Mais do que partidas, defesas e momentos decisivos, foram dez anos construindo uma relação que ultrapassou as quatro linhas
Ronaldo deixou de ser apenas goleiro para se transformar em personagem de uma das maiores torcidas do país. Mas o que faz alguém ser chamado de ídolo?
São Paulo, SP , 17 (AFI) – Há jogadores que passam pelo futebol. Há aqueles que fazem história. E existem os que se tornam parte da história de um clube. Ronaldo Giovanelli pertence à terceira categoria. Foram dez anos defendendo o Corinthians. Mais do que partidas, defesas e momentos decisivos, foram dez anos construindo uma relação que ultrapassou as quatro linhas.
Ronaldo deixou de ser apenas goleiro para se transformar em personagem de uma das maiores torcidas do país. Mas o que faz alguém ser chamado de ídolo?
Talvez essa seja uma pergunta difícil até para quem viveu tudo isso. “É muito difícil entender. A gente sente pelo carinho”. “Consigo medir essa idolatria pelo carinho das pessoas”, contou Ronaldo, durante uma conversa em Hortolândia, durante o evento “ Festival Planeta Rock” onde Ronaldo se apresentou com sua banda “ Ronaldo e os impedidos.” Sim. Além de ídolo do Corinthians e comentarista esportivo, ele é vocalista de uma banda de rock.

CICLOS
O futebol é feito de ciclos. Jogadores chegam, vestem a camisa, fazem seus jogos e vão embora. A torcida, porém, guarda alguns nomes para sempre. Ronaldo é um deles.
Sua história no Corinthians foi construída em uma época em que vestir aquela camisa significava carregar uma responsabilidade enorme. E ele carregou.
Com personalidade, paixão e uma relação muito particular com a torcida. O bom jogador é lembrado pelo que fez em campo. O ídolo é lembrado pelo que fez as pessoas sentirem.
COMENTARISTA
Hoje, Ronaldo vive uma nova relação com o futebol, agora como comentarista do programa Jogo Aberto, do Grupo Bandeirantes. De outro lugar, acompanha também uma transformação importante: a presença cada vez maior das mulheres no futebol.
Para ele, profissionais como Renata Fan, apresentadora do programa, são exemplos dessa mudança. “Eu aprendo todo dia com ela. Vejo nela uma mulher muito forte”, afirmou.
Mais do que falar sobre a presença feminina, Ronaldo destaca aquilo que considera fundamental para ocupar qualquer espaço no futebol: conhecimento, preparação e, acima de tudo, autenticidade. “O importante é você saber o que está fazendo. Não é porque eu sou poderoso. Você não é poderoso. Você tem que agradar as pessoas pelo que você é. Não tentar demonstrar uma coisa que você não tem.” Uma reflexão que vai muito além do futebol.
ÍDOLO
No final da conversa, fiz a Ronaldo uma pergunta que parecia simples, mas que acabou revelando muito sobre o homem por trás do ídolo: quem é o ídolo de um ídolo? Ele não precisou pensar muito. Emocionado, respondeu: “Meu ídolo sempre foi meu pai. Ele me ensinou muito.”
A resposta trouxe uma dimensão ainda maior para aquela conversa. Porque, naquele momento, ficou claro que a palavra “ídolo” não está necessariamente relacionada a quem está dentro de campo. Ídolo é quem inspira. Quem ensina. Quem deixa uma marca.
Ronaldo Giovanelli foi ídolo de uma geração de corintianos. E continua sendo para muitos que cresceram acompanhando suas defesas, sua personalidade e a maneira como vestia a camisa do Corinthians.
Talvez seja justamente isso que torne tão grandioso o papel de um ídolo. O futebol pode até terminar aos 90 minutos. Mas aquilo que um ídolo desperta em alguém; admiração, emoção, inspiração e memória, duram para sempre.





































































































































