O time de várzea que reuniu jogadores da Copa Paulista e virou problema para três clubes

A equipe da várzea de Ribeirão Preto reuniu jogadores vinculados a Marília, Linense e São José

O ponto de encontro foi o Campeonato Amador Municipal de Ribeirão Preto

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Time do Hawaí

Campinas, SP, 02 (AFI) – O Hawaí não disputa a Copa Paulista, mas seu elenco passou a interessar diretamente a três participantes da competição. A equipe da várzea de Ribeirão Preto reuniu jogadores vinculados a Marília, Linense e São José. Quando fotos e registros das partidas vieram a público, a presença dos profissionais no futebol amador desencadeou medidas disciplinares e chegou a custar um contrato.

O ponto de encontro foi o Campeonato Amador Municipal de Ribeirão Preto. Pelo Hawaí, apareceram o zagueiro Guilherme Café, do Marília, o meia Tenner, do Linense, e o atacante Cristiano Robert, então no São José. Atletas de equipes diferentes no calendário profissional passaram, assim, a defender a mesma camisa na competição local.

Um domingo que repercutiu fora de Ribeirão

A vitória por 1 a 0 sobre o Simioni, na manhã de 23 de agosto, tornou-se central para a exposição dos casos. Guilherme Café foi o capitão do Hawaí naquela partida. O defensor apareceu em uma fotografia com a arbitragem e o capitão adversário, além de vídeos publicados nas redes sociais da equipe amadora.

Tenner também participou do confronto. Na escalação divulgada, foi apresentado pelo apelido “Neguinho”, mas o nome completo constava na súmul. Cristiano Robert, por sua vez, teve a participação pelo Hawaí confirmada pelo São José em duas datas: 16 e 23 de agosto.

A repercussão, portanto, não se apoiou apenas na semelhança entre jogadores ou em comentários nas redes. Fotografias, escalações e documentos da competição amadora passaram a integrar as verificações feitas pelos clubes profissionais.

O Hawaí já fazia parte do cenário local

A equipe não surgiu com a polêmica. Em novembro de 2025, o Hawaí estava entre os semifinalistas da Copa EsportivaVip, competição do futebol amador de Ribeirão Preto cuja decisão foi programada para o estádio Palma Travassos. Na ocasião, enfrentava o Vila Carvalho por uma vaga na final.

A presença de jogadores conhecidos também era exposta nas redes sociais. Guilherme Café havia sido anunciado pelo Hawaí em 13 de agosto, dez dias antes do duelo com o Simioni. Ainda teve a participação de Guilherme Radeche, lateral com passagem pelo Marília, na equipe amadora.

Isso não torna idêntica a situação de todos os atletas. Ter passado por um clube profissional é diferente de atuar na várzea durante a vigência de um contrato, circunstância que motivou as manifestações de Marília, Linense e São José.

Três jogadores, consequências diferentes

No caso de Guilherme Café, o contraste chamou atenção: ele não havia sido relacionado para a partida decisiva do Marília contra o Grêmio Prudente por desconforto muscular. No dia seguinte à derrota que eliminou o MAC, apareceu jogando pelo Hawaí. O Marília anunciou procedimento disciplinar, solicitação de documentos à liga e avaliação médica, com possibilidade de rescisão por justa causa após a apuração.

Tenner havia defendido o Linense contra o Bandeirante no sábado anterior ao compromisso pelo time amador. O Elefante informou que adotou medidas administrativas internas, sem revelar quais, e considerou o assunto encerrado.

O São José tomou outro caminho. Após verificar os registros das duas partidas de Cristiano Robert pelo Hawaí, anunciou o desligamento do atacante. O clube também apontou reincidência da conduta em menos de um ano.

O que ainda não está esclarecido

As informações consultadas não permitem afirmar quanto os atletas eventualmente receberam, como foram convidados ou quais autorizações teriam sido discutidas. Também não sustentam atribuir uma infração ao Hawaí apenas pela presença dos profissionais em campo.

O que os registros mostram é uma conexão incomum: um mesmo time de Ribeirão Preto reuniu jogadores de três elencos da Copa Paulista e fez um jogo do calendário amador repercutir nos departamentos de futebol de diferentes cidades. Fora das quatro linhas, cada clube passou a avaliar as obrigações de seu próprio atleta.