Do Brasil para mercados improváveis: Tailândia e Malta viram potências na importação de jogadores

Países superaram destinos tradicionais e buscaram 64 atletas no futebol brasileiro durante a última janela

Tailândia e Malta surpreenderam ao se tornarem o segundo e o terceiro principais destinos dos jogadores negociados pelo futebol brasileiro

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Atacante Favela

Campinas, SP, 04 (AFI) – Enquanto os grandes negócios do futebol internacional concentraram cifras bilionárias na Inglaterra, na Espanha e na Itália, dois destinos improváveis invadiram o mapa das transferências brasileiras. Tailândia e Malta ficaram atrás apenas de Portugal entre os países que mais contrataram jogadores em atividade no Brasil na janela do meio de 2026.

Ao todo, 525 atletas deixaram o futebol brasileiro rumo ao exterior. Portugal liderou a lista ao receber 117 jogadores, mas a grande surpresa apareceu imediatamente depois. Clubes da Tailândia contrataram 38 profissionais daqui, enquanto equipes de Malta buscaram outros 26. Japão e Emirados Árabes Unidos vieram na sequência, com 19 cada.

Somados, os dois mercados emergentes receberam 64 atletas. O número escancara uma rota de exportação que cresce longe das negociações milionárias e das badaladas ligas europeias.

Artilheiros, promessas e jogadores em busca de espaço

Os negócios ajudam a contar uma realidade pouco observada do futebol brasileiro. Não são apenas estrelas da Série A que atravessam o planeta. Atletas das divisões inferiores, jovens das categorias de base e profissionais sem espaço nos grandes centros encontram nesses países a possibilidade de aumentar salários, disputar campeonatos nacionais e construir uma carreira internacional.

Um dos casos mais claros é o de Douglas Souza. Aos 24 anos, o atacante deixou o Nacional-AM depois de conquistar o Campeonato Amazonense e ficar com o vice da Copa Norte. Ele assinou com o Chiangrai United, da primeira divisão da Tailândia, para viver sua primeira experiência fora do Brasil.

Em Malta, o Corinthians emprestou o atacante Favela ao Zabbar St. Patrick. O jogador de 19 anos, formado nas categorias de base do clube paulista, terá uma temporada para ganhar experiência no futebol europeu. Antes da transferência, havia disputado 30 partidas e marcado três gols pelo time sub-20 corintiano em 2026.

Outro exemplo é Wanderson Gotinha, destaque do Trem na Série D. O atacante marcou sete gols na competição nacional antes de fechar com o Mosta FC, equipe consolidada na primeira divisão de Malta.

O Birkirkara também recorreu ao mercado brasileiro para reforçar o elenco. O clube contratou Pablo Gabriel Sousa Alves, volante de 29 anos que defendia o Barra-SC na Série C. O jogador acumula passagens por Ferroviária e Fortaleza.

Tailândia atrai brasileiros experientes

A presença brasileira no futebol tailandês também inclui nomes mais conhecidos. Revelado pelo Grêmio, Darlan assinou por duas temporadas com o Buriram United, maior campeão nacional e presença frequente na Liga dos Campeões da Ásia.

Nesse caso, porém, o volante chegou livre depois de defender o Santa Clara, de Portugal. Por isso, sua transferência não deve ser contabilizada entre as 38 saídas diretas do futebol brasileiro, embora ajude a mostrar a crescente capacidade dos tailandeses de atrair profissionais do país.

O Uttaradit FC, da segunda divisão, apostou em Judivan, antiga promessa do Cruzeiro e da seleção brasileira sub-20. Aos 31 anos, o atacante chegou ao seu sétimo clube na Tailândia, sinal de que o país deixou de representar apenas uma aventura passageira para determinados jogadores.

Volume elevado, cifras discretas

Tailândia e Malta impressionam pela quantidade de contratações, não necessariamente pelo dinheiro gasto. Nenhum dos dois países aparece entre aqueles que mais desembolsaram para comprar atletas de clubes brasileiros.

A Inglaterra liderou financeiramente, com US$ 57,3 milhões, seguida por Itália, Ucrânia, Portugal e Estados Unidos. Isso indica que boa parte das operações com tailandeses e malteses envolveu jogadores livres, empréstimos ou negociações por valores reduzidos.

O movimento revela um lado silencioso da indústria do futebol. Enquanto poucas estrelas rendem fortunas aos grandes clubes, centenas de jogadores alimentam mercados menores e procuram longe de casa as oportunidades que desapareceram no Brasil.

Tailândia e Malta podem continuar distantes da elite mundial dentro de campo, mas já se transformaram em gigantes quando o assunto é garimpar talentos no enorme mercado brasileiro.

Abaixo os pricipais destinos dos jogadores brasileiros:

DestinoJogadores
Portugal117
Tailândia38
Malta26
Japão19
Emirados Árabes19