O que restou da Ponte Preta campeã 11 meses depois do título histórico?

Dos protagonistas da primeira conquista nacional da Macaca, somente seis continuam no clube

A Ponte Preta preservou 17 campeões para o início de 2026, mas atrasos salariais, processos judiciais e uma profunda reformulação desmontaram o elenco

PONTE PRETA
Ponte campeã da Série C

Campinas, SP, 24 (AFI) – A imagem da taça erguida diante de um Moisés Lucarelli em festa parece pertencer a um passado distante. Onze meses depois de conquistar o primeiro título nacional de seus 125 anos de história, a Ponte Preta mantém apenas seis jogadores daquele elenco.

Elvis, Guilherme Viana, Danilo Barcelos, Gustavo Telles, Miguel e Rodrigo Souza são os últimos remanescentes da campanha que terminou com a vitória por 2 a 0 sobre o Londrina, em 25 de outubro de 2025. O resultado, depois de um empate sem gols no Paraná, garantiu à Macaca o título da Série C.

O contraste com o presente é brutal. A Ponte começou a preparação para 2026 com 17 campeões no elenco. Em julho, depois de uma sucessão de saídas, restavam apenas os seis que continuam vinculados ao clube.

Apenas um titular da final começou o último jogo

A dimensão do desmanche aparece na escalação. Na primeira partida da final contra o Londrina, a Ponte entrou em campo com Diogo Silva, Pacheco, Wanderson, Saimon e Artur; Rodrigo Souza, Luiz Felipe e Elvis; Diego Tavares, Jonas Toró e Bruno Lopes.

Na vitória por 1 a 0 sobre o CRB, que encerrou o jejum de 22 partidas sem vencer, somente Rodrigo Souza começou jogando entre os titulares daquela decisão. Gustavo Telles entrou no decorrer do confronto, enquanto Miguel e Guilherme Viana ficaram no banco.

Danilo Barcelos também participou da campanha do título, mas passou boa parte da Série C lesionado. Elvis, principal nome técnico daquela equipe e eleito o destaque da competição, está afastado após uma cirurgia no joelho e só deve voltar a jogar em 2027.

Os seis sobreviventes do título

JogadorSituação em setembro de 2026
ElvisRecupera-se de cirurgia no joelho e não joga mais nesta temporada
Guilherme VianaGoleiro revelado pela base e opção no banco
Danilo BarcelosRecuperou espaço depois de passar quase dez meses afastado
Gustavo TellesIntegra a rotação do meio-campo
MiguelSegue no grupo e busca espaço entre os titulares
Rodrigo SouzaFoi titular na vitória sobre o CRB

A lista ajuda a compreender como o time que fez história foi desmontado em poucos meses. Dos 11 titulares utilizados no primeiro duelo da final, nove já deixaram a Ponte. Permanecem Rodrigo Souza e Elvis, mas o camisa 10 não atua mais em 2026.

Heróis do título seguiram caminhos diferentes

Jonas Toró, artilheiro da campanha campeã com oito gols, não permaneceu para 2026. Também saíram nomes fundamentais como o goleiro Diogo Silva, os zagueiros Wanderson e Saimon, os laterais Pacheco e Artur, os volantes Luiz Felipe, Léo Oliveira e Lucas Cândido e os atacantes Bruno Lopes e Diego Tavares.

A debandada não se limitou aos titulares. Edson, Danrlei, Kevyn, Serginho e Jeh também deixaram o clube. Até julho, a Ponte já contabilizava 17 baixas entre os jogadores que participaram da conquista nacional.

Algumas saídas ocorreram ainda na virada da temporada. Outras foram provocadas ou aceleradas pela crise financeira, com jogadores recorrendo à Justiça para romper os contratos diante dos atrasos salariais.

Do título à greve

A conquista de 2025 já havia acontecido em meio a problemas financeiros. Durante a campanha da Série C, jogadores relataram mais de três meses de salários atrasados. Mesmo assim, o grupo conquistou o acesso, venceu os dois dérbis decisivos contra o Guarani e levantou a taça diante da torcida.

Em 2026, o problema se agravou. Atletas denunciaram atrasos que chegavam a seis meses e suspenderam as atividades. O grupo retornou aos treinamentos sem que as pendências fossem regularizadas, alegando respeito à instituição e à torcida.

A crise provocou novas rescisões, reduziu o elenco e obrigou a Ponte a disputar uma partida da Série B somente com jovens formados na base para evitar um W.O. Em determinados casos, jogadores e funcionários acumulavam quase um ano sem receber.

Uma transformação completa

A Ponte chegou a contratar 18 reforços na primeira janela de 2026. O movimento, porém, não conseguiu preservar uma identidade construída durante a campanha do título. Nomes como William Pottker e David Braz chegaram com status de líderes, mas também deixaram o clube durante a temporada.

O resultado foi um elenco quase inteiramente diferente em campo. Na vitória sobre o CRB, a equipe teve Vinícius Ferrari; Diego Leão, Gabriel Caran e Palacios; Juan, Rodrigo Souza, Denis, Danilo Barcelos e Jota; Manu e Brandão. Dos campeões de 2025, apenas Rodrigo Souza e Danilo começaram a partida — e Danilo não havia sido titular na final.

Da maior festa ao risco de nova queda

A desmontagem do elenco ajuda a explicar, embora não justifique sozinha, a queda esportiva. Depois do título da Série C, a Ponte foi rebaixada no Campeonato Paulista e chegou à 29ª rodada da Série B na lanterna, com 13 pontos.

A vitória sobre o CRB encerrou uma sequência recorde de 22 jogos sem ganhar, mas não mudou a gravidade da situação. A Macaca continua muito próxima de retornar à Série C justamente na temporada seguinte à maior conquista de sua história.

A taça permanece no Moisés Lucarelli. O time que a conquistou, porém, praticamente desapareceu.

O desmanche em números

  • 17 campeões iniciaram a pré-temporada de 2026;
  • 6 jogadores daquele grupo permanecem no clube;
  • 9 dos 11 titulares do primeiro jogo da final já saíram;
  • 1 titular da decisão começou jogando contra o CRB;
  • 22 partidas foi o jejum encerrado pela Ponte;
  • 13 pontos foram conquistados nas primeiras 29 rodadas da Série B.

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