Operário-PR tenta recuperar direitos e decisão pode repercutir entre 31 clubes

O clube paranaense estipulou o valor da operação em R$ 2,21 milhões

A iniciativa, porém, provocou uma reação da SME, que entende que o assunto ultrapassa a relação entre a empresa e o Operário

Operário-PR
Foto: @daniel.meira94

Ponta Grossa, PR , 02 (AFI) – O Operário-PR levou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma proposta para recomprar os 10% de seus direitos econômicos que estão nas mãos da Sports Media Entertainment (SME), investidora ligada ao Futebol Forte União (FFU).

O clube paranaense estipulou o valor da operação em R$ 2,21 milhões e afirma que pretende recuperar integralmente a participação sem abandonar a negociação coletiva dos direitos comerciais.

INICIATIVA

A iniciativa, porém, provocou uma reação da SME, que entende que o assunto ultrapassa a relação entre a empresa e o Operário.

Segundo a investidora, uma eventual recompra individual pode produzir reflexos sobre toda a estrutura do FFU, formada por 31 clubes, além de envolver regras coletivas de governança e exploração comercial.

A empresa também questiona o fato de o clube ter apresentado a proposta diretamente ao Cade, em vez de encaminhá-la inicialmente aos demais integrantes do condomínio.

VALOR CALCULADO

O valor calculado pelo Operário considera os recursos originalmente investidos pela SME, com aplicação de juros equivalentes a 100% do CDI mais 4% ao ano, proporcionalmente ao período de cada aporte até o pagamento.

O clube afirma ainda ter buscado informações para chegar ao montante e diz que possui uma proposta de crédito para viabilizar a operação.

Apesar da movimentação, o Operário sustenta que não pretende deixar o bloco comercial. A intenção, de acordo com o clube, é apenas reassumir a totalidade dos direitos econômicos, permanecendo na comercialização conjunta com os demais participantes.

O presidente do grupo gestor, Álvaro Góes, contudo, admitiu que uma saída da liga pode ser avaliada caso não haja uma solução considerada vantajosa para a equipe.

SME

A SME, por sua vez, avalia que boa parte da discussão envolve interpretação de contratos, definição de valores e cumprimento de instrumentos privados.

Na visão da empresa, essas questões deveriam ser tratadas pelos mecanismos previstos nos próprios acordos, enquanto a atuação do Cade deveria ficar restrita aos possíveis efeitos concorrenciais da estrutura.