Quantos clubes das Séries A e B são patrocinados por bets? Veja levantamento
Levantamento atualizado em setembro mostra que ao menos 28 dos 40 clubes que disputam as Séries A e B mantêm algum vínculo comercial
Na elite do Campeonato Brasileiro, o levantamento encontrou relações comerciais com casas de apostas em 75% dos participantes
Campinas, SP, 18 (AFI) – A temporada de 2026 entra na reta final e, mesmo depois de rompimentos, novos contratos e mudanças de patrocinadores ao longo do ano, as casas de apostas continuam ocupando um espaço gigantesco no futebol brasileiro.
Levantamento atualizado em setembro mostra que ao menos 28 dos 40 clubes que disputam as Séries A e B mantêm algum vínculo comercial identificado com empresas de apostas.
São 15 dos 20 clubes da Série A e 13 dos 20 da Série B, o equivalente a 70% das equipes das duas principais divisões nacionais.
O número considera não apenas as bets que ocupam o espaço máster das camisas. Também entram na conta empresas que possuem contratos comerciais vigentes em outras propriedades dos uniformes ou dos clubes.
Essa diferença é importante porque simplesmente olhar para os patrocinadores máster acaba subestimando o tamanho da presença das apostas no futebol brasileiro.
Mirassol e Red Bull Bragantino ajudam a explicar isso.
O tradicional Guaraná Poty ocupa o espaço principal da camisa do Mirassol, mas a 7K também aparece no uniforme e possui uma parceria comercial relevante com o clube paulista.
No Red Bull Bragantino, a Red Bull naturalmente domina a exposição principal, enquanto a Betfast aparece em espaços secundários.
Ou seja, uma equipe não precisa carregar uma bet no centro da camisa para receber dinheiro de uma empresa do setor.
Série A: 15 dos 20 clubes têm vínculo identificado com bets
Na elite do Campeonato Brasileiro, o levantamento encontrou relações comerciais com casas de apostas em 75% dos participantes:
Atlético-MG — H2Bet
Botafogo — VBet
Chapecoense — ZeroUm
Corinthians — Esportes da Sorte
Cruzeiro — Betnacional
Flamengo — Betano
Fluminense — Superbet
Palmeiras — Sportingbet
Remo — VaideBet
Santos — Novibet
São Paulo — Superbet
Vasco — Sportingbet
Vitória — 7K
Red Bull Bragantino — Betfast
Mirassol — 7K
A presença das bets, portanto, chega a 15 dos 20 clubes da Série A quando são consideradas também as propriedades comerciais secundárias.
O impacto financeiro ajuda a explicar o tamanho dessa presença. Estima-se que as empresas do setor desembolsem mais de R$ 1 bilhão por ano somente em patrocínios aos clubes da Série A.
Cenário mudou ao longo de 2026
A fotografia de setembro também é diferente daquela registrada no começo da temporada. O Santos, por exemplo, iniciou 2026 sem uma casa de apostas como patrocinadora máster após o rompimento com a 7K. Em março, porém, anunciou a Novibet como nova principal parceira comercial.
O Vasco também passou por mudança durante o ano. Depois de começar a temporada sem uma bet no principal espaço da camisa, fechou em julho com a Sportingbet.
As alterações ajudam a explicar por que levantamentos produzidos no começo do Brasileirão podem apresentar números diferentes dos atuais.
A relação entre clubes e casas de apostas foi se modificando conforme contratos terminaram e novos acordos foram fechados.
Cinco clubes da Série A estão fora da lista
No levantamento atual, cinco integrantes da elite ficaram fora da relação de equipes com vínculo vigente identificado com casas de apostas:
Athletico-PR
Bahia
Coritiba
Grêmio
Internacional
Isso não significa que todos tenham passado 2026 completamente distantes do setor.
O Athletico encerrou antecipadamente o contrato com a Viva Sorte Bet em fevereiro. O clube continuou exibindo a marca Viva Sorte em uma propriedade secundária, mas vinculada ao segmento de títulos de capitalização, e não à operação de apostas.
O Bahia também teve uma parceria temporária durante o ano. O acordo com a Esportiva Bet tinha duração limitada e, sem confirmação de um novo contrato permanente, o clube não entra na fotografia atual.
Grêmio e Internacional, por sua vez, encerraram os vínculos que mantinham com a Alfa Bet.
Série B: 13 dos 20 clubes têm bets
A presença das casas de apostas também é ampla na segunda divisão.
Foram identificados vínculos em 13 dos 20 participantes, ou 65% da Série B:
América-MG — Betbra
Athletic — Betnacional
Atlético-GO — Blaze
Avaí — 1PRA1
Ceará — Esportes da Sorte
CRB — Bolsa de Aposta
Criciúma — Bolsa de Aposta
Goiás — Viva Sorte Bet
Náutico — Esportes da Sorte
Novorizontino — Pagol Bet
Ponte Preta — GingaBet
Sport — Betnacional
Vila Nova — GingaBet
Assim como aconteceu na Série A, a lista sofreu alterações ao longo da temporada.
O Athletic, por exemplo, anunciou em março a Betnacional como patrocinadora máster em acordo válido até o fim de 2026.
O América-MG também fechou parceria com a Betbra, ampliando a presença do setor em comparação com levantamentos realizados antes do início da competição.
Ações pontuais não entram na conta
O levantamento adota um critério conservador para não aumentar artificialmente o número.
Clubes que realizaram apenas uma ação isolada com uma empresa de apostas, sem que tenha sido identificado um contrato permanente em vigor, ficaram fora dos 28.
O Juventude, por exemplo, chegou a estampar uma casa de apostas no espaço máster em uma partida e discutiu uma parceria mais ampla. Uma exposição pontual, porém, não é suficiente para classificar o clube como patrocinado permanentemente pelo setor.
O Fortaleza também teve ações comerciais pontuais durante a temporada.
Esses casos mostram, ao mesmo tempo, que o número de clubes que receberam algum dinheiro de empresas de apostas em algum momento de 2026 pode ser superior ao retrato dos contratos atualmente identificados.
Afinal, quantos clubes têm bets?
Considerando os vínculos comerciais identificados atualmente, o cenário é:
Série A: 15 de 20 clubes
Série B: 13 de 20 clubes
Total: 28 de 40 clubes
Percentual: 70%
Há uma diferença fundamental, porém, entre afirmar que 70% dos clubes têm algum vínculo comercial com uma bet e dizer que 70% possuem uma casa de apostas como patrocinadora máster.
A segunda afirmação não é correta.
Mirassol e Red Bull Bragantino são exemplos disso. Os clubes recebem recursos de empresas do setor, mas não entregam a elas o principal espaço comercial de seus uniformes.
Discussão sobre cassinos online coloca clubes em alerta
O tamanho dessa relação comercial ajuda a explicar a reação do futebol brasileiro às discussões desta semana envolvendo o mercado de apostas.
Clubes e federações divulgaram na quinta-feira (17) um manifesto em defesa do mercado regulamentado e alertaram para possíveis impactos financeiros de novas restrições. No documento, afirmaram que medidas capazes de provocar a saída das empresas regulamentadas poderiam representar, nas palavras das próprias entidades, o “fim do futebol brasileiro”.
É importante, entretanto, separar a preocupação dos clubes do que efetivamente está em discussão no governo.
Segundo a Reuters, o governo federal prepara uma medida para proibir operações de cassinos online, mas o desenho discutido deixaria de fora as apostas esportivas e os respectivos patrocínios.
A preocupação dos clubes é indireta. Representantes do setor afirmam que os cassinos online respondem pela maior parte da receita das operadoras. Uma redução drástica no faturamento dessas empresas poderia, segundo essa avaliação, atingir também o dinheiro disponível para patrocinar equipes e competições.
O futebol brasileiro acompanha a discussão justamente porque a ligação econômica se tornou enorme.
Não são apenas marcas gigantes estampadas no centro das camisas. As bets aparecem em mangas, costas dos uniformes, placas de publicidade, propriedades digitais, ações promocionais e diferentes contratos comerciais.
E o levantamento das duas principais divisões dimensiona essa presença: de cada dez clubes das Séries A e B, sete mantêm atualmente algum vínculo comercial identificado com empresas de apostas.





































































































































