Você lembra? Veja como estava o futebol na última vez que a Ponte Preta venceu

A última vitória da Macaca aconteceu em 24 de abril de 2026

Na ocasião, a Macaca superou o América-MG por 1 a 0, após ter vencido também o Avaí, por 2 a 1

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Campinas, SP, 18 (AFI) – Para encontrar a última vitória da Ponte Preta é preciso voltar a um futebol que, olhando agora, parece pertencer a outra temporada.

Era 24 de abril de 2026.

O Brasil ainda não sabia quais seriam os 26 jogadores convocados por Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo. Neymar vivia uma corrida contra o tempo para convencer o italiano de que merecia uma vaga no Mundial. A Champions League ainda nem havia começado suas semifinais. A Libertadores estava apenas na fase de grupos. E o Campeonato Brasileiro disputaria naquele fim de semana somente a 13ª rodada.

Foi nesse cenário que a Ponte entrou no Moisés Lucarelli e venceu o América-MG por 1 a 0, pela sexta rodada da Série B. William Pottker marcou de cabeça aos 43 minutos do primeiro tempo, depois de cruzamento de Luís Phelipe.

Naquela sexta-feira, a Macaca chegou aos sete pontos, deixou a zona de rebaixamento e comemorou a segunda vitória consecutiva na competição. Parecia o início de uma reação. Virou a última vitória do clube. Quase cinco meses e 22 partidas depois, muita coisa aconteceu no futebol brasileiro e mundial.

Menos uma nova vitória da Ponte.

Neymar ainda tentava convencer Ancelotti

Talvez uma das imagens que melhor mostrem a distância daquele 24 de abril esteja na Seleção Brasileira. Quando a Ponte venceu o América-MG, Neymar ainda nem sabia se disputaria a Copa do Mundo.

Naquele exato dia, o atacante do Santos era preservado por Cuca da partida contra o Bahia para controlar a carga física. A preocupação tinha uma razão: faltava menos de um mês para Carlo Ancelotti anunciar os convocados para o Mundial e Neymar tentava recuperar ritmo e convencer a comissão técnica.

Também em 24 de abril, a CBF anunciou que a lista definitiva sairia somente em 18 de maio, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Neymar conseguiu. Foi convocado e disputou sua quarta Copa do Mundo. Tudo isso aconteceu depois da última vitória da Ponte.

A Champions ainda estava nas semifinais

Na Europa, nem sequer se conheciam os finalistas da Champions League.

Quatro dias depois da vitória da Macaca, PSG e Bayern de Munique começariam a decidir uma das vagas na final. Do outro lado da chave estavam Atlético de Madrid e Arsenal.

Os confrontos das semifinais estavam marcados para 28 e 29 de abril, com as partidas de volta nos dias 5 e 6 de maio. A decisão seria disputada apenas em 30 de maio, em Budapeste.

Ou seja: quando Pottker cabeceou para fazer 1 a 0 no América, a Champions ainda tinha quatro candidatos ao título. Mais tarde, o time francês conquistou o bicampeonato.

A Libertadores ainda estava começando

Na América do Sul, a Libertadores também estava longe de suas partidas decisivas. A competição estava entre a segunda e a terceira rodada da fase de grupos.

Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Fluminense, Cruzeiro e Mirassol estavam entre os brasileiros ainda construindo suas campanhas. A terceira rodada começaria apenas em 28 de abril.

Naquela semana, por exemplo, o Flamengo ainda se preparava para visitar o Estudiantes. O Palmeiras iria ao Paraguai enfrentar o Cerro Porteño. O Corinthians receberia o Peñarol e o Mirassol enfrentaria o Always Ready.

Ainda havia praticamente toda uma Libertadores pela frente.

O Brasileirão estava só na 13ª rodada

Nem o Campeonato Brasileiro havia chegado à metade do primeiro turno.

No mesmo fim de semana daquela vitória da Ponte, a Série A entraria apenas em sua 13ª rodada.

Botafogo enfrentaria o Internacional. Bahia receberia o Santos. Remo jogaria contra o Cruzeiro. Corinthians e Vasco fariam um dos confrontos do domingo.

Neymar seria poupado pelo Santos contra o Bahia. Gabigol também não jogaria, suspenso.

O campeonato que hoje já atravessou meses de disputas ainda estava dando seus primeiros passos. O Palmeiras era o líder. O Verdão ainda disputa o título, mas perdeu o posto para o Flamengo.

E a Copa do Mundo ainda estava a 50 dias de começar

Talvez essa seja a referência mais impressionante. Na sexta-feira em que a Ponte venceu pela última vez, faltavam 50 dias para a estreia do Brasil na Copa do Mundo.

A Seleção entraria em campo contra Marrocos apenas em 13 de junho. Antes disso ainda haveria convocação, apresentação dos jogadores, período de preparação e amistosos.

A Copa inteira ainda cabia no futuro. Desde a vitória da Ponte, o Brasil conheceu seus convocados, viu Neymar voltar à Seleção e atravessou o Mundial. A Macaca continuou procurando outra vitória.

Até a Ponte daquela noite virou outra

Dentro do próprio Moisés Lucarelli, o tempo também deixou marcas. A Ponte que venceu o América tinha Rodrigo Santana no banco e começou aquela partida com:

Diogo Silva; Thalys, Lucas Cunha, Márcio Silva e Kevyson; André Lima, Murilo e Bryan Borges; Luís Phelipe, William Pottker e Diego Tavares.

Sete desses 11 titulares já deixaram o clube. Entre eles estão justamente os dois personagens do gol: Luís Phelipe, que deu a assistência, e William Pottker, que balançou a rede.

Pottker, inclusive, hoje defende o Londrina. Rodrigo Santana também não é mais o treinador. A fotografia de 24 de abril, portanto, não existe mais.

Uma vitória que parecia normal

Talvez o mais curioso seja que ninguém saiu do Majestoso naquela noite imaginando estar assistindo a um acontecimento que seria lembrado quase cinco meses depois. A Ponte havia acabado de vencer duas partidas seguidas.

Primeiro, fez 2 a 1 no Avaí em Florianópolis. Depois, bateu o América-MG por 1 a 0. Com sete pontos em seis partidas, deixou o Z-4 e chegou ao 13º lugar.

O discurso era de recuperação. Hoje, aquela vitória ganhou outro significado. Depois dela vieram 22 jogos sem ganhar, sequência que se tornou a maior da história da Série B. A Ponte chegou aos 28 jogos com apenas dez pontos.

Em outras palavras, desde aquela noite de abril, somou somente três. Mas talvez nem seja necessário olhar a tabela para perceber quanto tempo passou.

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