Ronaldo ainda não manda na Inter: os obstáculos que impedem o início da milionária SAF

Venda de 80% das ações foi aprovada com ampla maioria, mas investidores ainda aguardam contratos

A Inter de Limeira aprovou a venda de 80% de sua futura SAF ao grupo que conta com Ronaldo e Roberto Carlos

ronaldo
Roberto e Ronaldo

Limeira, SP, 04 (AFI) – A aprovação da SAF colocou Ronaldo Nazário e Roberto Carlos muito perto do comando da Inter de Limeira, mas a badalada nova era ainda não começou oficialmente. Apesar da votação histórica realizada pelo clube, o controle do futebol continua dependendo do cumprimento de uma série de procedimentos jurídicos e administrativos.

A proposta recebeu 53 votos favoráveis e apenas um contrário durante a Assembleia Geral Extraordinária. O resultado autorizou a constituição da Sociedade Anônima do Futebol, o prosseguimento da operação e a venda de 80% das ações ao grupo de investidores liderado pelo executivo Enrico Ambrogini. A associação permanecerá com os outros 20%.

O grupo comprador reúne Ronaldo, Roberto Carlos e o príncipe saudita Abdullah bin Saad bin Abdulaziz Al Saud, além de outros participantes. A presença de nomes mundialmente conhecidos transformou o negócio em um dos projetos mais comentados do futebol do interior paulista.

O que ainda falta para a SAF começar?

A decisão dos conselheiros representou uma autorização política e institucional, mas não transferiu imediatamente o comando do futebol aos investidores.

Agora, as partes precisam concluir a assinatura dos documentos definitivos da operação, elaborar e aprovar o estatuto da nova empresa, registrar a SAF na Junta Comercial e obter um CNPJ próprio.

Depois dessas etapas, a mudança deverá ser apresentada à Federação Paulista de Futebol. As normas da entidade exigem documentos como a ata de constituição, o estatuto social registrado, a composição administrativa e o comprovante de inscrição cadastral da nova sociedade.

A previsão divulgada é de que o processo de transição seja concluído até o começo de 2027. Até lá, portanto, não é correto tratar as decisões tomadas dentro de campo como ordens da gestão de Ronaldo e Roberto Carlos.

R$ 454 milhões não estão garantidos

Outro cuidado importante envolve o valor associado ao negócio. O planejamento prevê investimentos que podem chegar a R$ 454 milhões em dez anos, mas essa quantia não representa um cheque garantido ou um aporte imediato.

O montante é uma projeção condicionada ao crescimento da empresa e ao cumprimento das metas estabelecidas no plano de negócios. A garantia mínima informada é de R$ 187 milhões ao longo de 15 anos.

Para o período entre 2026 e 2027, estão previstos até R$ 20 milhões destinados ao início da reestruturação. Entre as prioridades aparecem a reorganização financeira, a construção de um centro de treinamento, a modernização administrativa, o fortalecimento das categorias de base e melhorias no Limeirão.

O grupo também deverá assumir o pagamento das dívidas do clube, estimadas em aproximadamente R$ 8,5 milhões. A meta esportiva mais ambiciosa é levar a Inter de Limeira à Série A do Campeonato Brasileiro em até oito temporadas.

Aprovação abre caminho, mas não encerra processo

A votação foi decisiva porque derrubou a principal barreira interna para o negócio. Entretanto, o comunicado oficial da própria Inter afirma que a assembleia autorizou a celebração dos instrumentos necessários à formalização da operação.

Na prática, Ronaldo, Roberto Carlos e os demais investidores receberam o sinal verde para avançar, mas ainda não as chaves definitivas do clube. A SAF está aprovada e encaminhada. A mudança efetiva de comando somente ocorrerá depois que contratos, registros e autorizações transformarem o projeto em uma empresa plenamente constituída.

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