De líder a ameaçado: como o Guarani colocou classificação na Série C em risco
Bugre abriu vantagem na ponta, mas venceu somente uma das últimas oito partidas e chega à rodada final pressionado
Líder isolado da Série C após dez rodadas, o Guarani sofreu uma queda acentuada de rendimento e caiu para a sétima posição
Campinas, SP, 27 (AFI) – Há pouco mais de dois meses, o Guarani ocupava a liderança isolada da Série C e construía uma campanha que indicava uma classificação tranquila. A uma rodada do encerramento da primeira fase, entretanto, o clube corre o risco de ficar fora do quadrangular que decidirá os acessos.
A mudança de cenário foi provocada por uma queda acentuada de rendimento. Desde que chegou aos 21 pontos e abriu três de vantagem na primeira colocação, o Bugre disputou oito partidas, somou somente seis pontos e conquistou apenas uma vitória.
Nesse período, o Guarani deixou escapar a vantagem que havia construído, perdeu seis posições e permitiu a aproximação de adversários que pareciam distantes. O time chega à rodada decisiva em sétimo lugar, com 27 pontos, mesma pontuação de Ferroviária, Maranhão, Maringá e Floresta.
A diferença está no saldo de gols. Com dez positivos, o Bugre ainda possui uma vantagem importante sobre os concorrentes diretos, mas o critério deixa de oferecer segurança diante da quantidade de clubes envolvidos na disputa.
O último sinal de alerta apareceu na derrota por 3 a 1 para o Botafogo-PB, em João Pessoa. O Guarani abriu o placar, sofreu a virada no segundo tempo e desperdiçou a oportunidade de garantir a classificação antecipadamente.
O resultado também encerrou o trabalho de Elio Sizenando. A diretoria já discutia uma mudança por causa da perda de desempenho e decidiu demitir o treinador antes da rodada mais importante da temporada.
Umberto Louzer foi contratado para sua terceira passagem pelo clube e fará a estreia diretamente em uma decisão. O Guarani recebe o líder Brusque no sábado (29), às 17h, no Brinco de Ouro, precisando vencer para avançar sem depender de qualquer combinação.
Um empate ainda poderá ser suficiente, mas obrigará o time a acompanhar os jogos dos concorrentes. Em caso de derrota, a classificação ficará condicionada a uma sequência ainda mais favorável de resultados paralelos.
Problemas ultrapassaram as quatro linhas
A queda esportiva ocorreu durante um período de instabilidade nos bastidores. No início de agosto, os jogadores chegaram a suspender um treinamento no gramado para cobrar salários atrasados.
A diretoria quitou posteriormente os vencimentos de junho, mas ainda mantém pendências referentes a julho. O executivo de futebol Carlos Frontini reconheceu que a situação afetou o ambiente, embora tenha rejeitado relatos de uma ruptura no vestiário.
“O desgaste que existe é causado pelo atraso dos salários, e isso incomoda mesmo”, afirmou o dirigente. Ele não estabeleceu um prazo para a regularização dos pagamentos.
O Guarani também administrou mudanças no elenco durante a reta final. Kewen deixou de participar dos últimos jogos enquanto uma proposta de empréstimo do Penafiel, de Portugal, era analisada. Diego Torres, fora dos planos, entrou em processo de rescisão após um desgaste interno.
Nenhum desses fatores explica isoladamente a queda. Dentro de campo, o time perdeu eficiência, passou a oferecer mais espaços aos adversários e deixou de transformar atuações equilibradas em vitórias. A soma dos problemas, porém, aumentou a pressão sobre um elenco que anteriormente conduzia a competição.
Temporada em jogo
O confronto com o Brusque separa dois momentos completamente diferentes. O adversário chega ao Brinco de Ouro na liderança e já classificado. O Guarani, que ocupava essa posição na décima rodada, entra em campo obrigado a defender sua permanência entre os oito melhores.
A vitória classificará o Bugre e iniciará uma nova etapa na busca pelo retorno à Série B. Um tropeço poderá encerrar antecipadamente uma campanha que começou com perspectivas de protagonismo.
Em apenas oito rodadas, o Guarani transformou uma vantagem de três pontos na liderança em uma disputa definida pelo saldo de gols. Agora, terá 90 minutos para impedir que a queda de rendimento também provoque o fim da temporada nacional.





































































































































