Ponte Preta tem SAF rejeitada por associados em meio à grave crise
Ao todo, 384 associados participaram da votação. Foram registrados 150 votos contrários e 234 a favor à proposta
Como eram necessários dois terços dos presentes, a aprovação exigia 256 votos pelo “sim”
Campinas, SP, 19 (AFI) – A Ponte Preta terá de buscar outro caminho para enfrentar a grave crise financeira e administrativa que atravessa. Em Assembleia Geral Extraordinária realizada neste sábado, no Salão Nobre do Estádio Moisés Lucarelli, os associados rejeitaram a constituição de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
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Ao todo, 384 associados participaram da votação. Foram registrados 150 votos contrários e 234 a favor à proposta. Como eram necessários dois terços dos presentes, a aprovação exigia 256 votos pelo “sim”.
A votação ocorreu de forma secreta e individual, por meio de cédulas, e terminou às 14h30. A assembleia havia sido convocada inicialmente para agosto, mas aquela reunião terminou sem que os associados chegassem à votação, em meio a discussões, divergências internas e decisões judiciais.
PROCESSO
A Assembleia deste sábado tinha como objetivo referendar a decisão tomada pelo Conselho Deliberativo em 17 de junho, quando 106 dos 128 conselheiros presentes aprovaram o prosseguimento do processo de constituição da SAF.
O modelo previsto estabelecia a separação do departamento de futebol das demais atividades associativas do clube. A votação, porém, não tratava da aprovação de um investidor específico nem autorizava a venda de patrimônio da Ponte Preta.
O próprio edital determinava que uma eventual entrada de investidores dependeria de novas aprovações do Conselho Deliberativo e de uma futura Assembleia Geral Extraordinária.
A votação deste sábado também foi realizada sob uma série de determinações judiciais. Entre as exigências estavam a divulgação prévia da relação de associados aptos a votar, a presença de tabeliães e a realização de filmagens durante os trabalhos. A medida ocorreu em meio às disputas internas entre integrantes da atual administração e grupos de oposição.
CRISE FINANCEIRA
A rejeição acontece em um momento de forte desequilíbrio nas contas da Ponte Preta. Auditoria que serviu de base para as discussões envolvendo a SAF apontou dívida de aproximadamente R$ 320 milhões, além de um déficit operacional mensal estimado em R$ 2,8 milhões. O levantamento apontou despesas próximas de R$ 4 milhões por mês, diante de receitas na casa de R$ 1,2 milhão.
A situação financeira também teve reflexos diretos no futebol. Ao longo da Série B, o clube enfrentou atrasos salariais e uma paralisação do elenco. Durante o período, a Ponte chegou a enfrentar o América-MG com jogadores formados nas categorias de base para evitar um W.O.
Outro reflexo da crise ocorreu fora de campo. Em setembro, o clube precisou desembolsar aproximadamente R$ 2,2 milhões para resolver três transfer bans, sendo dois na Fifa e um na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), em uma operação que contou com parceria da SAF do Boavista.
SITUAÇÃO ESPORTIVA
Dentro de campo, o cenário também é delicado. A Ponte Preta ocupa a última colocação da Série B, com 10 pontos, e chegou a 22 partidas consecutivas sem vencer na competição.
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Depois do encerramento da paralisação do elenco, a equipe disputou quatro partidas, sofreu 12 gols e não marcou nenhum. Na rodada mais recente, foi goleada por 6 a 0 pelo Londrina, fora de casa.
AGENDA
Com a rejeição da SAF, a diretoria precisará lidar com a crise financeira e esportiva sem a aprovação, nesta etapa, do modelo de transformação do departamento de futebol em uma sociedade anônima.
A Ponte volta a campo neste domingo, quando recebe o CRB, às 11h, no Moisés Lucarelli, pela Série B do Campeonato Brasileiro.





































































































































