Sem Guarani até 2027, Brinco vira casa de outros times e mira até Copa do Mundo
Enquanto time profissional encerrou a temporada ainda em agosto, estádio segue movimentado
Sem jogos oficiais do Guarani até 2027, o Brinco de Ouro continua recebendo outras equipes e competições.
Campinas, SP, 21 (AFI) – A temporada do Guarani terminou antes do que o torcedor imaginava, mas o Brinco de Ouro não fechou as portas junto com o time. Enquanto o elenco profissional ficará meses sem disputar uma partida oficial, o estádio continua recebendo jogos, clubes de outras cidades e já mira até uma participação indireta na Copa do Mundo Feminina de 2027.
Eliminado da Série C em 29 de agosto, após empatar por 2 a 2 com o Brusque, o Bugre encerrou 2026 com apenas 28 partidas oficiais, a menor quantidade do clube em uma temporada em mais de cinco décadas.
Sem conseguir avançar na terceira divisão e já eliminado anteriormente do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil, o Guarani só voltará a disputar uma competição oficial em 2027. O curioso é que, enquanto o clube não joga, sua casa continua trabalhando.
Brinco virou alternativa para outros clubes
O Brinco de Ouro tem sido utilizado por equipes que precisam mandar partidas longe de seus estádios ou encontram em Campinas uma alternativa de estrutura e localização. Nos últimos anos, inclusive, São Paulo e Palmeiras já levaram partidas do Campeonato Brasileiro para o estádio bugrino.
A utilização não representa apenas exposição para o Brinco. Também pode significar dinheiro para um Guarani que atravessa dificuldades financeiras e tenta reorganizar suas contas.
Balancetes envolvendo partidas de Palmeiras e São Paulo apontaram pagamentos na faixa de R$ 100 mil a R$ 150 mil por jogo pela utilização do estádio.
Os valores podem variar de acordo com cada negociação e modelo de contrato, mas mostram como o patrimônio pode continuar produzindo receita mesmo quando o Guarani não está em campo.
Futebol feminino mantém estádio movimentado
Em 2026, o futebol feminino também ganhou espaço importante no Brinco. O estádio recebeu a Brasil Ladies Cup, com participação de Palmeiras, Flamengo, Peñarol e da seleção paraguaia.
O São Paulo também transformou temporariamente o Brinco em sua casa em partidas importantes do Campeonato Brasileiro Feminino.
No início de setembro, o Tricolor derrotou o Grêmio por 2 a 0 no estádio e garantiu classificação à semifinal da competição. Depois, o local voltou a receber uma partida decisiva da equipe.
Para o Guarani, abrir o estádio para essas competições também funciona como uma espécie de vitrine. E existe um objetivo maior por trás disso.
Copa do Mundo de 2027 entra no radar
O Guarani colocou oficialmente o Brinco de Ouro à disposição para funcionar como centro de treinamento de uma seleção durante a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada no Brasil. Isso não significa que Campinas receberá partidas do Mundial.
A Fifa definiu oito estádios para os jogos da competição, e o Brinco não está entre eles. A intenção do Guarani é outra: receber uma delegação internacional durante o período do torneio.
As 32 seleções participantes precisarão de estruturas de treinamento enquanto estiverem no Brasil, e o clube campineiro tenta colocar seu patrimônio entre as opções.
A movimentação de grandes equipes pelo estádio em 2026 ajuda justamente a demonstrar as condições oferecidas pelo local.
Brinco já recebeu uma seleção em Copa
Se o plano funcionar, não será uma experiência inédita. Na Copa do Mundo masculina de 2014, também disputada no Brasil, a seleção da Nigéria utilizou a estrutura do Guarani durante sua preparação.
O Brinco serviu como centro oficial de treinamentos dos nigerianos durante a passagem da equipe pelo país. Treze anos depois, o Guarani tenta aproveitar aquela experiência para novamente colocar o estádio no mapa de um Mundial.
A Copa Feminina será realizada entre 24 de junho e 25 de julho de 2027, com 32 seleções e 64 partidas.
Gramado também virou cartão de visitas
Outro elemento utilizado a favor do estádio é o gramado. O campo do Brinco recebeu elogios em ocasiões recentes, inclusive quando clubes da Série A utilizaram o local.
Manter a estrutura em funcionamento durante o período sem jogos do Guarani pode ser importante justamente porque uma eventual escolha como centro de treinamento da Copa exigiria condições compatíveis com seleções de alto nível.
Ao mesmo tempo, partidas de outros clubes ajudam a ocupar datas que, de outra maneira, ficariam vazias.
Um estádio movimentado e um time parado
O contraste talvez seja a parte mais curiosa da história. O Guarani encerrou sua temporada profissional ainda em agosto e atravessará um longo período sem partidas oficiais. O Brinco, por outro lado, continua recebendo futebol.
São jogos de outras equipes, partidas femininas, torneios e negociações para novas utilizações. Isso permite ao clube manter o estádio exposto e encontrar alternativas de receita em uma temporada encurtada pelas eliminações precoces.
E o futuro do Brinco?
Toda essa movimentação acontece justamente quando o futuro do próprio estádio está no centro das discussões sobre a SAF do Guarani. A proposta apresentada ao clube prevê um projeto que envolve a construção de um novo estádio e de um novo centro de treinamento. A área onde atualmente está localizado o Brinco de Ouro teria outra destinação dentro do empreendimento previsto.
Por isso, 2026 apresenta uma situação peculiar. Enquanto o Guarani discute o futuro de sua casa histórica, tenta utilizar o Brinco como ativo para gerar dinheiro, receber grandes equipes e até voltar a participar, indiretamente, de uma Copa do Mundo.
O time profissional parou. O estádio, não.





































































































































