Após episódio de racismo, Aranha leva debate a adolescentes

Ex-goleiro conversa com jovens sobre racismo no esporte e o papel de quem presencia situações de discriminação

A trajetória de Aranha será o ponto de partida para mostrar que o enfrentamento ao racismo não cabe apenas a quem sofre a agressão.

Aranha
Ex-goleiro Aranha (foto: reprodução)

Campinas, SP, 15 (AFI) – Como parte de uma proposta contínua de educação antirracista, o Colégio Marista Arquidiocesano promove, nesta terça (15) e quarta-feira (16), uma nova edição do Fórum de Juventudes, que neste ano terá a participação do ex-goleiro Aranha.

Doze anos depois de denunciar um dos episódios de racismo de maior repercussão do futebol brasileiro, ele leva sua experiência a estudantes do 7º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio.

O Fórum integra as formações já desenvolvidas na proposta curricular do colégio e busca fortalecer reflexões e práticas de enfrentamento ao racismo.

Nesta edição, o esporte será o ponto de partida para discutir como a discriminação se manifesta dentro e fora dos campos e qual é o papel de quem presencia essas situações.

O encontro ocorre em um momento em que o combate a ofensas no futebol voltou ao centro do debate. Na Copa do Mundo de 2026, entrou em campo o chamado “Protocolo Vini Jr.” ou “Lei Vini Jr.”, regra que prevê expulsão de jogadores que cubram a boca ao se dirigir a um adversário de maneira provocativa, depreciativa ou inflamatória. A medida chegou a ser aplicada duas vezes durante o Mundial.

Com o tema “Racismo no Esporte: o jogo só muda quando todos entram em campo”, o Fórum reúne estudantes do 7º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio para discutir como o racismo se manifesta dentro e fora do esporte e, principalmente, como agir diante de situações discriminatórias.

A trajetória de Aranha será o ponto de partida para mostrar que o enfrentamento ao racismo não cabe apenas a quem sofre a agressão.

“Queremos mostrar aos estudantes que quem presencia uma situação de preconceito também tem um papel. Não naturalizar, apoiar quem foi atingido e saber se posicionar são atitudes importantes para a construção de ambientes mais respeitosos”, afirma Douglas Paixão, coordenador de Pastoral do Colégio Marista Arquidiocesano.

DO GRAMADO PARA A SALA DE AULA

Aranha atuou profissionalmente entre 2000 e 2018 por clubes como Ponte Preta, Atlético Mineiro, Santos, Palmeiras e Avaí. Em 2014, sua atuação no enfrentamento ao racismo foi reconhecida pelo Ministério dos Direitos Humanos. Após deixar os gramados, passou a atuar em palestras e projetos educativos sobre relações étnico-raciais, diversidade e inclusão.

Para Douglas, aproximar essa trajetória dos adolescentes ajuda a mostrar que o debate não deve surgir apenas quando um novo caso ganha repercussão.

“O esporte faz parte do cotidiano dos jovens e está muito presente na vivência dos nossos estudantes, inclusive por meio das atividades complementares oferecidas pelo colégio. Por isso, pode ser um ponto de partida importante para falar sobre respeito, preconceito e convivência. O racismo não deve ser discutido apenas quando ganha as manchetes, mas também nas relações construídas todos os dias, pois precisamos assumir uma postura antirracista em nosso cotidiano”, completa.