Elenco milionário e fracasso vergonhoso fazem Guarani pagar caro por vexame na Série C
Montado para conquistar o acesso, o Bugre entrou na competição com a maior folha salarial da divisão.
O Bugre liderou o campeonato, permaneceu 16 rodadas no G-8 e desperdiçou 15 pontos após abrir o placar nos últimos nove jogos
Campinas, SP, 04 (AFI) – O Guarani gastou como favorito, chegou a ocupar a liderança e teve a classificação nas próprias mãos. Ainda assim, terminou a Série C fora até mesmo do quadrangular decisivo. A eliminação precoce expôs o fracasso de um projeto caro, cercado de expectativas e incapaz de entregar o principal objetivo da temporada.
Montado para conquistar o acesso, o Bugre entrou na competição com a maior folha salarial da divisão. O planejamento reuniu jogadores conhecidos do futebol nacional, como Caíque França, Rafael Donato, Willian Farias, Ralf, João Paulo, Diego Torres, Lucca e Maranhão.
A folha havia sido projetada inicialmente em aproximadamente R$ 1,5 milhão mensais, acima dos R$ 1,37 milhão registrados ao fim de 2025. Durante a Série C, porém, o custo do elenco passou a girar em torno de R$ 2 milhões por mês.
O investimento parecia dar resultado durante boa parte da competição. O Guarani permaneceu no G-8 em 16 das 19 rodadas, liderou o campeonato durante quatro jornadas e chegou a construir seis pontos de vantagem dentro da zona de classificação. O cenário desmoronou justamente na reta final.
Nas últimas nove partidas, o Bugre conquistou apenas uma vitória. Foram também quatro empates e quatro derrotas. O desperdício foi ainda mais doloroso porque a equipe abriu o placar em seis desses confrontos, mas permitiu três empates e três viradas. Ao todo, deixou escapar 15 pontos depois de sair em vantagem.
A queda esportiva ocorreu ao mesmo tempo em que a crise financeira invadiu o vestiário. Os salários começaram a atrasar e parte do elenco chegou a interromper uma atividade em protesto. Depois da eliminação, ainda existiam pendências referentes a junho e julho.
DEBANDADA NO GUARANI
Nem a experiência acumulada pelo elenco foi capaz de impedir o desastre. Ralf e Diego Torres deixaram o clube antes do encerramento da temporada. Outros jogadores com custos elevados também passaram a ter a permanência questionada. Após a queda, o executivo Carlos Frontini afirmou que aproximadamente 70% do grupo não deveria continuar em 2027.
O capítulo final ocorreu dentro do Brinco de Ouro. Dependendo apenas de uma vitória sobre o Brusque, o Guarani empatou por 2 a 2 e terminou na décima colocação, com 28 pontos, um abaixo do último classificado. A equipe que consumiu a maior folha da Série C terminou olhando de fora a fase que decide o acesso.
O resultado representa o colapso de uma aposta. O Guarani antecipou recursos, aumentou seus custos e apostou em nomes experientes para retornar à Série B. No fim, ficou sem o acesso, acumulou dívidas com o elenco e terá de iniciar outra reconstrução.





































































































































