Como a tecnologia está mudando as decisões no futebol

Clubes analistas passam a recorrer a estatísticas e modelos preditivos para interpretar desempenho e medir risco antes das decisões

A tecnologia evidencia uma mudança que já alcança diferentes áreas do esporte: opiniões continuam presentes, mas passaram a ser confrontadas com evidências, probabilidades e inteligência artificial.

Full Trader
Fundador da Fulltrader Sports, Ricardo Santos (Foto: reprodução)

Campinas, SP, 15 (AFI) – A cultura dos dados ganhou escala durante a Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. As 48 seleções tiveram acesso ao Football AI Pro, ferramenta desenvolvida pela Fifa e pela Lenovo que processa milhões de pontos de informação por partida e mais de 2 mil métricas.

A tecnologia evidencia uma mudança que já alcança diferentes áreas do esporte: opiniões continuam presentes, mas passaram a ser confrontadas com evidências, probabilidades e inteligência artificial.

Ricardo Santos, cientista de dados, fundador da Fulltrader Sports, empresa que desenvolve softwares SaaS de análise estatística para o trade esportivo, trabalha há 12 anos com probabilidades no futebol.

Para ele, a principal transformação não está em substituir a interpretação humana, mas em elevar a qualidade das informações usadas antes de uma escolha. “A cultura dos dados não elimina a opinião. Ela exige que o palpite seja confrontado com evidências, histórico e probabilidade antes de se transformar em decisão”, afirma o especialista.

A transformação acompanha o crescimento econômico do esporte. O futebol europeu ultrapassou pela primeira vez a marca de 40 bilhões de euros em receitas na temporada 2024 e 2025, chegando a 40,2 bilhões de euros, segundo a Deloitte.

No Global Sports Industry Outlook 2026, a consultoria aponta que a inteligência artificial avança em atividades como avaliação de desempenho, gestão de atletas, operação dos clubes e relacionamento com torcedores.

Dentro de campo, a leitura das partidas também se tornou mais sofisticada. Além de posse de bola, finalizações e retrospecto, sistemas estatísticos conseguem combinar gols esperados, intensidade de pressão, eficiência ofensiva, desgaste físico, lesões, escalações e comportamento contra adversários com características semelhantes.

A abundância de números, porém, não elimina erros de interpretação. “Um indicador isolado pode levar a uma conclusão equivocada. O valor está em cruzar informações, comparar contextos e identificar quais variáveis realmente alteram a probabilidade de um resultado”, explica o cientista de dados.

PROBABILIDADE NÃO É PROMESSA DE ACERTO

Nas apostas esportivas, essa lógica ganhou peso adicional depois da regulamentação do setor no Brasil. Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, 17,7 milhões de brasileiros fizeram apostas de quota fixa no primeiro semestre de 2025. No mesmo período, as empresas autorizadas registraram R$17,4 bilhões em receita bruta de jogos.

A dimensão do segmento estimulou a oferta de plataformas com estatísticas em tempo real, comparações de desempenho e projeções probabilísticas. Recursos antes concentrados em departamentos profissionais de análise passaram a chegar ao usuário comum.

O acesso, no entanto, não transforma a projeção em garantia. “Quando um modelo estatístico é tratado como certeza de resultado, a leitura já começou errada. Probabilidade serve para mensurar risco e comparar possibilidades. Ela não elimina o acaso”, ressalta o fundador da Fulltrader.

Uma equipe pode reunir indicadores superiores e ainda perder após uma expulsão, uma lesão, um erro individual ou um lance improvável. A função desses sistemas, portanto, não é antecipar placares com precisão absoluta, mas organizar variáveis capazes de tornar a avaliação de risco mais objetiva.

A lógica ultrapassa os gramados. Empresas utilizam modelos estatísticos em decisões relacionadas a crédito, investimentos, seguros, logística e comportamento do consumidor. No esporte, a diferença está na velocidade com que uma hipótese pode ser colocada à prova.

Para Santos, essa dinâmica ajuda a explicar por que decisões sustentadas apenas por convicção vêm perdendo espaço. “O futebol continuará tendo paixão e interpretações diferentes. O que perde força é o achismo sem sustentação. Antes de qualquer decisão, a pergunta passa a ser outra: o que sustenta esse palpite?”, conclui o especialista em análise estatística.

SOBRE RICARDO SANTOS

Ricardo Santos é cientista de dados especialista em análise estatística para apostas esportivas em futebol e fundador da Fulltrader Sports, empresa líder na América Latina no desenvolvimento de softwares SaaS voltados ao público final de trade esportivo. Atua há 12 anos como trader profissional em probabilidades de futebol, com foco em análise preditiva e modelagem de cenários para apostas.

Para mais informações, acesse: Canal do Youtube, Instagram ou pelo site.

SOBRE A ARENA FULLTRADER

A Arena Fulltrader é um espaço físico premium idealizado por Ricardo Santos, localizado em São José dos Campos (SP). Desenvolvida para atender eventos corporativos, treinamentos, mentorias, gravações e experiências imersivas, a arena se destaca por sua estrutura tecnológica de alto padrão.

Com palco equipado com painel de LED 12K, estúdio com fundo infinito, poltronas estilo cinema, climatização total e ambientes preparados para eventos presenciais e híbridos, o local se tornou uma referência no Vale do Paraíba para quem busca impacto, sofisticação e excelência técnica.

A iniciativa é mais do que um espaço, trata-se de uma plataforma de conexão, performance e inovação para empresas e profissionais.

Saiba mais em: Instagram – @arenafulltrader