Onde o Guarani perdeu a Série C? Números revelam momento da queda do Bugre
O Guarani ficou fora do G-8 após empatar com o Brusque, na última rodada, por 2 a 2
O Guarani terminou a Série C apenas um ponto fora do G-8, mas os números mostram uma queda brusca depois da décima rodada
Campinas, SP, 18 (AFI) – Por apenas um ponto, o Guarani ficou fora do quadrangular decisivo da Série C. A diferença mínima poderia transformar o empate por 2 a 2 com o Brusque, na última rodada, no culpado mais óbvio pela eliminação. Os números da campanha, porém, mostram que o acesso começou a escapar das mãos do clube muito antes.
Existe uma divisão quase perfeita na trajetória bugrina. Depois de dez rodadas, o Guarani tinha 21 pontos, ocupava a liderança e havia conquistado 70% dos pontos disputados. Nas nove partidas restantes, somou apenas sete pontos, com aproveitamento de 25,9%.
Foi nesse intervalo que um time que parecia caminhar com segurança para a segunda fase terminou fora até do G-8.
O Guarani encerrou a primeira fase em décimo lugar, com 28 pontos, um a menos que Santa Cruz e Ypiranga, ambos com 29. O clube passou 16 das 19 rodadas dentro da zona de classificação e chegou a abrir seis pontos de vantagem no G-8.
No fim, tudo desapareceu.
A Série C do Guarani teve dois campeonatos
O contraste fica ainda maior quando a campanha é dividida entre as dez primeiras e as nove últimas rodadas.
Primeiras 10 rodadas
21 pontos em 30 possíveis
6 vitórias
3 empates
1 derrota
22 gols marcados
8 gols sofridos
Saldo: +14
Aproveitamento: 70%
Últimas 9 rodadas
7 pontos em 27 possíveis
1 vitória
4 empates
4 derrotas
12 gols marcados
16 gols sofridos
Saldo: -4
Aproveitamento: 25,9%
A produção ofensiva praticamente caiu pela metade por partida, enquanto a média de gols sofridos mais do que dobrou.
Até a décima rodada, o Guarani marcava 2,2 gols e sofria 0,8 por jogo. Depois, passou a fazer 1,33 e sofrer 1,78.
O ponto de ruptura
A décima rodada ajuda a estabelecer uma fronteira.
Em 13 de junho, o Guarani derrotou o Caxias por 2 a 1 no Brinco de Ouro. Chegou aos 21 pontos e terminou aquela etapa da competição em posição privilegiada.
Até então, a campanha incluía resultados contundentes. O time havia goleado o Maringá por 5 a 0 fora de casa e repetido o placar diante do Amazonas, no Brinco. Também vencera Santa Cruz, Barra, Volta Redonda e Caxias.
Então veio a mudança. Na 11ª rodada, o Guarani perdeu por 2 a 0 para o Confiança, que terminaria a primeira fase na lanterna e seria rebaixado à Série D.
Depois empatou com Figueirense e Floresta e perdeu por 3 a 2 para o Paysandu. Foram apenas dois pontos conquistados em 12 possíveis imediatamente após o clube chegar aos 21.
A vitória por 3 a 1 sobre a Inter de Limeira, na 15ª rodada, interrompeu momentaneamente a sequência. Seria também a última vitória do Guarani no campeonato.
Dois jogos ajudam a explicar o ponto que faltou
Se o declínio começou antes, duas partidas da reta final ajudam a dimensionar como o Guarani deixou escapar uma classificação decidida por margem mínima.
Contra o Anápolis, pela 16ª rodada, o Bugre abriu o placar fora de casa e terminou derrotado por 2 a 1. O gol da virada saiu no último lance.
Na rodada seguinte veio um golpe ainda mais significativo. Diante do Ypiranga, no Brinco, o Guarani abriu 2 a 0. A vantagem desapareceu em poucos minutos e a partida terminou empatada por 2 a 2.
A conta é particularmente dolorosa quando comparada à classificação final. O Guarani terminou com 28 pontos. Precisava de 29 para alcançar a pontuação dos dois últimos classificados.
Não significa que um resultado isolado explique toda a eliminação. Mas evidencia o tamanho dos pontos desperdiçados justamente quando a margem construída no começo do campeonato estava desaparecendo.
Uma vitória em nove partidas
Depois de chegar aos 21 pontos na décima rodada, a sequência do Guarani foi:
Confiança 2 x 0 Guarani
Figueirense 1 x 1 Guarani
Guarani 0 x 0 Floresta
Paysandu 3 x 2 Guarani
Guarani 3 x 1 Inter de Limeira
Anápolis 2 x 1 Guarani
Guarani 2 x 2 Ypiranga
Botafogo-PB 3 x 1 Guarani
Guarani 2 x 2 Brusque
Foram nove partidas, uma vitória. Dos 27 pontos disponíveis nesse período, 20 ficaram pelo caminho.
O problema ficou ainda mais grave nas quatro rodadas finais. O Guarani conquistou somente dois dos 12 pontos disputados: perdeu para Anápolis e Botafogo-PB e empatou com Ypiranga e Brusque.
Aproveitamento de 16,7% justamente no momento decisivo da competição.
Nem depender de si foi suficiente
Apesar da queda acentuada, o Guarani chegou à 19ª rodada ainda dependendo das próprias forças. Era o sétimo colocado, tinha 27 pontos e enfrentaria o Brusque dentro do Brinco de Ouro. Uma vitória assegurava a classificação sem necessidade de acompanhar os demais resultados.
O cenário também tinha um elemento novo. Umberto Louzer assumiu o comando depois da saída de Elio Sizenando e estreou justamente na partida decisiva. O Guarani abriu o placar, sofreu a virada e buscou o empate por 2 a 2.
Enquanto isso, os resultados dos concorrentes foram tirando o clube do G-8.
Ferroviária, Maringá e Floresta chegaram aos 30 pontos. Santa Cruz terminou com 29. O Ypiranga também fez 29. O Guarani parou nos 28.
O ataque não explica o fracasso
Há outro número que chama atenção. O Guarani terminou a primeira fase com 34 gols, melhor ataque de toda a competição. O Botafogo-PB, líder, e o Brusque, segundo colocado, marcaram 28 cada.
O saldo bugrino também foi expressivo: +10, o melhor entre os 20 participantes. Mesmo assim, ficou em décimo.
Isso mostra que o problema não foi simplesmente falta de capacidade ofensiva. A irregularidade e, principalmente, a incapacidade de transformar vantagens e bons momentos em pontos pesaram mais.
O clube terminou com sete vitórias, sete empates e cinco derrotas. Entre os oito classificados, somente Paysandu e Santa Cruz fizeram menos gols do que o Guarani sofreu. Ainda assim, ambos avançaram.





































































































































