo, que a narração esportiva assim, já me proporcionou. Me sinto honrado mesmo em poder fazer parte disso”, disse Moreno.

O laço entre Chapecoense e Atlético Nacional

Em novembro de 2016, a Chape se preparava para disputar a primeira final internacional de sua história, decidindo contra o Atlético Nacional o título da Copa Sul-Americana daquele ano.

O sonho foi interrompido pela tragédia: em 29 de novembro, após a decolagem em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, com destino a Medellín, na Colômbia, o avião apresentou panes elétricas durante o deslocamento e, por falta de combustível, caiu a 35 km da cidade colombiana.

O acidente vitimou 71 das 77 pessoas a bordo, entre atletas do time catarinense, integrantes da comissão técnica, dirigentes da equipe, jornalistas e convidados. Seis pessoas sobreviveram: os jogadores Alan Ruschel, Jackson Follmann, Hélio Hermito Zampier Neto (Neto), o jornalista Rafael Henzel, Ximena Suárez, comissária de bordo, e Erwin Tumiri, técnico da aeronave.

A tragédia marcou profundamente o futebol brasileiro e sul-americano, e teve repercussão mundial. Mas, como a divulgação partida deste sábado lembra, as grandes amizades nascem nas adversidades.

No dia que o jogo aconteceria, milhares de torcedores do Atlético Nacional lotaram o Atanasio Girardot em solidariedade às vítimas da tragédia. E o clube colombiano solicitou formalmente à CONMEBOL que o título da competição fosse dado à Chapecoense, o que foi atendido pela entidade. Desde então, Chapecoense e Atlético Nacional firmaram uma amizade institucional que se estendeu às torcidas.