Ponte Preta caminha para marca de 100 gols sofridos no ano

As duas goleadas por 6 a 0 sofridas em 2026 representam os maiores vexames do clube desde 8 de fevereiro de 1995

No somatório de todas as competição de 2026, A Ponte Preta sofreu 77 gols em 38 partidas (média de 2,02)

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A Ponte Preta vive um ano desesperador - Foto: Marcos Ribolli / PontePress

Campinas, SP, 17 (AFI) – A temporada de 2026 da Ponte Preta vai se desenhando como um dos episódios mais melancólicos da história do futebol brasileiro.

Amargando a lanterna isolada da Série B do Campeonato Brasileiro com apenas 10 pontos e 11% de aproveitamento, a Macaca caminha a passos largos para atingir uma marca centenária indigesta: ultrapassar a barreira dos 100 gols sofridos em um mesmo ano.

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Após ser atropelada pelo Londrina por 6 a 0 — igualando o placar sofrido contra o Vila Nova na 23ª rodada —, a equipe de Campinas viu seu sistema defensivo escancarar uma vulnerabilidade sem precedentes. No somatório das competições, foram 77 gols vazados em 38 partidas (média de 2,02). Na Série B, a média sobe para alarmantes 2,21 gols por jogo (62 tentos em 28 rodadas).

Mantido esse ritmo nas 10 partidas restantes da Série B, o Alvinegro levará mais 22 gols, encerrando a competição nacional com 84 sofridos e o ano com 99 gols contra. Basta um único sobressalto a mais na reta final para o clube cravar o centésimo gol sofrido em 2026.

COLAPSO BATE MARCAS RUINS

Levar 100 gols em uma única temporada é um feito extremamente raro no futebol nacional contemporâneo. Para efeito de comparação:

  • Vitória (2018): Sofreu 94 gols em 67 compromissos.
  • Vasco (2021 e 2025): Sofreu 94 gols em 71 partidas em ambas as temporadas.

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A Ponte ostenta hoje a pior defesa do Campeonato Brasileiro por uma margem larga: são 14 gols a mais sofridos em relação ao América-MG, vice-lanterna do quesito. As duas goleadas por 6 a 0 sofridas em 2026 representam os maiores vexames do clube desde 8 de fevereiro de 1995, quando levou seis do XV de Piracicaba em pleno Moisés Lucarelli pelo Paulistão.

Competição / AnoJogosGols SofridosMédia por jogo
Ponte Preta (Série B 2026)28622,21
Ponte Preta (Total 2026)38772,02
Vitória (Total 2018)67941,40
Vasco (Total 2025)71941,32

CRISE E JEJUM NO ATAQUE

O desastre dentro de campo é reflexo direto do colapso administrativo fora das quatro linhas. Com atrasos salariais acumulados para atletas e funcionários desde o ano passado, o ambiente do clube sofreu baques sucessivos:

  • Time de garotos: Contra o América-MG, em 30 de agosto, a diretoria precisou escalar apenas garotos da base para não levar W.O., já que o elenco principal realizou uma greve.
  • Transfer bans: A Ponte precisou do auxílio financeiro do Boavista para derrubar punições na CNRD e na Fifa. Em contrapartida, a equipe carioca cedeu cinco jogadores por empréstimo para a reta final do torneio.
  • Jeju no ataque: O setor ofensivo tampouco responde. A Macaca não marca um gol há seis partidas. Nos quatro jogos após a greve de uma semana por atraso de vencimentos, sofreu 12 gols e não fez nenhum. Sob o comando de Gilson Kleina, o time sequer balançou as redes.

PIOR CAMPANHA DA HISTÓRIA?

A queda matemática para a Série C pode ser selada já nas próximas rodadas. Com 30 pontos ainda em disputa, a Ponte está a 21 pontos do Botafogo-SP (31), primeiro clube fora da zona de rebaixamento. Caso perca os duelos contra CRB e o próprio Botafogo-SP, e os rivais diretos somem ao menos três pontos, a queda estará consumada.

Se o rebaixamento parece inevitável, o fantasma da pior campanha da era dos pontos corridos é ainda mais ameaçador. O pior desempenho registrado até hoje pertence ao Duque de Caxias de 2011, que fez 17 pontos em 38 jogos (14,9% de aproveitamento). Na 28ª rodada daquele ano, a equipe fluminense somava 12 pontos — dois a mais do que a Ponte Preta acumula hoje.